A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

n. 1950 BR BR

Natural de São Paulo.Nascido a 07 de março de 1950.A poesia não é um potro selvagem que possa ser laçado e domado. Poesia é alma. Alma de passarinho.

n. 1950-03-07, São Paulo

Perfil
491 627 Visualizações

Alquimia do tempo


Mornas eram as tardes em que te amava,
Entre cálidos beijos com sabor de verão.
As brisas leves ao passar anunciavam
Esse tempo, marco maior da nossa paixão.

Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar?
Segundos correndo atrás de segundos...
Não sabem dos amores que como o tempo,
Transformam os corpos amantes em vultos?

Restou somente em nossas memórias,
Um sonho que poderia ser eterno...
E como doce lembrança, sobrevive,
Ao gélido sopro do amor no inverno.
Ler poema completo
Biografia
Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.

Poemas

291

A Paz


A paz pode ser apenas olhar o céu.
Pode ser o som do mar no quebrar das ondas, 
pode ser o voo do pássaro, 
pode ser a gota da chuva que cai e brinca ao desenhar no chão seco...
 
A paz pode ser um ombro abrigo, 
o calor de um abraço, o contágio de um sorriso, 
uma palavra amiga, aquela se ouve bem na hora certa...
  
A paz pode ser ficar, pode ser partir, pode ser um aceno de adeus
ou um agitar de mãos que querem dizer: Olha, cheguei, estou aqui!
A paz pode ser o caminhar inseguro de uma criança 
ou o andar apressado que quer chegar ao momento certo.
  
A paz pode estar no tempo, pode estar no espaço, 
pode estar na convivência ou mesmo na ausência. 
A paz pode ser branca, ou colorida quem sabe?
Pode estar vindo do sul, do leste, do alto 
ou bem do fundo, talvez do fundo da alma.
  
A paz pode estar no sim, ou não? 
O “talvez”, talvez nos dê mais tempo para encontrar a paz.
é... talvez sim, talvez não.
A paz pode estar na esperança de vida 
ou na espera da morte. 
Pode estar na sorte, pode até ser forte 
ou sempre apontar para o norte... Quem pode saber?
  
A paz pode conter, pode estar contida, 
pode ser indolor ou pode até ser doída, 
mas se for paz, ser desejada, querida...
Pode ser um caminho ou mesmo um fim, 
pode estar em você, pode estar em mim.
  
Pode fugir, correr, se esconder, 
tal qual o menino que brinca nas ruas, 
pode ser de alguém, pode ser sua, 
pode ser tudo ou até nada ser.
  
Pode ser encontrada, pode ser perdida. 
Pode ser odiada, amada, desejada ou mesmo desprezada, 
só não pode quando se tem, 
deixar de ser vivida...
1 892

Ela tem


Ela carrega no olhar,
O que poucas pessoas tem:
Um certo "que" de magia
Mística, como ninguém!

Tem no olhar penetrante
A espada, que mata o dragão!
E nos olhos tão profundos,
Um mundo de amor e paixão.

Reflete naqueles olhos
Um jeito mulher de ser.
A força de quem já sabe,
Quanto vale um bem-querer.

Ela tem nos seus cabelos,
O toque e o perfume das rosas.
Os fios encaracolados,
Que a deixam assim vaidosa.

O negro tom, tão sereno,
A torna linda, sem par!
Seu jeito assim, natural...
É de se admirar!
 
Dá vida aos seus cabelos,
O movimento das brisas.
Que reflete o frescor,
de sua pele, tão lisa.

Ela mostra no sorriso,
O brilho nascido no Sol.
No entreabrir de seus lábios,
As pétalas de um girassol.

E ela sorri tão lindo,
Que meu coração quase chora...
E por outro sorriso,
Pede, clama, implora!

Ela possui ao sorrir,
Um dom: transmitir a calma!
Deixa minha vida bonita,
E enternece minh'alma...
1 135

Por que?


Por que esconder aí dentro do peito
esta flor que desponta, criança ainda?
Por que não dizer, disfarçar desse jeito,
aquilo que cresce de forma tão linda?

Por que omitir, resguardar-se do que?
Nada é mais puro nesse momento.
Por que não viver, na totalidade
o mundo que explode neste sentimento?

Por que insistir em trocar toda hora
A beleza do sim, pelo escuro do não?
Por que negar ao mover os seus lábios
aquilo que vive em seu coração?

Por que não dizer, por que esperar?
Viver é tão bom, mas passa ligeiro.
Por que se calar  e ficar com tão pouco
Daquilo que pode ser seu, por inteiro?

Por que não falar, gritar para o mundo
Aquilo que quero, espero e reclamo...
Deixar escondida essa frase infinita, 
por que não dizer, simplesmente: Eu te amo!
624

Reflexões


Então disse: - Olá!
Foi um segundo que representou um século, uma existência.
Um simples aperto de mãos transmitindo toda ansiedade...revolução do íntimo...
Não era o normal, não era o casual, impunha-se o especial.
Pulsavam as sensações no peito, debatiam-se o sentimentos em uma mistura heterogênea de inquietação e felicidade.

Então disse: - Te amo!
Foram palavras que saíram do coração e se transformaram em brados ressonantes, em hinos, em gritos suplicantes...
Poder de querer e sentir, domínio da alma, paz do refúgio, corrente de águas límpidas que renovava a existência. 
O amor explodia, feria, rasgava, dilacerava e queria mais, muito mais...
 
Então disse: - Te quero!
Emoções incontroláveis que vibravam os pensamentos. Tormentos, desejos irrefreáveis e incompreensíveis.
Coisa de corpo, de pele, de estar, de sentir!
Desejos de posse, sonhos de ícaro, conquista do irreal, querer místico onde tudo é muito pouco...
 
Então disse: - Espere!
Torturas da vida, confusões de sentimentos, dificuldade  em compreender.
O ontem se sobrepondo ao amanhã e sufocando o hoje!Lembranças incontidas, lágrima da dor, morte das paixões...
O Eu avolumando no peito, dominando, queimando, reinando.
A dúvida de quem não soube, o caminho de quem nunca esteve...
 
Então disse: - Adeus!
Quase um sussurro, voz frágil e comprimida, tremor de mãos...
Sentido de vida que foge de si mesmo, esperança de acordar, anseios confusos de quem quase morre.
Encruzilhada criada pelo existir, pondo em prática o impraticável, determinando o indeterminável, solidificando o insolidificável...
Sentido de quem nunca foi...razão de quem nunca quis...
568

Destino


Não, por favor não me leves,
Não me leves, não me faças ir!
Assim suplicava a flor,
Me deixe, não quero partir.
 
Não  tires o  ar que respiro
Que brota aos pés destes montes,
Regados de frutos silvestres,
E a seiva que brota das fontes...
 
Eu amo este céu que vislumbro,
Do qual conheci cada estrela
Eu quero o clarão desta lua,
Pois nunca me cansei de vê-la!
 
Mesmo arrancada do solo
Que sempre me forneceu vida
Não quero deixar a paisagem
O verde da terra querida!
 
Não chore, assim respondeu
A chuva, que ouvia a flor.
Agora, pertences ao mundo,
Serás o remédio da dor.
 
Serás eterna, eu garanto!
E esteja lá onde for,
Sempre estarás entre nós,
No aroma eterno do amor.
1 164

Somos


Em que se sinta a relevante sintonia de pensamentos
Pelos quais e por muitas vezes nos confundimos em apenas um,
Restam guardados resquícios de desejos, não satisfeitos, natimortos,
Das frações do tempo que não desfrutamos em comum.
 
Por descuido, por dormência, até mesmo por costume,
Olhamos para o objeto, ignoramos o lume,
Ficamos apenas  absortos, perdidos em reflexões.
Preocupam-nos a existência dos fatos, preocupa-nos as procedências, 
Escapam-nos os motivos, despercebemos as razões.
582

Tarde em mim


Tarde, crepúsculo da existência
Por do sol das esperanças...
Nuvens douradas que demarcam os horizontes
e enfeitam o limite entre sonhar e viver.

Tarde, momento de reflexão,
Aviso de noite.
Tênue brilhar da luz da vida, 
expectativa de silêncio, espera de fim.

Tarde no coração, na razão.
Olhos fixos no espaço...
Linha já visível do limite do tempo.
Dia que ficou, lembranças das manhãs...

Tarde que traz as saudades de quem olha para trás.
Visão de passos desconcertados, 
Caminhos de muitas voltas, incertezas, ilusões...

Tarde, certeza de noite, incerteza de um amanhã, 
nostalgia, misto de solidão e calma.
Paz do realizar, fogo do desejar
Brisa que alenta o frio que congela a alma.

Tarde, alquimia das paixões, 
Brasas perenes do amor...
Promessa de cinzas...testemunha dos fatos...
Juíza implacável da verdade!
541

Saudade


Dor que meu peito invade, 
Angústia, ansiedade...
Tantas coisas se resumem
Em uma palavra: Saudade!

Saudade, dor por não ter
Não ver, não poder tocar.
Esse aperto no peito,
Que não tem como explicar.

Saudade, intensa agonia, 
Que inunda o coração.
É um querer ir embora, 
Que não justifica a razão.

Saudade, quanta vontade
Em fazer acontecer... 
Sentir, dentro do abraço, 
Aquilo que não pode ter.

Saudade, tormento da ausência, 
Que os sentimentos alcançam.
É morte, brincando de espera
É vida, buscando esperanças.
612

Sobrevoo

 
Eram  deuses no templo aceitando oferendas...
Eram  retas no espaço, sentidos opostos
Eram poses nas fotos, eram mares, eram rios...
Eram vidas unidas, eram mundos vazios...
 
Seja o gado estourado, seja a queda da água,
Seja o sol de amanhã, seja o pouco do nada
Seja o tudo do pouco, seja o quase do fim
Seja o são, seja o louco, seja um pouco de mim...
 
Tão distante do perto
Tão igual ao espelho
Tão real quanto incerto
Tão sutil... qual guerreiro...
 
Mostre a uva do vinho, mostre a pedra do tombo
Mostre o ramo do ninho, mostre o reio no lombo,
Mostre o não que consente, mostre o sim que proíbe,
Mostre a dor que se sente, mostre a mão que agride.
 
Segue o raio da luz, pegue a sombra da ave,  
Ouça o grito que dói, o fim da  eternidade...
Segue o instinto felino, seja a fome da fera
Siga em frente, caminhe, seja  a pedra que espera.
634

Tão somente, o amor.


 
Eu dei amor, eu sei
E mais do que poderia,
Foram anos de mera ilusão
Amei a quem não deveria.

E mergulhei na paixão,
De olhos vendados, no escuro.
Mas tampouco sabia, 
Que a perfídia existia...
Eu era jovem, tão puro.

Só que a vida, essa bandida, 
Guardava em seu coldre a insídia,
Arma letal, fulminante.
Fui seu alvo preferido
Aqui,  no peito atingido.
Um só disparo e os sonhos, 
Morreram no mesmo instante.

Não pode o amor, esquecer
Que a insídia é fatal!
A confiança, se cega
Mata o amor, que devia,
Ser para sempre! - Imortal!

E o que resta da vida
É o que teremos dos dias, 
Que intermináveis se seguem.
Dias onde a solidão, bate no coração, 
Mesmo que os olhos a neguem.

Ensino: cuidado com o amor!
Mesmo lindo é traiçoeiro!
Penetra em seu coração
e te possui por inteiro.

Não há defesa no mundo
Que possa impedir esse ataque, 
Pois é nosso coração,
O objetivo do saque!

O amor nasce lá dentro, 
Cresce e declara domínio, 
Toma este território
E nele constrói o seu ninho.

Passamos a ser prisioneiros,
Reféns desse sentimento...
Amor, doce amargura!
Amar, sublime tormento!
586

Comentários (21)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.