Lista de Poemas

A Natureza da Existência Bruta

“O homem é mau” - Thomas Hobbes

 

Cego para as convenções do homem

Compelido pelo propósito mais basal

Conduta inferior à barbaridade

Ser instruído a base da selvageria

Sentimentos mais simples que a fome

Aversão pura à comunhão

Reagi somente diante do dano

Desconhece à dor alheia

Incapaz de ser cognoscente

Preserva sua estrutura sem ter a intenção

A civilidade é abstrata a sua consciência

Estagnado em seu estado fundamental

Instinto de saciar e continuar...



“Nutrir o corpo com tudo que possua pernas”.
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Os Olhos Cegos Que Choram

Olhos cegos que não vêem mais
Choram de tristeza lamentando pelo que não foi visto
Derramam todas as lágrimas que podiam derramar
E todos os dias lágrimas de arrependimento
Restam-lhes somente a função de supurar nas órbitas de quem os detém.
O espelho da alma foi quebrado
A menina dos olhos foi violada
O indivíduo enlouquecido tem seus sentimentos aprisionados e pisoteados
Os olhos mais azuis refletem
Os olhos mais pretos execram
mas ambos são igualmente cegados quando o visível não importa mais.
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O QUE SOU E O QUE RESTA

O gracejo de uma bela dama não compensou os dias de insegurança
um sorriso verdadeiro não sarou um amor incorrespondido
a pureza de um olhar não impediu uma rejeição
a fragilidade de uma flor não me causou mais admiração.
Agora somente aguardo pelo banquete de celebração
em que me reduzo a um simplório resguardado no seu fúnebre caixão
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MOTORISTA DE (ÔNUS)BUS

Mais uma parada e um rosto a menos
Tudo é passageiro e o deslocamento alija o peso passado
Desacelerar é saber quando parar, é saber suportar é saber surpreender
Há um valor ante das ações ínfimas e repetitivas além do mero dever
Meus serviços se cruzam com a necessidade
E a rotina perpetua minha utilidade
em eternas voltas e idas
as vezes reflexivo me pergunto, se o local de chegada reserva um destino melhor que o local de partida.
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Frustração

O que venho a declarar é pungente
É amargo
Fere o coração
São toneladas de angústia
Que trago em meus ombros
Que entulham meu peito
E me engasgam de aflição
Tudo a partir de agora será real
Não sou capaz de ponderar minhas palavras
Dilaceram a alma lentamente
E encurtam a vida.
A culpa é minha
É toda minha
Não há desculpas
Não há volta
É irreversível
É irrefreável
Um lameiro é o único local do qual sou digno de estar
Perdoe-me não ser direto
O gracejo do detalhe
Lateja a dor da incompetência
E o sorriso dos indiferentes exaltados
Provoca a ira dos vermes derrotados.
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Até Aqui

Canto forçado, estrangulado
Lutando para se manter sonoro
Arquejando como a ultíma ave da peregrinação
Peito cansado, destroçado, assoviando a aluvião de memórias
É denso, é só o que tenho a lhe dizer, é denso
E tu nuncas entenderia a minha dor.
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