Sérgio B Vianna

Sérgio B Vianna

n. 1994 BR BR

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n. 1994-02-08

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O Rato

O roto rato 

Sujo de esgoto 

Perdido no desgosto 

De se ver tão morto. 

 

Mudaria minhas vestes

Trocaria minhas botas

Botaria do perfume 

Em que o cheiro fosse doce

Como sua alma que adoece 

Me entristece, 

Feito uma prece rupestre

Onde nada lhe apetece.

 

Mas aqui estou 

Diante de ti 

Ajoelhado pra ti 

Morrendo por migalhas 

De um amor cheio de falhas. 

 

Me alimente, por favor 

Já não aguento sentir dor 

Venho aqui dos confins do mundo

O rei do submundo 

Minha capa e meu escudo 

Soturnos como os buracos 

De onde saio, me parto 

Em direção ao fardo 

Que é confundir amor 

Pela dor de se fazer favor. 

 

Me perdoe pela pressa 

Se lhe faltei com a educação 

Mas este rato desgraçado 

Está cansado do asfalto 

Por onde patas se arranham 

Pelos que caem 

Amores que iludem. 

 

Se fui feito de teste 

Até onde poderia ir 

Saiba que morri por ti 

No momento em que a vi 

Agora, aqui 

Vendo-a sorrir 

Sinto suas mãos se fechando 

Ouço meus ossos se quebrando 

De meus olhos emana o pavor 

Por onde os lábios se perdem o calor. 

 

O corpo que desce 

Escorre e se perde

Pelas águas das ruas 

Onde as lágrimas das chuvas

Me guiam para o fim 

Indo para onde saí. 

 

Dali não deveria ter sonhado 

Em ser príncipe encantado 

Apenas um roto rato 

Onde amores verdadeiros 

Não mudam o que os olhos 

Enxergam por inteiro. 

 

Morto e sem dinheiro 

Largado ao desespero 

Amaldiçoado por teus beijos 

Onde apenas sonhei em meus anseios. 

 

Sábio aquele é 

Que sabe o que quer 

Sem esperar pelo amanhecer 

Onde o príncipe se muda por inteiro 

Um monstro sem valor 

Contigo por clamor. 

 

Nunca saberemos como seria 

O rato roto te amando 

Noite e dia. 

 

(O Rato, 03/05/2023)

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Poemas

14

Te Dedico

Dedico o meu tempo a alguém que nunca me amou, 

Seja em prosa, em música ou em letras maiúsculas, 

Gritadas pelas paredes ocas de meu coração. 

Coração, este em que guardo as piores delas 

Como em sepulcros soturnos, 

Por vezes aberto apenas como um desejo mórbido 

De lembrar de nós dois. 

 

Por onde andas tu?

Ainda omitindo, mentindo

Para quem lhe entregou seu coração? 

Ainda fingindo sentir, algo que seu frio reinado de gelo, 

Congelou e matou, para nunca mais se levantar? 

 

Por onde passa, seus amantes se tornam estátuas 

Impedidos de saber o que é amar. 

Um reflexo das traições que não apenas perfuram, 

Mas destroem e corroem as almas. 

 

Eu lhe entreguei minha vida, minhas promessas 

Eram sinceras. O meu amor não era de brinquedo, 

E por isso jamais seria quebrado, embora brincado 

Jogado fora, largado como um salto alto arrebentado. 

 

Como aquele usado na noite 

Em que o outro beijou teus lábios.

Os lábios usados nos meus, 

As mentiras usadas em meu ouvido. 

E eu acreditando, indo dormir com o seu 

“Te amo”. 

 

Ao partir, tudo que perdi foram 

Falsidades e o controle de você sobre mim. 

Não me deixando enxergar, 

Não me deixando lutar. 

Me mantendo preso ao que eu acreditava de você.

 

Hoje, não sei quem era. 

Para onde foi, ou para quem mente. 

Mas sei que nunca alguém amará como eu, 

Te entregará o corpo e a alma sem pestanejar. 

Sempre ali para te ajudar. 

 

Nem o pacto com o diabo custaria tão caro. 

Aliás, prefiro ele a você. 

 

Ao partir, você perdeu um amor de verdade. 

Ao partir, eu enfim ganhei liberdade. 

 

(Te Dedico) 

*Poema escolhido pelo concurso “Poetize 2024”, e publicado em livro físico pela editora Vivara Editora Nacional. 

191

No Crepuscular do Altar

No crepuscular do altar 

Sempre a te exaltar 

Em rimas mediúnicas 

Feitas através de runas. 

 

O nosso amor a me assombrar 

Como fantasmas no respaldar 

Me arrepiando as costas 

Tudo através de apostas. 

 

Se eu morrer primeiro, 

Volto para lhe tirar a dor 

Através do sopro de meu amor. 

 

Enquanto a lua subir

Estarei ao lado de ti 

Se minha silhueta lhe escapar 

Nada tema ao resplendor 

Pois estarei sempre ao seu favor. 

175

Me Exorcize

Quando chegar minha hora 

E colocarem gentilmente meu corpo

Num sepulcro escuro 

Em algum momento eu perfurarei a terra

E me arrastarei até você 

Sentindo das lágrimas que escorrem 

Pelo seu belo rosto pálido 

 

Mas serei frio como um pensamento ruim

Serei apenas lembrança de uma dor latente

 

Não tema das ondulações do tempo, 

E me exorcize com um novo amor. 

 

 

(19/10/2023, Me Exorcize.)

*Poema escolhido pelo Dia Nacional do Poeta, e publicado no perfil @sececrj, Secretaria de Estado e Cultura e Economia do Rio de Janeiro. 

186

Uma Doença Silenciosa

Os ratos que vagam por ruas escuras 

São trevas em capas de pelos 

As luzes amarelas das janelas 

Os olhos que já não tem lágrimas para chorar 

Por dentro, cada alma sofre em silêncio 

Em seu desespero mundano 

 

Estou em febre, morro aos poucos 

Sinto das mãos que tocam minha alma 

Desespero 

Sinto dos ratos que procuram uma saída de minha pele 

Dor, infinita dor 

Rolo de um lado para o outro 

Grito, mas a areia sufoca minha garganta 

Não ouço nada, pois meus ouvidos mocos 

Estão lascados pela escória do mundo 

 

Vejo duas sombras que andam 

Narizes imensos 

Anjos da morte 

Capas como asas 

Não batem senão para levar os vivos 

Olham para mim 

Tocam minha pele 

Querem-me vivo, ou querem-me morto? 

Talvez só mais um pouco… 

 

Os bulbos escuros que perfuram minha pele 

São os tambores que guardam minha dor 

Toda a minha febre são as repulsas dos pensamentos 

Que não consigo me desfazer 

O chapéu negro paira sobre mim 

A peste negra de quem se entregou 

Sem nem ao menos saber para onde vai

Um mar de fúria e escuridão 

Nem ao menos sei se estou no oceano ou a caminho do céu 

Os raios que caem são músicas doces que espantam minhas dores 

 

Percorra minha pele 

Quebre minhas maldições 

Hoje depositarei em poemas toda a minha febre 

Que a cavalaria da peste negra tanto clama por mim 

São os tímpanos sensíveis de patas suadas 

Ah, sim 

Patinhas suadas que coçam minha mente 

As vozes finas que percorrem minhas veias 

 

Um bulbo se estoura 

Mas é no silêncio da noite 

Os outros diriam que somos fracos demais 

Mas se somos fracos demais… 

Por que um surto se estende pela noite? 

Por qual motivo tanta peste negra habita nos corações perdidos? 

 

Somos um surto 

Que nasce de uma febre coletiva 

Mas este mal que nos habita 

Não é fraqueza 

A fraqueza veio dos ossos 

Os bulbos nasceram da falta de luz 

 

O nariz longo falta me bicar 

Tomara que seja rápido como um pássaro 

E que deixe para trás uma única pena negra 

Roubada do pouquinho de trevas 

Que não expulsei de minha alma 

 

(18/11/2023, Uma Doença Silenciosa) 

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