A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

n. 1950 BR BR

Natural de São Paulo.Nascido a 07 de março de 1950.A poesia não é um potro selvagem que possa ser laçado e domado. Poesia é alma. Alma de passarinho.

n. 1950-03-07, São Paulo

Perfil
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Alquimia do tempo


Mornas eram as tardes em que te amava,
Entre cálidos beijos com sabor de verão.
As brisas leves ao passar anunciavam
Esse tempo, marco maior da nossa paixão.

Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar?
Segundos correndo atrás de segundos...
Não sabem dos amores que como o tempo,
Transformam os corpos amantes em vultos?

Restou somente em nossas memórias,
Um sonho que poderia ser eterno...
E como doce lembrança, sobrevive,
Ao gélido sopro do amor no inverno.
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Biografia
Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.

Poemas

23

SAGA

Vida, que me viu nascer 

Dentro do seu abraço

Acolhido, protegido, amado, 

Seguro, nos nós deste laço.

 

Vida que me viu feliz

Que me fez acreditar

No futuro e assim, no amor

Em receber e doar.

 

Vida que me trouxe você

E assim, a felicidade.

Que me fez crer, por verdade

Na existência da eternidade.

 

Vida que hoje me traz

Por tantos mares cruzados, 

E me fez assim confiante,

Por tê-la aqui ao meu lado.

 

Vida que agora me entrega

O medo de chegar ao fim

O medo de tudo acabar

E separá-la de mim.

 

Vida que muito me deu

Vida a quem muito devo.

Deixar-me ou levar-me com ela

Hoje, é tudo o que desejo.

 

 

60

A teus pés

Curvei-me a teus pés.
Alma lavada por tantas águas passadas, que quebraram as barreiras do conhecimento 
e fizeram jorrar em corredeiras, cascatas e cachoeiras, a verdade límpida.
E esta salva, emerge, purifica, mas dói.
A dor do impensado, do vício que submete e amarra.
E reaprendemos a caminhar, mesmo que em passos trôpegos, mesmo que por caminhos desertos e desconhecidos.
Somos apenas o que somos, porque esta é a única verdade.
Não somamos títulos ou falsos testemunhos, pois nada irá mudar a natureza do que se fez.
Não se apagarão os caminhos percorridos ou mesmo se irão alterar o conteúdo do tempo vivido.
Esta é a verdade. Ela carrega em seu escopo o que deve ser dito.
Assim a tua palavra.
Assim o meu entendimento.

150

Uma flor qualquer

Jazia em um vaso sobre um pedestal de cerâmica no corredor de uma estação do metrô. 
Não era linda ou perfeita. Suas cores e contornos pouco chamavam a atenção dos que passavam. Estava lá havia anos.
As pessoas passavam, viam, tocavam e a esqueciam em seguida. Não era o tipo de flor que marcava sua existência. 
Era uma flor qualquer. 
Poderia ser de papel, ou de cera. Talvez tecido ou mesmo plástico. Quem sabe? 
Mas seria apenas isso, não tinha alma, apenas corpo. 
Um dia, a flor amanheceu exalando um aroma envolvente, suave, fascinante...
As pessoas agora paravam ao sentir esse perfume. Aspiravam deliciadas e começaram a se interessar em saber que flor era aquela, onde encontrar, como cuidar? 
Queriam possui-la também. O aroma trouxe alma e a flor e a fez notada e querida... 
E assim somos na vida. Flores. Inodoras ou perfumadas. Perfume é caráter, é interesse real, é dedicação, é respeito, é amor. Não importa quanto tempo dure uma flor, mas a saudade que deixar vai sempre nos lembrar de seu perfume...

93

Soneto ao desamor

 

Perdi-me em odes e exaltações solenes

Quando em louvores à sua existência,

Ingênuo fui e desapercebido,

Não preocupei-me com sua indolência.

 
Em ouro fiz o seu pedestal

Cobri de flores diversas, seus pés.

Lancei-me nas ondas de seu orgulho

Deixei afogar-me em suas marés.


Culpa minha, minha culpa

Se por amar, me fiz submisso

E assim, pecador me condeno.


Sorvi da taça, seu azedo vinho.

Embebedei-me com o seu desprezo,

Brindei à vida, com seu vil veneno.

155

Partirei, partirás...

Assim como as brancas nuvens que passeiam pelo azul dos céus, seremos levados pelo vento dos tempos, modificados em nossa aparência e divididos ou somados, sem contudo, perdermos a unidade de sermos aquilo que nos propusermos a ser até que a luz se apague e o vento deixe de soprar.

Somos o que somos, dentro do que nos cerca. Esse espaço limitado pelos arames que amarramos em torno de nós mesmos.

E qual é a grandeza disso, se existe um universo que não sabemos conhecer, se existe uma vida que não conseguimos explicar.

Partirei, partirás…

Se houver reencontro será de festa, de perdão e amor?  Caso nada mais aconteça, talvez façamos parte desse todo e do tudo que nos é desconhecido.

Afinal, o que nos objetiva que não sejam sonhos ou ilusões?
Não pensar no depois e viver o agora, deixando de lado opiniões e crendices que se apoiam no espaço vazio entre constelações e o medo do desconhecido futuro, além do que venha a significar as palavras “eterno” e “infinito”.

 

05 de março de 2026

142

Imortalidade

 

Eu vi que havia fulgor em seu olhar.

Um brilho ímpar que cegava minha razão e acendia meus desejos.

E ouvi mil anjos cantando em sua voz a melodia dos sonhos...

E por que não sonhar?

A que serve o travesseiro se não o abraçarmos nas noites, para afastar a solidão, 

A que serve o candeeiro se sua luz não nos redimir da escuridão, 

A que serve o amor, se não amarmos com plena e total entrega.

Que a vida reserve para mim o seu sorriso, 

Que o tempo dedique a mim a sua eterna companhia, 

Que o vento jamais me afaste de seu perfume, 

Que a magia da alquimia permita-me transformar toda essa minha paixão em sua total felicidade.

Que sejamos enfim, humanos imortais, caminhando pela vida...


Para você, Lenita

159

Voar... Voar...


Nascemos com esse maravilhoso poder: O de sonhar!
E como é bom dar asas à imaginação e poder voar, voar nos céus de um mundo onde o querer possa se tornar real. 
Sonhamos com o “logo mais”, com o amanhã, com o futuro distante, sonhamos com o talvez... 

Hoje, sonhei com você. 

No sonho chegava em casa, cansado, mas muito feliz. Chegava e era recebido com sua alegria contagiante, com seu sorriso encantador. Chegava e era acolhido em seus braços e sufocado por seus beijos. Chegava desejando nunca mais deixar esse momento de encantamento e paz. 

Hoje sonhei com o seu amor.

Um misto de delírios e emoções motivados por um querer profundo, sufocado por essa angustiante espera... 
E como é difícil sonhar com a incerteza de que esse sonho um dia possa se realizar.
Mas viver um sonho é abraçar uma forma de realidade, mesmo que ela exista apenas por momentos.
É imaginar que se é feliz, como talvez nunca aconteça. 
Sonhar acordado, mas entregue aos braços de um desejo imensurável, 
que nos faz suportar a vida
 e alimentar intermináveis esperanças.

111

Perdoe

 

Perdoe...

Se não fui o abrigo que imaginavas, se não fui tão forte e tão protetor.

Perdoe se não te supri a contento e não respondi de pronto a teus chamados e não fui enfim o ideal que imaginavas.

Não menti ao ser assim como sou, ao contrário, machuquei muito a mim mesmo tentando o tempo todo, ser o que nunca fui.

Só tentei, por amor.

Mas aprendi finalmente que amor não basta... Claro que não! Fui ingênuo demais.

O amor é vencido pela cobiça, pela inveja, pela prepotência, pelo ego, pela oportunidade.

Não cobro o amor que dei ou a compreensão que não recebi.Não cobro a aceitação impossível e tudo aquilo que me tenha feito falta.

Peço perdão, mesmo sabendo que nunca o terei e na verdade sequer espero conquista-lo.

Apenas o peço como forma de dizer que compreendo suas razões.

Mesmo que a vida insista em dizer que é mais feliz aquele que ama, a realidade prova que são muitas e diversas as razões que podem levar à felicidade.

A poesia de JRUnder

119

Um rio que morre

 

As lágrimas afloravam e como as águas de um rio que morre, o pranto lacrimejava seus últimos sentimentos.

Cascatas de mágoas que outrora arrastavam em turbilhões as roliças pedras do desespero, hoje mal se deixavam ver.

Mas precisava sentir, para poder acreditar. E precisava acreditar.

Somente deitando-se sobre o leito da realidade  tocaria o fundo da amargura

 e a tênue luz da sobrevivência se deixaria ver, indicando que o sol ainda brilhava.

E como é difícil a ascensão.

Os segundos se transformam em horas, o ar se rarefaz nos pulmões e a vida parece se esvair aos poucos.

A dor de um adeus, do nunca mais, do fim, do “para sempre”.

A incerteza de que existirá um amanhã e o hoje não será eterno.

Gira mundo...gira...

Chora céu...


 

183

E da voz, fez-se o silêncio...

Imaginei que meu olhar pudesse sussurrar aos seus ouvidos, 
um pouco deste mundo que guardava para nós.
Mas, meus pensamentos ficaram por todo o tempo,
abrigados sob o manto de uma individualidade inquebrantável,
construída por toda uma vida de espera.
E a voz do silêncio perdeu-se no vazio do momento 
e foram levadas pelo vento e atiradas contra as paredes inertes que nos cercavam.
E gritei pelas madrugadas afora, revelando este amor guardado a sete chaves pelo destino.

114

Comentários (21)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.