Amor ao Acaso
Leve, leve, mais que leve,
Mais que um vento, uma prece,
breve breve pouco reze
Seja leve antes que o tempo pese
Leve, leve, mais que leve,
Mais que um vento, uma prece,
breve breve pouco reze
Seja leve antes que o tempo pese
Foi na mais tenra idade que a poesia veio me (ch)amar Não sei de onde veio Do inverno, do frio ou dos seios. Não sei como nem quando Só sei que veio Não, não eram vozes Não eram palavras Era o mais absoluto silêncio
Inconformados e prisioneiros
procuramos o outro
o outro lado
uma outra vida
e nessa inquietação algo se liberta
rompe-se as grades e, de tal maneira,
a vida segue em toda sua racionalidade
a dar de ombros ao impossível.
Surpresa!
Leve, leve, mais que leve,
Mais que um vento, uma prece,
breve breve pouco reze
Seja leve antes que o tempo pese
A liberdade, meu caro Sancho,
vai além de um pedaço de pão e uma partida de futebol.
À liberdade, querido Pança,
nada se iguala,
nem os tesouros guardados em terra
tampouco nos abismos do mar.
Invadido pela paz
Confrontado pelo destino
Limitado pelo espelho
E ainda louco pela vida
Elejo moinhos e ergo lança contra o vento.
Titereiro do tempo,
de dedos cansados
cordas frouxas
tempo a correr...solto!
(Marcos Costa e Silva)
O inexorável Passar do Tempo
No fim de tudo
Nem tudo o tempo levará
Ficará o que há de mais leve
Leve, leve brisa do mar
Ficará a palavra
Os versos
E o acariciar.
No fim de tudo
Nem tudo ficará.
Mas ficará seu cheiro pela manhã em seu doce acordar.
Pois, no fim de tudo, nem tudo ficará.
(Marcos Costa e Silva)
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