RonaldoHBJ

RonaldoHBJ

n. 1996 BR BR

Estudante e escritor, escreve para um blogue pessoal e para o Jornal da Baixada - de distribuição local. Obtém reconhecimento de seu trabalho literário em mídias impressas, na internet e em concursos literários.

n. 1996-03-06, Rio de Janeiro

Perfil
4 685 Visualizações

A Poesia do Templo de Baco

Silêncio.

O público brilha no escuro,

Lançando ansiedade no ar.


As cortinas, paradas, exalam

Os versos que o ator repassa recluso

Em seu camarim mal iluminado,

Onde o cheiro da maquiagem toma

O ambiente repleto de tensa paixão

Pela arte de irradiar a alma num palco

E sentir a poesia que emana da plateia.


O altar das artes cênicas espera

Aquele que transcenderá a alma

Na noite banhada por estrelas

Enquanto o ambiente começa a pesar

Com os murmúrios dos espectadores passivos

Que comentam o atraso da apresentação

E imaginam o que acontece atrás das cortinas

Naqueles momentos de tensão

E frio na barriga.


Os sinais que recordam

As batidas de Molière

Alcançam os tímpanos mudos,

E os espectadores se calam.


Os contrarregras andam rápido.

Ambiente da criação artística

Montado. Sonoplastas e

Iluminadores posicionados.

O ator caminha suavemente

Com o coração batendo pesado.


O suor do diretor escorre.

Ouvem-se passos sobre os tacos.

Um som fabril ocorre, e

As cortinas se abrem.


O espetáculo vai começar.




*Texto recitado na abertura do III Festival Nacional de Esquetes do IFF, promovido pelo Grupo Nós do Teatro, do Instituto Federal Fluminense Campus Campos-Centro.

Ler poema completo
Biografia
Ronaldo Henrique Barbosa Junior é natural do Rio de Janeiro – RJ – e reside atualmente no município de Campos dos Goytacazes, interior do estado do Rio. Estudante e escritor, escreve para um blogue pessoal desde 2008 e para o Jornal da Baixada - de distribuição local - desde 2012. Obtém reconhecimento de seu trabalho literário em mídias impressas, na internet e em concursos literários como o II Concurso de Poesia do IFF e o Prêmio UFF de Literatura 2013. Com 18 anos, cursa Direito na Faculdade de Direito de Campos e é Técnico em Mecânica formado pelo Instituto Federal Fluminense Campus Campos-Centro.

Poemas

12

Acabou o café

As migalhas farináceas de pão com rastros

de manteiga são pedaços de mim pela toa-

lha surrada que cobre a mesa de ma-

deira carcomida pelos cupins do tem-

po, mas com a robustez de quando um

antepassado a fez. O bule ainda

da quente andava nos olha-

res que acompanhavam o tempo passar nas xícaras

vazias com o fundo negro. Restou apenas o gosti-

nho da poesia a criar vida no céu da boca




*Selecionado para integrar a I Coletânea Viagem pela Escrita 2015, por meio do I Concurso Nacional Viagem pela Escrita – 2014, promovido pela PoeArt Editora de Volta Redonda - RJ.

485

Um soneto de domingo

Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!

Teus olhos vendados dignificam os homens

Através das entregas e censuras

Aos que se inclinam aos teus conselhos de ordem.


Nós, necessitados de tua dicção,

Buscamos o equilíbrio concreto, ideal,

Gerando o que teus gestos significam

Nos tempos em que a vida se faz desigual.


Com tua espada, tu exiges a harmonia

Da vida em sociedade, vinda da razão,

Que faz os homens retos por prudência.


Pois a vida, em suas tantas escolhas,

Ensina o que se abdica para conquistar;

Perde-se a vida, ganha-se a batalha!




*Selecionado para integrar a I Coletânea Viagem pela Escrita 2015, por meio do I Concurso Nacional Viagem pela Escrita – 2014, promovido pela PoeArt Editora de Volta Redonda - RJ.

425

Bistrô

Não se passava

a qualquer momento ali.


Aquela rua era

escura

como o negro véu

que cobre

a madrugada aluada;

as casas eram

todas do

século passado,

com tijolos quebradiços

e uma penumbra de tinta

cobrindo algumas paredes

rachadas.


Aquela porta

de madeira amarga,

que protegia uma casa

humilde,

era aberta à tarde

por Alícia,

moça jovem

de olhos tristes.


Havia duas mesas

antiquadas e

descombinadas

com banquetas quebradas.


As tardes de frio eram

inspiradoras,

mas a voz do vento

era a única que

se ouvia

tocando as nuvens

bastante

nubladas.


O vazio

daquela rua

traduzia

o que as gotas

espelhadas

do céu

diziam

à moça

de lenço nas mãos

e chuva nos olhos.


Cantar era uma

paixão

bem

guardada no peito,

que irradiava nas

lágrimas

pelo amor

distante.


Seus filhos

não mais

tinham pai.


Os olhos dela

brilhavam

a cada vez

que recebia

notícias de seu

amado;

as crianças frequentemente

cantavam a saudade em

perguntas

insaciáveis

de onde o pai estava.


Ele estava longe,

honrando a bandeira azul,

branca,

vermelha.

Estava sendo a

pátria inteira.


Quando sol,

fazia escuro

naquela

rua

negra.


A cada semana,

a moça saía a

fazer compras

no outro bairro,

voltando com sacolas

de alguns ingredientes

para servir tira-gostos aos

clientes

escassos.


Todavia,

as compras ela fazia

às quartas-feiras,

não às

QUINTAS.


Por isso,

ao caminho,

encontrou

uma fachada

muralizada,

com alguns papéis rasgados,

que diziam:


'GRAND SPECTACLE:

Mardi, Théâtre des Champs-Élysées'


mas os tempos eram outros,

e a guerra não

trazia

espetáculos,

porém,

como nunca vira,

naquela fachada,

uma porta

aberta

avistou:

vozes líricas

ouviu

como ouvia

pássaros a

cantar.


A moça Alícia entrou,

recatada,

bateu palmas e,

quando se viu,

estava cercada

de mulheres observando-a,

vestidas sem

grande luxo,

mas

soberbas.


Um homem

sentado

se levantou

para ver quem

chegava.


Ela queria apenas

ouvir

o ensaio.


Indagou o

homem

o que

ela queria

e ouviu um sussurro

doce de vergonha,

consentiu

a presença e silenciou

em sua cadeira cansada.


Não quis ela sair

de si mesma,

sensata,

conhecendo-se

como uma

qualquer,

como ninguém

a conhecia.


As vozes

encantavam

em seus timbres,

ilustrando

a melodia

do violino

que extravasava

a arte poética

em suas cordas.


O balé ensaiava

cada passo

trazido por

cada peça

do enredo

da ópera,

e Alícia

pensava consigo

o quão incrível

era a

arte,

emocionada,

com

a alma na mão,

sentimental.


Ao fim,

pôs-se a

sair

sem que

fosse

notada

e

foi

fazer as

compras para

semanar

na sala

de sua casa,

servindo

ao ínfimo

público

que,

às vezes,

aparecia.


Não muito longe,

as bombas

ilustravam

o cenário de caos,

e a

Militärverwaltung in Frankreich

enegrecia

a França

numa nuvem

Nazista.


Então,

tragicamente,

a vontade

surgiu,

e Alícia voltou

ao ensaio

na quinta

seguinte,

quando

o homem

sentado

indagou

se ela

sabia

cantar.


Indo ao

centro da sala,

com postura imponente,

olhos ao chão

e coração debulhado,

lançou sua alma

aos tímpanos

absortos

que se faziam

presentes.


Seu registro

era soprano,

sua magia,

o sentimento.


A saudade

era a melodia

que embalava

seu cântico,

e a guerra

era o caos

que trazia em

sua mente.


Alguns presentes

choraram ao

ouvi-la e

a

aplaudiram

como se

ali estivesse

uma cantora

mundialmente

famosa.


Alícia

segurou seu

coração,

baixou os

olhos

e andou

até o canto

de onde saíra,

ainda ouvindo

aplausos

contundentes,

logo

buscou a saída,

envergonhada,

para voltar à sua

residência,

mas o homem

a chamou

e quis

conversar:

ela era

fabulosa.


Mas como poderia

cantar

sabendo

onde

seu marido

estava e

que sofrendo

poderia estar?


A negra cruz gamada,

Svastika,

exalava o poder

medonho

dos alemães

em terras francesas,

mas o brilho

nas retinas

sofridas

da moça

irradiava

sua insegura

paixão

pela arte.


Poderia cantar

e emocionar,

mas jamais

doaria sua alma

por completo:

ela estava

entrincheirada

a uma certa distância dali,

sendo bombardeada

noite

e dia.


Mas

o valor oferecido

gerava o desespero

de sua necessidade:

os negócios da

família não

se sustentavam.


Assim, nasceu a

Arte

Aliciana.


Todas as semanas,

comparecia

aos ensaios

e encantava

as almas que

se calavam para

ouvi-la.


As crianças se cuidavam

com a avó,

e os passos de Alícia

sumiam na multidão

dos artistas.


A apresentação

estava marcada:

mas Alícia não

se fazia

preparada,

pois ainda não

libertara

sua alma

taciturna

de seu peito

longínquo.


No camarim,

seu suor

manchava a

maquiagem

e suas cordas

vocais

quebravam as

barreiras

sonoras.


A noite era sua:

os brilhos,

os olhares,

os aplausos,

os sentimentos.


O cabaré

a esperava em

furor.


Entrou em cena,

controlou o respirar

e se debulhou em

sensibilidade.


O público estava ali,

latentemente

vibrante,

como se apreciassem

uma obra de arte

erudita

tomar

magnificamente

sua forma.


Mas o vazio em seu peito

a fazia pobre

em seu pensar.


Não poderia mais

cantar

daquele jeito.


O financiador

da noite não se conteve,

incisivo:

'Aquelas pessoas

haverão de retornar

para receberem a tua arte,

e tu tens de estar

conosco para oferecê-la.

Já és uma

estrela!'


Todavia,

repentinamente,

Alícia,

tão moça,

tornou-se

uma

inconsolável

viúva.


Seus prantos eram

ainda mais

frequentes,

e sua alma

tornara-se um vidro

estilhaçado,

lançando

cacos aos

ouvidos

nus.


Não se ouvia

soprano

mais

melancólico.


Não havia corpo,

Jean morrera

numa

trincheira,

desfalecendo em

putrefata

solidão.


Havia alma.

Imortal

na absoluta

imensidão.


Alícia pisou

novamente no palco,

tudo era noite:

sem brilhos,

sem olhares,

sem aplausos,

tantos sentimentos.


Com os olhos

tempestuosos,

cantou um pássaro

como nunca antes

cantara,

pois sabia que,

ali,

seu amado estava

apreciando a

libertação da primavera;

um arrepio a

envolveu

como um abraço,

e ela

sentiu o amor

que se fazia vivo,

manifesto na arte

que

calava o silêncio

de cada peito,

e a fazia cantar,

mesmo buscando

o silêncio

de seu

interminável

luar.




*Texto premiado com o 1º Lugar no II Concurso Literário Icoense Poeta José de Oliveira Neto, na categoria Poesia, promovido pelo município de Icó-CE.

385

Escravo da liberdade

Dormia o cativo sozinho na senzala

Enquanto as nuvens brilhavam à noite

E lacrimejavam prolíficas estrelas

Prostradas diante do açoite.


Ao abrir os olhos, o preto indigente

Foi expulso das terras soberanas

Para viver no meio de toda gente,

Longe de prisões desumanas.


Então, dono de sua liberdade,

Foi andar pelo grande centro,

Buscando ser alguém de verdade,


Mas ainda o olhavam de lado,

Chamavam-no preto vadio, arruaceiro,

E lhe davam ordens como criado.


A liberdade estava fria, escrita

Em tinta preta como a pele africana,

Mas longe de ser verazmente realista

Como o sangue que emergia de seus traumas.


Sua mente era apenas trevas,

Pois era um homem deslocado

De sua própria terra e deveras

Diferente dos chamados civilizados.


A religião de seu povo agora era branca,

Suas comidas agora tinham outro gosto, e

Sua alma prisioneira se fazia desértica.


Pensando na infância sofrida,

Nas atrocidades brancas que vira,

Vagou consigo pelas calçadas.


Seus olhos refulgiram quando,

Sentado numa tarde imunda,

Observou um pássaro planando,

Solitário, sem pensar em nada.


Então o preto desejou, inutilmente,

Ser parte daquela paisagem cinzenta,

Batendo as asas para o horizonte,

Como se possuísse sua alma liberta.


O suor escorria por todo rosto,

As máculas ardiam em carmesim,

A humanidade fora extirpada do peito.


Ele era um homem prostrado

Diante de vis animais selvagens,

Mas humanamente vestidos.


Então, naquele momento ignóbil,

Dialogando com a morte oportuna,

Viu a chama da dignidade estéril

Queimar por inteiro corpo e alma,


Percebendo repentinamente

Que, apesar de não ter senhor,

Sua consciência ardia no chicote,

Extirpando seu espírito sonhador,


Pois sua alforria sem identidade

O escravizava em si mesmo,

Prisioneiro de sua própria realidade.




*Texto premiado com o segundo lugar no Concurso de Poesias do Café Literário Antônio Roberto Fernandes 2014 (Campos dos Goytacazes-RJ)

440

Soneto da beleza existencial

O poeta segurava sua caneta,

E não escrevia absolutamente nada.

Sua vida fora presa numa sarjeta,

Pois, sob a morte, a poesia era aguada.


Guardara exame e alma numa gaveta e

Tratar do câncer era dura escalada,

Pois a morte era a tinta de sua caneta,

E a poesia, melancólica e acinzentada.


Diante da folha pálida, analfabeta,

Olhou pela janela, viu uma flor colorida,

Indagando-se sobre o que a fazia viver ereta,


Mas, vendo nela pousar uma bela borboleta,

Entendeu que a motivação da flor da vida

Era a beleza que o levara a viver poeta.




*Poema selecionado para integrar a antologia do Prêmio Literário Galinha Pulando 2014 (organizado pelo poeta baiano Valdeck Almeida de Jesus).

373

Poema em frasco

A poesia

brota viva

num frasco

profundo e

devidamente

aquecido à tem

peratura de 36 graus.

A face de tal frasco não

traz nenhuma recomenda

ção que não seja a imodera

ção e a necessidade da em

briaguez contínua que acar

reta alucinações e um olhar

inquieto para a excelência

da humanidade. A essência

vital que preenche tal fras

co emana viva do tambor ne

gro já gasto, do livro escrito

à mão, do quadro mal pinta

do pelo autor, da montanha

torta ao longe da paisagem,

do ator que se doa ao palco

e da pétala que se despren

de lentamente da flor. E o

poeta, em seu esplendor, é

aquele que realmente guar

da no peito a vida que irra

dia dos mínimos elementos

que compõem a rotina.




*Poema selecionado para integrar a antologia do II Concurso de Poesias 20 de Outubro 'Regina de Souza Marques de Almeida', promovido pela Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba - MG, recebendo menção honrosa (10/2014).

379

A Poesia do Templo de Baco

Silêncio.

O público brilha no escuro,

Lançando ansiedade no ar.


As cortinas, paradas, exalam

Os versos que o ator repassa recluso

Em seu camarim mal iluminado,

Onde o cheiro da maquiagem toma

O ambiente repleto de tensa paixão

Pela arte de irradiar a alma num palco

E sentir a poesia que emana da plateia.


O altar das artes cênicas espera

Aquele que transcenderá a alma

Na noite banhada por estrelas

Enquanto o ambiente começa a pesar

Com os murmúrios dos espectadores passivos

Que comentam o atraso da apresentação

E imaginam o que acontece atrás das cortinas

Naqueles momentos de tensão

E frio na barriga.


Os sinais que recordam

As batidas de Molière

Alcançam os tímpanos mudos,

E os espectadores se calam.


Os contrarregras andam rápido.

Ambiente da criação artística

Montado. Sonoplastas e

Iluminadores posicionados.

O ator caminha suavemente

Com o coração batendo pesado.


O suor do diretor escorre.

Ouvem-se passos sobre os tacos.

Um som fabril ocorre, e

As cortinas se abrem.


O espetáculo vai começar.




*Texto recitado na abertura do III Festival Nacional de Esquetes do IFF, promovido pelo Grupo Nós do Teatro, do Instituto Federal Fluminense Campus Campos-Centro.

373

Tecendo o texto da vida

O autor segura um fio,

E o passa para o papel tecendo

Um sentimento próprio.


O tecelão da vida, artista sem fim,

É capaz de transformar fios em

Pedaços da auréola de um querubim,


Pois a arte é a imagem da alma ardente,

Em cada instante que passa

E se eterniza no presente,


Pelo fato de o momento

Ser tecido num texto

Pelo autor que trefila seu peito.


Sentimentos são inevitáveis na criação,

Pois ninguém tece um tecido

Sem uma profunda paixão.


Dessa forma, o Tecelão Criador

Se mostra sempre presente

Através do poético furor


E transmite vida ao ser que exalta

A poesia em cada gesto, e, ao escrever,

Alcança a liberdade imediata.




*Poema classificado para integrar a antologia do Concurso Nacional Novos Poetas, Prêmio Poesia Livre 2014.

389

Ofícios

As mãos castigadas do lavrador

Expressam seu trabalho exaustivo


O ferimento do bombeiro

Faz ver que daria sua vida por outras


A postura cansada do professor

Exprime que cumpriu sua missão


As mãos calosas da costureira

Mostram seu trabalho árduo


O suor do atleta

Mostra que houve garra


As vistas cansadas do escritor

Significam sua veia poética


A graxa na roupa do mecânico

Deixa ver seu esforço


A feição límpida do juiz

Diz que a justiça foi feita


O sorriso do engenheiro

Mostra que seu trabalho é uma arte


Mas, mesmo que não haja o reconhecimento,

A satisfação que cada um guarda na alma

É o segredo do sucesso de cada ofício.




*Texto que integra a antologia do X Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus (2013).

374

A arte da perfeita imperfeição

O pincel sujava a tela

Enquanto o artista

Sentia a intensidade

Do ardente colorido da aquarela.


A obra era abstrata

Como o coração do poeta,

Irregular, livre, idealista.


Ele compunha cada linha

Daquela imensa paisagem

De sentido duvidoso com

Veementes gestos de coragem.


A obra era a Vida,

Com linhas tortuosas,

Incompletas e desencontradas.


O artista jamais a terminaria, pois

A Vida é composta pela incessante

Busca da pura poesia

Escondida na simplicidade.


A Vida era grafada com seus traços intensos

Que, quando unidos, só se faziam belos

Pelo fato de haver tantas divergências entre si.


O artista criava na tela sua paixão

Principalmente para transcender o que sentia,

Expressando as cores de sua emoção,

Para assim se embriagar da grandiosa poesia.


A arte impecável estava de lado

E o pintor expressava a beleza

Que se encontra na Vida dos desencontros.


Diversas outras Vidas eram compostas

Cheias da frivolidade e das certezas

Que assolam aqueles que têm alma

Pobre e paixões sem flama.


Assim, muitas Vidas não tinham sentido,

Afinal, elas se resumiam a uma tela,

Não extravasavam seu furor colorido.


Mas a Vida do poeta era modelada

Repleta da liberdade e da paixão

Que a tornavam infinita

E, enfim, perfeita.


Afinal, a Vida é feita de expressão,

É arte abstrata,

Perfeita na imperfeição.



*Texto integrante da Antologia do Prêmio UFF de Literatura 2013, tendo recebido menção honrosa no concurso.

397

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.