UM FIM DE TARDE
Um fim de tarde acontece todo dia
Mas nunca se dá sozinho e sem alarde.
Mesmo após o sol ter ido de país em país
Deixa ainda costurado no tecido do céu
Por bons momentos o seu prurido.
Há sempre uma ultima nuvem ardendo
Brandamente vermelha e até entediada
De pele queimada e tecido redesenhando-se
Com qualquer brisa que lhe retoque mansa.
Alguma nuvem que tenha sumido na estrada
Que precisara descarregar sua chuva
Regado e carpido o feijão que será colhido.
Alguma nuvem igual a mim
Que passara toda a tarde a espera
De alguém transeunte de qualquer tempo.
Conheci uma estrela invisível que viajava pela terra
E todo o seu mundo era tarde porque seguia
Imprescindível recolhendo os últimos clarinhos
Iluminando os trilhos opacos do sertão dos vagalumes
E os intermináveis vagalhões dos desertos e mares.
Mas andava desviando para além das cidades
Onde as luzes sobrepunham-se ao lusco-fusco
No poluído e desumano horizonte abcesso da natureza.
Mas eu acostumara olhar para o outro lado do entardecer.
Sempre passava a minha infância de vigia
No laborioso oficio de acender a lua quando ela vinha
Mas nunca se dá sozinho e sem alarde.
Mesmo após o sol ter ido de país em país
Deixa ainda costurado no tecido do céu
Por bons momentos o seu prurido.
Há sempre uma ultima nuvem ardendo
Brandamente vermelha e até entediada
De pele queimada e tecido redesenhando-se
Com qualquer brisa que lhe retoque mansa.
Alguma nuvem que tenha sumido na estrada
Que precisara descarregar sua chuva
Regado e carpido o feijão que será colhido.
Alguma nuvem igual a mim
Que passara toda a tarde a espera
De alguém transeunte de qualquer tempo.
Conheci uma estrela invisível que viajava pela terra
E todo o seu mundo era tarde porque seguia
Imprescindível recolhendo os últimos clarinhos
Iluminando os trilhos opacos do sertão dos vagalumes
E os intermináveis vagalhões dos desertos e mares.
Mas andava desviando para além das cidades
Onde as luzes sobrepunham-se ao lusco-fusco
No poluído e desumano horizonte abcesso da natureza.
Mas eu acostumara olhar para o outro lado do entardecer.
Sempre passava a minha infância de vigia
No laborioso oficio de acender a lua quando ela vinha
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