Adriano Teles

Adriano Teles

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Ataraxia


Acordo
Antes de ver a luz solar,
Clareia a minha cara a luz do celular
Imediatamente sou inundado
Submerso nessa realidade
Sem saber o que é falso ou verdade
Com tanta tecnologia
A vida foi perdendo a magia
O que antes aproximava
Agora distancia
vicia

Hoje, todavia
Não quero saber de nada
Nada além do que não posso tocar
Fico com o concreto, o tangível
Por mais que pareça impossível

Cansei
de me preocupar
de tentar me antecipar
ao que não posso alterar
A vida é o aqui e o agora
Mas o dispositivo me transporta
Faz com que o tempo eu não perceba
Rouba minhas horas
E ainda tenho de lidar com o fato
de ser, ao mesmo tempo,
a vítima e o autor
Quem será o júri?
A pena já cumpro

Tivera eu nascido
Algumas décadas atrás
Quando amigos eram encontrados,
e não adicionados
E notícias vinham em folhas de jornais
Quando pessoas eram mais
que a mera ideia delas
E abraços não eram virtuais

Hoje, no entanto, não vou acelerar
O trem veloz pode passar
Permaneço nesta estação
Resistirei a essa maldição
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Poemas

3

Rumos

Que idiotice é essa,

de dizer que nunca desiste

de algo que começaste?

Que, uma vez tomada a decisão,

deve-se ir sempre até o final?

Qual o problema de, iniciado um projeto,

passar uma borracha e mudar todo o guião?

Por acaso te equiparas a um trem desgovernado

incapaz de parar ou de tomar nova direção?

 

Diga-me (agora!) que mérito há

em persistir numa trilha

cujo destino já não te agrada?

Se tua sina é de constante mutação,

por que teus desejos e teus sonhos

também não podem sofrer alteração?

Não notas que o que antes te movia

Tornou-se grades de uma prisão?

Até quando confundirás perseverança

com tua falta de esperança?

Vai, tu és teu próprio capitão!

Aponta tua proa, escuta teu coração!

 

Epahei Oyá!! Deixa essa ventania te guiar!

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Soneto da Circunspecção

Tua personalidade invectiva
Outrora gozava da prerrogativa
Da minha paz infringir
Do meu sossego atingir
 
Tua forma de velar meias verdades
De ocultar infame imbecilidade
Outrora me provocava furor
Agora,  atesta teu próprio desamor
 
Ah! Quantas vezes me intoxiquei!
De ódio, chorei e me inebriei...
Com o veneno da tua ironia ofídica
 
Mas aprendi que a energia é fluídica
E o que em mim não repercute
Tampouco altera meu azimute.
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Soneto da Metanoia

Desde o nascimento, teu destino é ser herói

Cair e levantar, paladino que destrói e reconstrói

Por mais que possas ser negligente ou indolente

Com o vulgo só te podes confundir erroneamente

 

És filho de Rei, sabes que não pertences à plebe

Mas quem és tu? Será que tu mesmo te percebes?

Vitorioso e ingrato, numa singela barca saíste de Creta

Aquele que a Atenas chega, chega de forma discreta?

 

Acaso abandonas tua essência pela matéria que te compõe?

No labirinto no qual te encontras, quais as tuas aspirações?

Com Dante, vistes Dionísio e Alexandre no Rio de Sangue

 

Transforma-te ao longo, mas lembra que a vida é bumerangue

Quais memórias e valores o teu fio de Ariadne pressupõe?

Tua vida é eterno duelo no qual vícios e virtudes se contrapõem.
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