RutIria

RutIria

Estudei na FLUL (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) e adorei :) Venho partilhar os meus sonetos em decassílabo heróico. Espero que gostem :) "Je ne veux autre recompense Que dormir satisfaict de moi." D'AUBIGNÉ, Théodore Agrippa "Les Tragiques", 1616 "(...) obedecendo às ordens do Alto, muitos agentes invisíveis dedilham sutilmente os cordéis conscienciais que ativam (...) inspirações. BORGES, Wagner D. "Falando de Espiritualidade", Editora Pensamento-Cultrix Ltda., 2002 Êxodo 4:12 S. 116:12

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"Laudans"

Laudans
 

"Lágrimas vivas
Tão perto de Deus"

RITUAL TEJO. "Perto de Deus". Perto de Deus. Warner Music Portugal, Lda. 1992. 

 

Não estocasticamente (1) e sublinear
Desde Occator. Ustula num termaste (2)
Em dobras de Chevron (3). Ao "pathos" (4) vaste
Como molibdenite que, ao bornear (5)

Em "synkrisis" (4), tange o El (6) justalinear (7).
Na transfiguração (8) (9) o contracadaste (10)
Reverbera-se em "sýntheton" (11). Engaste
A heligmite e a helictite imas (12) ao hinear (13)

(Gymel de Pseudo-Chilston?) (14). De um sepulcro (15),
Espeleotema equóreo do que cerna (16),
E como reflorisse o eoceno (17) (18) pulcro (19) (20) (21),

Por entre uma heptatónica lucerna (22),
"Spiritus quia donum est Dei" (23) - fulcro (24) (25),
Transcendentalidade (26) (27) (28) sempiterna (29) (30) (31) (32) (33). 


 

(1) filosofia - o acaso de Cournot

(2) (do grego thermastís) - dança grega antiga

(3) RITUAL TEJO. "Histórias De Amor E Mar". Histórias De Amor E Mar. Farol. 1996. CD
RITUAL TEJO. "Histórias De Amor E Mar". Oitentaenove.01. 2012. CD

(4) filosofia 

(5) "(...) we did not adopt the sentiments of the word of salvation without inquiry."
CESAREA, Eusébio de "Praeparatio evangelica", séc. IV, (Preparation for the Gospel, Book 1), tradução de E.H. Gifford, 1903

(6) mitologia cananeia/ugarítica

(7) "(...) Eudæmonology, for it teaches us how to lead a happy existence, (...) from a purely objetive point of view, or rather, after cool and mature reflection - for the question necessarily involves subjetive considerations - would be decidedly preferable to non-existence; implying that we should cling to it for its own sake (...) and further, that we should never like it to come to an end."
SCHOPENHAUER, Arthur "Parerga e Paralipomena", 1851

(8) RITUAL TEJO. "Nascer Outra Vez". Histórias De Amor E Mar. Farol. 1996. CD
RITUAL TEJO. "Nascer Outra Vez". Oitentaenove.01. 2012. CD

(9) BALLARD, Russ. "Resurrection". Frontiers Music srl. 2025
Disponível em:. Acesso em: 25 fev. 2026

(10) "De fato o que nós somos: e mesmo eu
Ganhei a liberdade com um suspiro."
LORD BYRON “O prisioneiro de Chillon”, 1816, tradução de João Chrisóstomo de Medeiros Neto

(11) ARISTÓTELES "Metafísica VII", século IV a.C.

(12) "(...) Levez-vous, vertu, courage, foi!
Penseurs, esprits, montez sur la tour, sentinelles!
Paupières, ouvrez-vous, allumez-vous, prunelles,
Terre, émeus le sillon, vie, éveille le bruit,
Debout, vous qui dormez! – car celui qui me suit,
Car celui qui m’envoie en avant la première,
C’est l’ange Liberté, c’est le géant Lumière!"
HUGO, Victor - Stella. In "Les Châtiments, livre sixième", 1853

(13) HESÍODO "Theogonía" (Teogonia A Origem dos Deuses), estudo e tradução Jaa Torrano, editora Luminuras, 3ª edição, 1995, Biblioteca Pólen, São Paulo 

(14) "Pseudo-Chilston", 1450

(15) "Se a alma tem, efectivamente, uma existência anterior; se, quando inicia a vida e nasce, é por força a partir da morte e do que está morto que ela nasce como não admitir que exista para além da morte, se justamente tem de voltar a nascer?"

"(...) é indispensável que nos libertemos da nossa realidade física e observemos as coisas em si mesmas, pelo simples intermédio da alma. (...)"
PLATÃO "Fédon", 387 a.C., introdução, versão do grego e notas de Maria Teresa Schiappa de Azevedo, Livraria Minerva, Coimbra, 1988

(16) "(...) that invisible thing which they see only with the eye of faith."
CHADWICK, H. Munroe. 1900. "The Oak and the Thunder God." The Journal of the Anthropological Institute of Great Britain and Ireland Vol. 30. Translation by Mary Jones. 2014.

(17) "(...) a vontade do Demiurgo garante a continuidade do todo, (...) a alma do cosmo sendo infinita alcança até as profundezas do sensível, e lá as coisas são vistas como formas, que nossos sentidos tentam apreender. (...) Os elementos celestes são incorruptíveis (...) são fundamento da noção do que é (...)"
PLOTINO - Enéada II, Livro 1, Do Cosmo. In "Enéadas I e II", 270 d.C., introdução, tradução e notas de Juvino A. Maia, dados eletrónicos de João Pessoa, Ideia Editora Lda., 2021

(18) "(...) princípio, posto como único, que entretece tal que conecta entre si todas as coisas e que oferece o ‘como é’ de cada coisa, a partir de qual princípio todas as coisas (...) se cumprem (...)"
PLOTINO "Enéadas III", 270 d.C., introdução, tradução e notas de Juvino A. Maia, dados eletrónicos de João Pessoa, Ideia Editora Lda., 2021

(19) "Pois todo esse universo, se existente por si mesmo e incriado, como afirma Pitágoras, ou criado por forças de um Criador, como afirmou Platão, foi, incontestavelmente, já, em sua organização original, programado, dotado, ordenado e governado com uma sabedoria perfeita. Não poderia ser imperfeito Alguém que tudo fez perfeito."
TERTULLIANUS, Quintus Septimius Florens "Apologeticum", ano 197, traduzido por José Fernandes Vidal e Luiz Fernando Karps Pasquotto

(20) Eclesiastes 3:11

(21) "(...) comme les étoiles sur la voûte céleste, les cailloux sur les plages de la mer, les arbres ou les animaux à travers une campagne. (...) celle qui contient en germe (...) la plus parfaite des sciences."
COURNOT, Antoine-Augustin "Essai sur les fondements de nos connaissances et sur les caractères de la critique philosophique", Librairie Hachette, 1851

(22) "(...) era Deus, que havia surgido e que era imensurável, infinito e sempre em movimento (...)"
CICERO, "De natura deorum", 45 a.C., tradução de Francis Brooks, Methuen & Co., Londres, 1896

(23) HISPALIENSIS, Isidorus - VII. De temporibus, 8.11. In "Sententiae", século VII

(24) "(...) um grande volume desbordante de saber (...) o multiforme (...)"
GELIO, Aulo "Noctes Atticae", século I, (Noches Áticas tomo II, Libros V-X), traducción, notas e índice onomástico de Amparo Gaos Schmidt, México, 2002

(25) "(...) L' Ouvrier parfaict de tous, cet Artisan supresme,
Tire de mort la vie, et du mal le bien mesme (...)"
D'AUBIGNÉ, Théodore Agrippa "Les Tragiques", 1616

(26) "Pax Christi urget nos"
KRAFT, Walter C. "Codices Vindobonenses Hispanics - A Catalog of the Spanish, Portuguese, and Catalan, Manuscripts", Oregon State College, 1957, Austrian National Library, Vienna

(27) D' HIPONA, Agostinho (Santo Agostinho) - Dilige, et quod vis fac. In "In Epistulam Joannis ad Parthos tractatus decem" (Dez Homilias sobre a Primeira Epístola de João), tractatus VII8, séculos IV-V

(28) Salmos 8:3-4

(29) "Yo he sentido. Señor, tu voz (...), 
en el misterio de las noches bellas, 
y en el suave temblor de las estrellas 
la armonía (...) de tu semblante. (...)"
LOZOYA "Sonetos Espirituales", Segovia, 1918

(30) Mt 19:26

Lc 1:37

Filipenses 4:13

Efésios 3:20

(31) Romanos 15:13

(32) Salmos 145:9-16, Salmos 136:1-3, Salmos 100, Salmos 117

(33) ROADHOUSE. "All Join Hands". Roadhouse. 1991
Disponível em:. Acesso em: 29 dez. 2025


 

Agradecimentos:
 
- aos que, com generosidade infinita, no hiphil, "(...) do Alto, (...) invisíveis dedilham sutilmente os cordéis conscienciais que ativam (...) inspirações."

BORGES, Wagner D. "Falando de Espiritualidade", Editora Pensamento-Cultrix Ltda., 2002


Êxodo 4:12

S. 116:12 

 

"(...) offeramus (...) laudis semper Deo, id est fructum laborium confitendum nomini ejus."

LUGDUNENSIS, Florus (Diaconus) "Capitula Ex Lege Et Canone Collecta", séc. IX

 

- ao Paulo Costa (vocalista, compositor, autor e instrumentista nos Ritual Tejo, Ar de Rock, Manga e em várias participações individuais com vários outros; e DJ em vários eventos e locais, como na 105.4 FM Cascais, com o Rock 'n' Stroll): 

> pela confiança, pelo entusiasmo e pelas contribuições, neste caso, nas notas: (2), (5), (7), (14), (16), (28) e (31) e pela escala heptatónica

> por co-inspirar o "Kum", que será realizado a dois, um verso a cada um, num futuro próximo, a seu tempo, e por todas as contribuições
 

Ler poema completo

Poemas

73

Beatrice (Portinari)

Beatrice (Portinari)

No antípoda de "À Espera de Godot"
Ou de Miss Havisham, ómega nupcial,
Infensa ao Garibaldi e noiva tal,
Qual mandala em erupção, não incorporou  
 
O platonismo etéreo em tom Pierrot.
No esto ctónico, frágua luminal,
Concatenada ao alor, fértil cardal,
Exceleu, irrefragável teopsia, estuou
 
Rumo aos adimplementos crus agnados
Dos disruptivos. Látega, renuía
O silêncio espectral, quedo, dos liados
 
À orfandade do espírito em agonia.
Não, ela emancipou todos os seus lados,
Se enredada em quimeras, vã utopia.


22/08/2020

26

Intocável

Intocável

Apodo "ferocactus" se sem hipanto,
Num cárcere de gelo, qual jazigo.
Esgrime o seu vil naipe, até consigo,
E anela por Porphyria* e doravante

Mimetiza em cristal Plutão porquanto
Obdurado, senão ao toque - erodido.
Na fria horripilação do desabrigo,
Aninha-se em si só, recalcitrante.

E todavia... plasmado em Shelley, um véu
Embai, como em Shalott**, as cordas mesmas
Daquela harpa indelével, cosmo seu,                

Que exe luída e sem eira de alfazemas.
Roga a Manitu em vão fácies de ateu
E subjazem-lhe lúridas algemas.   
       

* BROWNING, Robert "Porphyria’s Lover" (1836)

** TENNYSON, Alfred "The Lady of Shalott" (1832)

inspirado no ("meu") gato de rua Pierrot, tão traumatizado que não se deixava tocar, e em todos os seres afins (humanos e animais)


21/10/2020

37

Em Chamas

Em Chamas

Na noosfera de Caíssa em "Scacchia Ludus",
Adeja um equilibrista na neblina.
Mistral, abscinde ameias em agoge hialina
Ensambla Galahad, sulco denudo.

Proceloso, abalroa fátuos entrudos.
E, róscida, colima-o a guilhotina...
Ipso facto do alvor que ele insemina
Num "Mabinogion" fósmeo, vão. Contudo

Ao estrondear como Thor urgisse atrás
Aos que intentam ilaqueá-lo em crase soez,
Coruscado, extar-se-á, se rarefaz,

É Fénix que prorrompe sob o jaez.
Na pena de Troyes*: xeque ao rei, o último ás
de omni re scibili (et quibusdam aliis).

* Chrétien de Troyes


16/11/2020

24

Da Fisicalidade

Da Fisicalidade

Resseca uma clepsidra que se hastilha,
Sequaz da Galatea (1) marmorizada,
Hebeta-se em atimia, evola-se e nada
Lhe lidima uma Becky (2) por cartilha.

Entretanto o capcioso fluir dedilha...
Em distopia, o condir, em adversão afiada
À flama de um efésio (3), onde arde a mónada.
Em aporia, o devir lanha qual cilha.

Verberada, a centelha auroresce ainda
Numa "navalha de Ockham" que não ensarta
O adiáforo. É somente um áster que blinda

O exostro de Prosérpina ou do eleata (4).
Conquanto sem as Dioneias-lua de Melinda (5),
Locupletada n'êxedra de Marta (6).

 
(1) OVÍDIO, "Metamorfoses", 8 d. C.

(2) THACKERAY, William Makepeace "Vanity Fair", 1848

(3) Heráclito de Éfeso

(4) Zenão de Eleia

(5) VIEIRA, Alice "Flor de Mel", Lisboa, Editora Caminho, 1986

(6) VIEIRA, Alice "Os Olhos de Ana Marta", Lisboa, Editora Caminho, 1990


25/12/2020
 

54

Ave Nocturna

Ave Nocturna

Toe alar a evagação, explua a henose (1) ao ascenso...
Subleve-se na peia diurna que dista
Do eixo do eudemonismo, a ave niilista
Entrebate-se em ilinx, Manfredo (2) intenso.

É ulana, é Trafalgar (3), p'lo sol apenso,
Que esplende em anagogia numa ametista.
Antepõe a angélia em verve petrarquista
Ao que de dial lha obnumbra. Carpe incenso.

Transverbera, na absconsa hora, histerese,
Desnua-se de sofismas, assim ase em
Levez, revoe ecuménica, ondeie, ensede

A "escarpada falésia"(4). Donde advém
Que, ao ablaquear-se do loro e do error, esse
Ser, ideado em Kaled (5), chanta em ninguém.


(1) Plotino

(2) BYRON, Lord George "Manfred: A Dramatic Poem", 1817

(3) Batalha de Trafalgar

(4) CALVINO, Ítalo "Se Numa Noite de Inverno Um Viajante", 1979, tradução de José Colaço Barreiros, editorial Teorema, Lda.

(5) BYRON, Lord George "Lara, A Tale", 1814


11/02/2021
 

29

Desancorada

Desancorada

Finda a "Aproximação a Almotásin"(1), ido
Schwob (2), em reboo entrechado, até ao uno plúrimo
Silente, resilido o insueto ermo ânimo,
O "Tabor" (3) é pretérito escandido.

Se nem Gilgamesh (4) ou Átila em sonido
Ou o libente Enkidu(4), em Graça cadimo,
Guarem; langue a estese, ade à tundra e ao limo,
Exsica a phýsis, nada solfa ou é ungido.

E à plaga nucleal não ressuma um pidgin
Antes se plica ao entalhe e à orbe comum.
A Levin (5) o que reme bui em carmim.

Dessome-se que a díese se entibie. Um
Diapasão coarctar-se-á ao osco pó. Outrossim
Draconiano, Tempus edax rerum (6).



(1) BORGES, José Luís "El Acercamiento a Almotásin", 1936  

(2) SCHWOB, Marcel "Vidas Imaginárias", 1896

(3) CAMPAGNE, Claude "Os Vinte Anos de Fanny", tradução de José Ferraz Diogo, Coimbra, Livraria Almedina, 1974

(4) SIN-LEQI-UNNINNI, "Ele que o abismo viu (să naqba imuru)", 2100 a.C .

(5) TOLSTÓI, Liev "Anna Karenina", 1877

(6) OVÍDIO, "Metamorfoses", XV, 234, 8 d. C.


19/03/2021
 

34

Ínvia

Ínvia

Desde Ymir a Gullveig e sem teurgia,
Qlippoth, Dugpas, Mammon, Grendel em massa,
Caldeiam-se em Kanagawa (1), que amordaça,
Númen latebroso ao ónus que asfixia.

Por melhor "linha ley" (2) que a tetania,
E a ardejar, qual Kriemhild (3), sob o que laça,
Tempesteia, sibilina, brame a raça
Num vau em perspicuidade que alvearia

Mais que Abramelin ou de Shangri-La (4).
Martela (5) o que liberta (6), em via dum álime.
Somente a malabar Métis abula.

E ao assim abular logra-se longânime.
Semotas as erínias, derruem lá
Onde a caligem Kipling no "If" (7) redime.



(1) HOKUSAI, Katsushika - A Grande Onda de Kanagawa, 1831. 1 xilogravura: ukiyo-e, color.; 26 cm x 38 cm

(2) MICHELL, John, "The View Over Atlantis", 1969

(3) "Das Nibelungenlied", 1200

(4) HILTON, James "Lost Horizon", 1933

(5) ANDRADE, Eugénio "Matéria Solar" 1980

(6) "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João, 8:32)

(7) KIPLING, Rudyard "If", 1910


08/04/2021

38

Epifania

Epifania

"Brilho noturno de noite alheia vagando entorno à Terra"
PARMÉNIDES, "Sobre a Natureza" Fragmento 14, entre 490 a.C. e 475 a.C.
 
 
Nimba em Serendip (1), ainda que em Otranto (2),
Êxule o transe de Hamelin e flauta (3)
Obducta, já o revérbero se pauta
P'lo Caminho da Mão Direita (4) enquanto
 
Alvorece um Período Edo (5) num canto
Feérico, numa lira sonial, nauta
Do empíreo, do latíbulo, aura incauta  
Alvinitente em Heorot (6). Lene o quanto
 
Hipostaticamente une, dilecta,
Fanal de venustade. Monet adentro,
Constelação de evérgetas, roleta
                       
Do tético, é Mirphak, enlevo bento
Lucente, exalça como calafeta,
Na serendipidade em sacramento.
 

(À cadela Cuca e em memória do meu Tejo)
 
 
 
(1) WALPOLE, Horace “Os Três Príncipes de Serendip”, 1754
 
(2) WALPOLE, Horace “The Castle of Otranto", 1764
 
(3) BROWNING, Robert "The Pied Piper of Hamelin", 1842
 
(4) FORTUNE, Dion "Autodefesa Psíquica", 1983, tradução de Mário Muniz Ferreira, Editora Pensamento-Cultrix, Lda.
 
(5) Período Edo ou Idade da Paz Ininterrupta (1603-1868) (Japão)
 
(6) "Beowulf", 1000

 
28/04/2021
 

41

Renascer

Renascer

"Longa e fatigante é a senda ante ti, ó discípulo."
BLAVATSKY, Helena "A Voz do Silêncio", 1998, edição 494, tradução de Fernando Pessoa, Assírio & Alvim

No hiemal liame a Nix e Érebo, injucundo,
Estertora num búzio um mesto alburno
Num tal dédalo impérvio e taciturno,
Que plange Undina (1) em terra, contrafundo.

Mas "Deixa a dor nas aras"(2), sitibundo,
Pélago de Chopin num seu nocturno,
Prorrompe-lhe uma Lilith, lio diuturno,
Transubstancia as Euménides segundo

O que inflecte o aquilão, minui o frendor,
Na "Elevação" (3), a catexe que se acera,
Fulge às fadas de Cumbria ou ao elo vector

Do Ápeiron (4) ou da "Amazing Grace" (5), vera
Crisálida num féretro a transpor:
Consagra em si a surgente primavera.



(1) SOLLOGUB, Vladimir "Undina", 1869, tradução de Vasili Jukovski da obra "Ondine" de Friedrich de la Motte Fouqué, ópera de Tchaikovski em três actos

(2) PESSOA, Fernando "Odes de Ricardo Reis", 1946. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraDownload.do?select_action=&co_obra=16549&co_midia=2>. Acesso em: 28 abr. 2021.

(3) BAUDELAIRE, Charles "As Flores do Mal", 1857. 
Disponível em: < http://www.agr-tc.pt/bibliotecadigital/aetc/download/466/As%20Flores%20do%20Mal%20-%20Baudelaire%2C%20Charles.pdf.> Acesso em: 28 abr. 2021.

BAUDELAIRE, Charles "Les fleurs du mal", 1857. 
Disponível em: <http://elg0001.free.fr/pub/pdf/baudelaire_les_fleurs_du_mal.pdf.> Acesso em: 28 abr. 2021.

(4) Anaximandro, séc. VI a.C.

(5) NEWTON, John "Amazing Grace", 1772


05/06/2021
 

16

Morte em Vida

Morte em Vida

"Há momentos em que cada um grita: — Eu não vivi! eu não vivi! eu não vivi! Há momentos em que deparamos com outra figura maior, que nos mete medo. A vida é só isto?"
BRANDÃO, Raul "Húmus", 1ª edição, Matosinhos, Tipografia Peres, Abril de 2008
 

Lucubra em litania e sem refrigério,
Num Chronos bergsoniano que o Orco endora,
Como efluxo da geena, inça cada hora,
Aflui ao algar da "Paisagem" (1), ao cinéreo.

E de mortalha umbrátil, viso céreo,
De estase, em funeral (2), livor que acora,
Num amplexo a Melpómene, vê embora
Raiar um brandão apodíctico ou um psaltério:

Na antinomia de um dó (3) que uste Descartes (4),
Se em Dieppe (5), da Anfitrite, o estorno é zero.
Dimana de Eos o "Adagio" (6), aúne, e dessarte

O páramo talvez avoque um mero
Remir "a Ave da Vida" (7), o agror e "Carpe
diem quam minimum credula postero". (8)

 

(1) REMBRANDT - Paisagem, 1640. óleo sobre tela, 51 x 72 cm

(2) DICKINSON, Emily "I felt a Funeral, in my Brain", 1861

(3) MAHLER, Gustav - Sinfonia n.º 5 em dó sustenido menor, 1902

(4) DESCARTES, René "As Paixões da Alma", 1649

(5) DELACROIX, Eugène - The Sea from the Heights of Dieppe, 1852. óleo sobre madeira, 35 x 51 cm – Museu do Louvre, Paris

(6) RACHMANINOV, Sergei - Symphony No. 2 Op. 27 III. Adagio: Adagio (LSO), 1907

(7) BLAVATSKY, Helena "A Voz do Silêncio", 1998, edição 494, tradução de Fernando Pessoa, Assírio & Alvim

(8) HORATIUS, Flaccus Quintus "Odes", 23 a.C.e 13 a.C.


03/08/2021

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