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Meus perdidos



 

Eu já perdi a hora

Perdi um dia inteiro

Uma semana

Um mês

Um ano

Uma década

Uma data

 

Perdi o bilhete único

Cartão de creditos eu não tenho faz tempo

Perdi os prazos

E documentos

Perdi o número do telefone para quem eu queria ligar

 

Perdi o endereço anotado não sei onde

Perdi o ônibus, e no ônibus perdi o assento

Perdi a vez na fila

E na hora de tirar a foto, perdi o momento

 

Perdi a carta que enviaria, e o semáforo verde

Perdi o quente do café

E seu sorriso

Perdi um chip, perdi as moedas

perdi um amor ou mais de um

Perdi um cargo

Perdi o folego

Perdi a voz

Perdi os cabelos da cabeça

Perdi a camiseta que gostava

Perdi amigos

E uns arquivos no Pen drive

Perdi o lançamento no sarau

Perdi o contrato

Perdi o contato

Perdi a rima e o verso

Perdi o livro de Joice Néia

Perdi a estreia e o treino

Perdi o reino e a razão

Perdi um coração e uma casca

Perdi a manifestação

A vida é cheia de surpresas

Umas boas outros ruins

Tenho perdido muitas coisas

Só não posso me perder de mim
Ler poema completo
Biografia
Nascido em São Paulo, no ano de 1978, foi levado já no ano seguinte a morar com sua avó, Judite, em Frei Miguelinho, no estado de Pernambuco. Em 1986, por influencia de sua avó, começa a escrever suas primeiras poesias. No ano de 1994, após a morte de sua avó, retorna definitivamente à São Paulo para morar com sua mãe. No período que se inicia com sua mudança para São Paulo, trabalha em diferentes empresas sem nunca deixar de lado a escrita e a partir do ano de 2003 passa a se envolver cada vez mais no cenário literário e cultural da cidade. Em 2003 participa do concurso de poesias de Taboão da Serra. Em 2004 entra para a oficina de criação literária de Lourival Sodré na Biblioteca Mario de Andrade, escreve sua primeira peca de cordel apresentada no Tendal da Lapa e ainda conhece Letícia cruz, Rogério Guardiano e Fernando Barroso com quem funda o grupo "O Candieiro Incendiário".

Poemas

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Meus perdidos



 

Eu já perdi a hora

Perdi um dia inteiro

Uma semana

Um mês

Um ano

Uma década

Uma data

 

Perdi o bilhete único

Cartão de creditos eu não tenho faz tempo

Perdi os prazos

E documentos

Perdi o número do telefone para quem eu queria ligar

 

Perdi o endereço anotado não sei onde

Perdi o ônibus, e no ônibus perdi o assento

Perdi a vez na fila

E na hora de tirar a foto, perdi o momento

 

Perdi a carta que enviaria, e o semáforo verde

Perdi o quente do café

E seu sorriso

Perdi um chip, perdi as moedas

perdi um amor ou mais de um

Perdi um cargo

Perdi o folego

Perdi a voz

Perdi os cabelos da cabeça

Perdi a camiseta que gostava

Perdi amigos

E uns arquivos no Pen drive

Perdi o lançamento no sarau

Perdi o contrato

Perdi o contato

Perdi a rima e o verso

Perdi o livro de Joice Néia

Perdi a estreia e o treino

Perdi o reino e a razão

Perdi um coração e uma casca

Perdi a manifestação

A vida é cheia de surpresas

Umas boas outros ruins

Tenho perdido muitas coisas

Só não posso me perder de mim
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Domingo



 

Domingo é uma valsa triste

Uma quarta Feira de cinzas

Um dia fora do calendário

 

Um relógio sem ponteiros

Um bar sem clientes

Um banco de praça em dia chuva

 

Domingo é um orelhão

Uma caixa de correio na era da internet

Um astronauta

Um idoso em dia visita

Uma fita k7

Um retrato na parede
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