Canto de arte
Quando às margens da poesia me detenho
e me espelho nessas águas cintilantes,
posso ver que, entre o carvão e o diamante,
sabe ao pó o meu pretenso desempenho.
Sei então que em meu delírio de aspirante,
canto em verso a vida, sem franzir o cenho...
Tal labor requer de mim o mais ferrenho
dos esforços, por querer ir sempre adiante.
E se à arte eu presto enorme desserviço,
quando insisto em escrever, sem que me farte,
por castigo, aceito em paz a minha parte:
– Que se cale à minha volta o tom mortiço
desta verve e seja o bardo rechaçado
e nem mesmo deixe à margem um recado.
Nilza Azzi
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