Meandros
Um sonho, guardado nas dobras da noite,
caiu de repente do céu sobre a terra
e foi repousar onde o nó se descerra,
curando as feridas e as dores do açoite.
Cruzou os meandros confusos da carne,
privou do pulsar das vontades alheias,
ardendo em faíscas queimou suas peias,
mas nunca encontrou um sinal, um alarme,
que um dia mostrasse quão fútil já era
seu brilho sem sombras na vã primavera.
Nilza Azzi
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