Mornas eram as tardes em que te amava, Entre cálidos beijos com sabor de verão. As brisas leves ao passar anunciavam Esse tempo, marco maior da nossa paixão.
Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar? Segundos correndo atrás de segundos... Não sabem dos amores que como o tempo, Transformam os corpos amantes em vultos?
Restou somente em nossas memórias, Um sonho que poderia ser eterno... E como doce lembrança, sobrevive, Ao gélido sopro do amor no inverno.
Mergulhei nesse mar, de águas multicores, Onde o salubre mescla-se com o impuro, Onde o canto confunde-se com o grito E onde a luz se perde na imensa escuridão.
E abracei o vazio, na tentativa da salvação. As palavras passavam velozes e ferozes, Destruindo a história e aviltando a memória, Invadindo o silêncio com seus grunhidos febris.
O que se tinha a dizer, não se disse. O que se disse, não deveria ter sido dito. Nasce na mente a percepção do medo... A insegurança do que o amanhã nos trará.
Sinto que o meu mundo se desloca, Na direção de um buraco negro qualquer. Do outro lado haverá o nada, o abismo infinito, Ou haverá a luz e conhecerei a verdade da vida.
E tenho a consciência de que o futuro, Deixou de ser apenas o nascer de um novo dia. Quando amanhecer não se verá o sol, mas uma nova realidade, E enfim, o início da verdadeira existência requerida.
Será a vã loucura o início de uma nova inteligência? Será que as portas se abrirão para que conheçamos enfim a justiça? Ou será que a justiça é apenas o sonho dos injustiçados, E não passa de um remédio, que se esquece quando cessa a doença?
Mergulhei neste mar de inseguranças e necessidades, Sem me dar conta da minha mísera condição humana.
865
Parece que foi ontem.
Todo garboso, a cavalo montado, Trajado a requinte e com todo glamour, Por varias vielas, estreitas, serenas, Ecoa seu canto, o trovador.
Moçoilas felizes debruçam às janelas, Pra ver e ouvir tão ilustre cantor. A dedicatória é toda pra elas, Nas trovas que contam em rimas, o amor.
Ah! Velhos tempos, quanta saudade, Da simplicidade, da paz em sonhar. Das coisas pequenas, da vida amena, Alegres serestas em noites de luar.
Havia beleza nos olhos atentos, Havia paixão no jeito de falar, Havia respeito, havia pureza, Havia romance bailando no ar.
Os anos passados, não vão mais voltar, A vida tem pressa em se modificar. Quem viu e viveu, levará na memória, Os tempos se foram... Restou a história.
1 054
Palavras vazias
Não existe a verdade pura, porque ela se perde na vaidade, na certeza da impunidade ou na esperança da imunidade. Não existe a palavra certa, porque não existe o vocabulário completo. Não existe o homem maior, porque inexiste o menor para que seja comparado. Não existe o caminho único, porque não existe uma só morada. Não existe um amor único, sem que exista uma obsessão. Não existe o amanhã, porque o relógio nunca para de marcar o tempo. Não existe o fim, senão para aquilo que teve um começo.
791
Introspecção
E fui me encolhendo, na introspecção de minhas solitárias reflexões. Fui buscando me encontrar, neste labirinto de significados, Desordenados, confusos, mal explicados, desconexos... Quão volúveis são as conclusões, quando nossos pés flutuam.
Fui me aventurando a traçar linhas de comportamento, Sem perceber que eles são construídos e modificados pelos momentos. E estes são construídos pelas ocasiões, quase sempre circunstanciais. A vida é a que temos agora, porque amanhã precisaremos construir outra que nos sirva.
E outra mais, mais outra e outra mais... A cada instante. Até o fim.
E fui entendendo que o amor é vício ou oportunidade, E que amar é uma necessidade que nos afasta da loucura. Porque a insanidade é o costume dos poucos E a razão é o costume da maioria.
E a maioria apenas vive, sem pensar.
773
Conflitos
E as lembranças chegaram alvoroçando aquela paz, como fosse a passarada saudando a chegada de um novo dia.
E o velho coração bateu mais forte, descompassando a monotonia da vida de então. Ah! Por que esses sonhos não nos abandonam? Estão mortos! O tempo os fez perecer e os lançou no abismo profundo do esquecer.
E já foram choradas todas as águas que existiam. Se fez sertão nas esperanças e a aridez tomou conta dos vastos campos onde plantávamos nossos desejos.
Por que essa semente de amor insiste ainda em germinar?
Quando escolhemos as pedras, perdemos o direito às flores. Hoje é cerrado, onde um dia foi mar. Hoje se espera tão somente o ultimo por do sol.
663
Ô Silva...
Ô Silva, fale com ele... Ele está sofrendo muito. Anda cabisbaixo, abatido... Percebe-se por sua aparência, Que na dor se sente vencido...
Silva, diga a ele, por favor, Que todo esse ardor, Todo esse calor, todo esse pavor, Que agora inunda sua vida, Tem um único diagnóstico... Silva: Isso é mal de amor!
Explique pra ele Silva, Mas não se demore demais, Porque nesse momento, Só mesmo a palavra amiga é capaz De acalmar o sofrimento.
Silva, todo esse tormento, Que afeta o seu viver, É porque vive a paixão, Que não poderia viver.
Ele a ama de verdade, Mas a reciprocidade, Não faz parte da história. E tudo o que ele sonhou, Não teve um momento de glória.
Silva, fale com ele... Não o deixe assim sofrendo. A dor de amor Silva, é fatal. Por dentro se sente morrendo.
691
Platonicus
Deixe enfim que te ame, Como um louco ama em loucura. Que te olhe ao longe passar, E esmoreça de tanta ternura.
E imaginando momentos. Tão nossos mas nunca existentes, Possa viver, de forma eloquente, A magia dos meus pensamentos.
Deixe que te abrace nas sombras, De um candeeiro a fulgir Unindo assim nossos corpos, Em um único existir.
E imagine o sabor de seus beijos, E o suave roçar de suas mãos. Deixe enfim que te ame, Mesmo que seja ilusão...
615
Ansiedade
Mais uma noite acordado, Eu aqui, olhos despertos...
Mais uma noite em que, distante dos sofrimentos, o que me mantém acordado, é também o meu alento.
Mais uma noite em que insone, meu peito explode em calor. Mais uma noite em claro, pensando no nosso amor.
Mas longe do sofrimento, sou somente ansiedade. Pois em plena consciência, Tenho sido só saudade.
Pois amor é agua vertente! Ninguém contém a corrente, Que nasce e jorra do peito e inunda a vida! Verdade!
Pois mesmo não sendo infinita... desagua na eternidade.
Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.
Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.
Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.
Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.
Meu caro poeta... JRunder - teus versos são muitos reais , como você escreveu - o amor é doado - aceita-o quem o quiser. parabéns. Ademir.
Solidão, liberdade e companhia propria.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Lindos poemas. Com muito sentimento.
De oásis em oásis, sobrevive a poesia. Um achado!
Um tesouro.
Tem algum livro editado com estes poemas?
Bonitos poemas.
Dificil saber qual o mais bonito.
Excelente! Parabéns por tanto sentimento exposto em forma de poesias.
Poemas incríveis, de uma melancolia dosada, amei, parabéns!
Grande amigo, com certeza . Aprende muito com o poeta!
Obrigado Gildo. Estou lendo suas postagens também.
Agradeço. Mesmo!
Parceiro, Seu comentário foi uma injeção de animo, me fez sentir importante. Muito obrigado e volte sempre. Jaime