A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

n. 1950 BR BR

Natural de São Paulo.Nascido a 07 de março de 1950.A poesia não é um potro selvagem que possa ser laçado e domado. Poesia é alma. Alma de passarinho.

n. 1950-03-07, São Paulo

Perfil
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Alquimia do tempo


Mornas eram as tardes em que te amava,
Entre cálidos beijos com sabor de verão.
As brisas leves ao passar anunciavam
Esse tempo, marco maior da nossa paixão.

Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar?
Segundos correndo atrás de segundos...
Não sabem dos amores que como o tempo,
Transformam os corpos amantes em vultos?

Restou somente em nossas memórias,
Um sonho que poderia ser eterno...
E como doce lembrança, sobrevive,
Ao gélido sopro do amor no inverno.
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Biografia
Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.

Poemas

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Cascatas

Vem meu amor, abra a janela, o dia é lindo, 
Lá em cima o azul nos cobre, como fosse um véu.
E brancas nuvens , qual moldadas no algodão,
Imitando corações, enfeitam o imenso céu.

E passarinhos cortam esta paisagem, 
Para com cores seus olhos presentear...
Espalham o brilho que assim como miragem, 
Nasce bem fundo no fulgor do seu olhar.

Flores dos campos, ouvem dos ventos, murmúrios, 
São mil segredos e juras de paixão sem fim.
Que como eu sob a janela em  sussurros, 
Falo do amor que por você nasceu em mim.

Ao longe as águas de um riacho, em cascatas, 
Cantam a alegria que se esparze pelo ar, 
Meus sentimentos jorram como cachoeiras
E a seus pés meus sonhos vão depositar.

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Vendavais



Depois, quando cessarem os vendavais
E o coração puder sentir
Tão somente a brisa das manhãs,
É preciso ter a força necessária
Para reconstruir...

Quando tudo o que o vento jogou para os ares,
Pousar no chão estremecido e árido,
Será hora de recolher o que mesmo em pedaços,
Se precisará para o recomeço.

Porque a incompreensão, quando se faz tempestade,
Não se apieda dos acertos que adornavam a vida.
E vem com a força de um furacão, procurando alicerçar,
Em razões imaginárias, a vontade de a tudo destruir.

Mas a calmaria que se segue, permite que germinem as reflexões.
E as lágrimas do arrependimento as tornarão mais fortes.
Novamente se fará o azul no céu e nele,
Ainda se verão por tempos, prenúncios de novos vendavais.
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Essa pequenez.


E por vezes, acontece...
Estarmos em um lugar ermo, isolados do mundo.
Nada ou ninguém à nossa volta.
E não nos sentirmos sós.
Porque sabemos que existe quem se importe,
Quem se incomode, quem sinta saudades.
Existe um abraço à espera do nosso retorno.

E diferente quando por vezes, estamos rodeados de pessoas,
Mas nos sentimos sós.
Sós nos pensamentos, sós nos objetivos, sós no jeito de ser.
Estamos isolados daquilo que realmente interessa às pessoas.
Essa é a verdadeira solidão.

Quando você é uma obrigação, um compromisso.
Quando você pode ser deixado para depois...
Quando você por vezes, incomoda, não faz diferença.
Quando você não merece a atenção que poderia jurar merecer...

E dói muito essa pequenez, mesmo que não seja um abandono.
Dói muito sentir, que você passou...
Talvez um dia, você seja uma saudade. Talvez...
Talvez seja lembrado por algo que disse, de bom ou ruim.
Nesse dia? Será que isso vai realmente importar?
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Acontece...


E o amor acaba, assim ...

Vai se tornando pequenino, até caber dentro de um adeus.
E transforma em nada, tantos sonhos que eram tão nossos,
Tantas promessas, tantos planos, tantas ilusões.

E nossas mãos que abraçaram, apenas acenam.
Nossos olhos que brilhavam, deixam cair lágrimas incontroláveis,
Nossas bocas que beijaram, sussurram baixinho... Não vá!

E o adeus que acontece, nos faz imaginar que será apenas um: Até breve!
Um até logo, um até qualquer dia desses...
Até que o tempo venha nos ensinar o significado do eternamente.

E uma vida é tempo demais para esperar e muito pouco para esquecer...
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Prosa


Junto ao rio, que serpenteia
Um pássaro ainda gorjeia,
Embora não possa voar...
Vê o tempo, passando qual nuvens,
Que escondem o sol, que maroto,
Finge que não quer brilhar.

Ah! Vida, que essa vida leva!
Me leve pra outro lugar...
Quero ver as águas do rio,
Quando se perdem no mar.

Junto à árvore frondosa,
Uma morena formosa,
Vai ver o tempo passar.
Toma emprestado ao sol,
O bronze que doura sua pele,
O brilho que encanta o olhar.

Ah! vida que esta vida leva!
Me leve ao fundo do mar...
Quero ver as águas do rio,
Vivendo em outro lugar.
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Parto.

Nasceu de um raio de luz!
Foi um relance, um momento...
Se houve dor, sofrimento,
Não saberei responder.

Veio assim, tão de repente,
De forma quase inconsciente.
Tomou forma, criou corpo,
Carregava em seu escopo,
Muitas razões e porquês.

Trazia um recado. Um tema!
E na forma de um poema,
Disse em versos e rimas,
Tudo o que tinha a dizer.

Talvez tenha sido entendido,
Talvez sequer sido lido...
Mas ao poeta só cabe,
Sua alma transparecer
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Plantio


É...o tempo chegou...
Como passou depressa!
Terra tombada e adubada...
E o que foi que vc plantou?

Plantou desconfianças,
Desavenças, diferenças,
Plantou tristeza e dor.
Sufocou tanto a semente,
Que não deixou germinar,
A flor perene do amor.

Se hoje em seu jardim, brotam mágoas,
Você mesmo quem as plantou.
Plantou mentiras, descasos...
Desprezo você plantou.

Pensando só em você,
Plantou até traição...
Envenenou o jardim,
Matou a flor da paixão...

Hoje colhe indiferença.
E nada se pode fazer.
O tempo de plantar, passou.
Tempo agora, de colher.
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Divã


Olhar perdido no nada, apenas poeira no ar.
Retas e curvas da estrada, tudo ficou para trás...
Ontem parece distante, tanto quanto o amanhã,
Não se define o horizonte. É luz que se deita ao divã.

Pensamentos se avolumam, embaraçam-se na mente,
A dor é exclusividade. Pertence a quem a sente.

Só resta mesmo o caminho, que se cumpre a seguir.
Não se sabe do destino, de quem não tem pra onde ir.
A linha demarca a chegada. Apenas questão de sorte...
Alguns encerram a vida. Outros encontram a morte.
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Dá-me


Dai a mim, o que me pertencer.
Se for rancor, ceda-me um pouco do seu perdão.
Se mágoa for, ensina-me a ser melhor.
Dê-me o desprezo, se assim o merecer.

Sou hoje o que consegui ser,
Aprendi o que pude absorver da vida,
Tentei quantas vezes pude e  precisei,
Demorei talvez demais para entender.

Dai a mim, o que me for de direito.
A paz, mesmo que seja em sua oração,
A luz, que me guie nesta escuridão,
O amor, que busquei em cada ilusão...
 
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Mea culpa.



E por amar, me declaro,
Culpado! Senhores do júri...
Não sei se por força ou fraqueza,
Esse ato, cometi...
Disso, tenham certeza.

Embora não houvesse o dolo,
A culpa toda me cabe.
Não entra no mundo do amor,
Aquele que do amor sabe.

Deixe-me levar, eu confesso,
Pelo brilho de um olhar.
Deixei-me seduzir,
Por um jeito de falar.

Fui então me envolvendo,
E não tive nenhum cuidado.
Quando pude perceber,
Já estava enamorado.

Criei mil fantasias,
E um mundo de ilusão.
Não vi, o quanto sofria,
O meu pobre coração.

Se hoje ele me culpa,
O faz, com toda a razão.
Castiguei-o sem piedade,
Com o açoite da paixão.

Curvo-me agora à justiça,
Sequer peço piedade.
Pagarei pelo meu erro,
No cárcere de uma saudade.
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Comentários (21)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.