O romântico
Vivendo arrebatador sentimento
Derramando o pranto do sofrimento
Eis o Romântico em seu canto de amor
E em suas noites de puro terror
Noites estas, que envolto em mistério
Chega às portas do cemitério
E lá, em meio às covas sombrias
O Romântico compõe suas liras
Sua vida boêmia de mil amores
Rende ao Romântico inúmeras dores
As noites frias: a pneumonia
Os dias de tédio: a melancolia
Quem sois, ó Romântico?
Aquele que espalhou seu canto
Aquele que de amor sofria
E entoava palavras d'agonia!
Quem sois, ó Romântico?
Sois Álvares, Alves e Castelo Branco
Que não viveram em vão
Escreveram prazeres e dores do coração
Estou certa de que o Romântico não morreu
O Romântico sou eu
És tu, e nossa ilusão
De que o romantismo vive, em nossa geração.
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