Lista de Poemas
A Natureza da Existência Bruta
“O homem é mau” - Thomas Hobbes
Cego para as convenções do homem
Compelido pelo propósito mais basal
Conduta inferior à barbaridade
Ser instruído a base da selvageria
Sentimentos mais simples que a fome
Aversão pura à comunhão
Reagi somente diante do dano
Desconhece à dor alheia
Incapaz de ser cognoscente
Preserva sua estrutura sem ter a intenção
A civilidade é abstrata a sua consciência
Estagnado em seu estado fundamental
Instinto de saciar e continuar...
“Nutrir o corpo com tudo que possua pernas”.
Cego para as convenções do homem
Compelido pelo propósito mais basal
Conduta inferior à barbaridade
Ser instruído a base da selvageria
Sentimentos mais simples que a fome
Aversão pura à comunhão
Reagi somente diante do dano
Desconhece à dor alheia
Incapaz de ser cognoscente
Preserva sua estrutura sem ter a intenção
A civilidade é abstrata a sua consciência
Estagnado em seu estado fundamental
Instinto de saciar e continuar...
“Nutrir o corpo com tudo que possua pernas”.
286
Os Olhos Cegos Que Choram
Olhos cegos que não vêem mais
Choram de tristeza lamentando pelo que não foi visto
Derramam todas as lágrimas que podiam derramar
E todos os dias lágrimas de arrependimento
Restam-lhes somente a função de supurar nas órbitas de quem os detém.
O espelho da alma foi quebrado
A menina dos olhos foi violada
O indivíduo enlouquecido tem seus sentimentos aprisionados e pisoteados
Os olhos mais azuis refletem
Os olhos mais pretos execram
mas ambos são igualmente cegados quando o visível não importa mais.
Choram de tristeza lamentando pelo que não foi visto
Derramam todas as lágrimas que podiam derramar
E todos os dias lágrimas de arrependimento
Restam-lhes somente a função de supurar nas órbitas de quem os detém.
O espelho da alma foi quebrado
A menina dos olhos foi violada
O indivíduo enlouquecido tem seus sentimentos aprisionados e pisoteados
Os olhos mais azuis refletem
Os olhos mais pretos execram
mas ambos são igualmente cegados quando o visível não importa mais.
327
O QUE SOU E O QUE RESTA
O gracejo de uma bela dama não compensou os dias de insegurança
um sorriso verdadeiro não sarou um amor incorrespondido
a pureza de um olhar não impediu uma rejeição
a fragilidade de uma flor não me causou mais admiração.
Agora somente aguardo pelo banquete de celebração
em que me reduzo a um simplório resguardado no seu fúnebre caixão
um sorriso verdadeiro não sarou um amor incorrespondido
a pureza de um olhar não impediu uma rejeição
a fragilidade de uma flor não me causou mais admiração.
Agora somente aguardo pelo banquete de celebração
em que me reduzo a um simplório resguardado no seu fúnebre caixão
310
MOTORISTA DE (ÔNUS)BUS
Mais uma parada e um rosto a menos
Tudo é passageiro e o deslocamento alija o peso passado
Desacelerar é saber quando parar, é saber suportar é saber surpreender
Há um valor ante das ações ínfimas e repetitivas além do mero dever
Meus serviços se cruzam com a necessidade
E a rotina perpetua minha utilidade
em eternas voltas e idas
as vezes reflexivo me pergunto, se o local de chegada reserva um destino melhor que o local de partida.
Tudo é passageiro e o deslocamento alija o peso passado
Desacelerar é saber quando parar, é saber suportar é saber surpreender
Há um valor ante das ações ínfimas e repetitivas além do mero dever
Meus serviços se cruzam com a necessidade
E a rotina perpetua minha utilidade
em eternas voltas e idas
as vezes reflexivo me pergunto, se o local de chegada reserva um destino melhor que o local de partida.
305
Frustração
O que venho a declarar é pungente
É amargo
Fere o coração
São toneladas de angústia
Que trago em meus ombros
Que entulham meu peito
E me engasgam de aflição
Tudo a partir de agora será real
Não sou capaz de ponderar minhas palavras
Dilaceram a alma lentamente
E encurtam a vida.
A culpa é minha
É toda minha
Não há desculpas
Não há volta
É irreversível
É irrefreável
Um lameiro é o único local do qual sou digno de estar
Perdoe-me não ser direto
O gracejo do detalhe
Lateja a dor da incompetência
E o sorriso dos indiferentes exaltados
Provoca a ira dos vermes derrotados.
É amargo
Fere o coração
São toneladas de angústia
Que trago em meus ombros
Que entulham meu peito
E me engasgam de aflição
Tudo a partir de agora será real
Não sou capaz de ponderar minhas palavras
Dilaceram a alma lentamente
E encurtam a vida.
A culpa é minha
É toda minha
Não há desculpas
Não há volta
É irreversível
É irrefreável
Um lameiro é o único local do qual sou digno de estar
Perdoe-me não ser direto
O gracejo do detalhe
Lateja a dor da incompetência
E o sorriso dos indiferentes exaltados
Provoca a ira dos vermes derrotados.
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