O estranho
Não te conheço, nunca nos falamos,
mas hoje entramos pela mesma porta...
Atrás de nós florescem muitos ramos
e a floração em cores nos conforta.
Se a natureza esteve um tempo morta,
refloresceu, porque hoje nos amamos...
Já o que passou é vago e não importa;
cantam pra nós, gentis, os gaturamos.
Mas dize, estranho, como pude amar-te
e te entregar meu corpo nesse ardor,
fazer de ti, meu guia e baluarte?
Por ser o afeto um bem que se reparte,
fingiste bem sentir um grande amor
e desse amor soubeste engenho e arte.
Nilza Azzi
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