Lista de Poemas
LIVRO ABERTO
Inundaste
minha casa
de estrelas
Muito para além
da madrugada
das palavras
Fizemos delas
um livro aberto
de emoções e afetos
onde as andorinhas
se aninham
em seus beirais
e quando a tarde chegar
Fechamos as persianas
do saber
e gritamos
bem alto
nosso amor
1 680
PORQUE O SAGRADO EXISTE
Invento-te
a cada segundo
do meu corpo
porque o tempo não pára
Celebro-te
em cada respirar
da minha saudade
porque Deus me ensinou a amar
Beijo-te
como seara ao vento
transformada em pão
porque estou faminto de ti
Amo-te
em cada sonho
porque o sagrado existe
e num orgasmo uno de paixão
subo aos céus em teu templo nu
Desço
à dura realidade
e sorrio
porque
cada sonho meu
é
um pedaço de TI
1 541
A SAUDADE É UM SONHO ACORDADO
Deitei-me sonhando...
abraçado à saudade
.....................
que teima em queimar
este meu peito
cor de sol
poente
.....................
Nasceu...
e crescendo
ganhou raízes
instalando-se
por todo meu corpo
respirado
.....................
e sonhando...
acordei
em novo amanhecer
com a saudade
a morder-me
os olhos
a dilatar-me as veias
e sair-me
pelos poros
.....................
inundando meu quarto...
em convulsões...
e lágrimas
de pranto
abraçado à saudade
.....................
que teima em queimar
este meu peito
cor de sol
poente
.....................
Nasceu...
e crescendo
ganhou raízes
instalando-se
por todo meu corpo
respirado
.....................
e sonhando...
acordei
em novo amanhecer
com a saudade
a morder-me
os olhos
a dilatar-me as veias
e sair-me
pelos poros
.....................
inundando meu quarto...
em convulsões...
e lágrimas
de pranto
1 763
SONHO
Vejo-te do espaço
no teu espaço
espaço de mim
Defino o teu mapa
Nossa dimensão diminuta
Quero voar
mas o medo
cega-me
desta visão
avassaladoramente
instável...
Vejo-te do espaço
no meu espaço
espaço de ti
Defino o nosso mapa
preciso e claro
Deixo-me ficar
em órbitra
cega
com a visão
de minhas próprias
mãos...
Meu corpo plana
entre meteoritos
e lixo espacial
Ouço murmureos
de extra-terrestres...
No teu espaço
espaço de mim
o teu mapa
No meu espaço
espaço de ti
o nosso mapa
1 586
SOPRO FINAL
Minhas mãos são roseiras bravas
que colhem lágrimas de sangue
em meu rosto
Meus olhos são penumbras de ti
envoltos em névoa parda
E o meu cérebro recusa-se a pensar
no silêncio das profundezas do oceano
das palavras não escritas
em que navego à deriva...
Minha dor
abafa o meu grito
como golfinho ferido
Intenção vã
de o salvar da tempestade
anunciada
Meu sorriso
já não é o mesmo
ao aproximar-me das falésias
de escarpas famintas
onde cada gaivota espera
o meu sôpro final...
1 691
QUE ESTRANHA FORMA DE VIDA
Acordei só. Sem uma palavra tua e a manhã nasceu mais triste com sombras e penumbras em redor de mim.
Tateando, coloquei um cd de blues no leitor. Fechei os olhos. E senti as grilhetas dos campos de milho, algodão e cana do açúcar. Não sou negro, mas sou escravo de uma outra época. As correntes do Mundo Global e Virtual.
Preso por sentimentos de bites recebidos, enviados e reencaminhados. Sem cor. Como o Blue.
Acendi a luz para pintar a manhã com cores de arco-iris e troquei o blue pelo fado. Como são idênticos. A mesma tónica. O lamento encapuçado. A liberdade rouca e pouca. Olhei para meu corpo marialva. Nu.
Acorrentado pelo meu fado. O fado da manhã. Da tarde de todos os dias. Das noites de mim e de ti.
Apaguei a luz incapaz de pintar o quadro devido à falta de pigmento em meus olhos.
Vislumbrando pelos poros da pressiana um pouco de azul pálido, abri a janela à fatalidade do ser português.
Comecei então a esculpir o dia numa mistura de fado e de blue.
Na sequência do dia veio inevitavelmente a escuridão.
As minhas mãos são os meus olhos. A ausência de cor cegou-me.
1 652
VIDA INTERROMPIDA
O cheiro das camélias
e dos jacarandá
na minha cidade
na minha rua
à porta de minha casa
já não são os mesmos...
Uma serra degoladora
fez defuntas muitas árvores
e dos jacarandá
na minha cidade
na minha rua
à porta de minha casa
já não são os mesmos...
Uma serra degoladora
fez defuntas muitas árvores
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VASOS COMUNICANTES
As palavras que não disse
e que ficaram presas
verticalmente
na minha garganta...
como se isso fosse possível...
tal estendal de roupa
com peças sonoras
repetidas...
convenientes...
doces
amargas
coniventes...
anjo ou demónio...
cordas esticadas
e dilaceradas...
como um piano
Vocais
sempre a circular
num movimento
contínuo...
Penso...
e nada digo
o sangue
a palavra
o sangue da palavra...
sempre.
1 876
EFETIVAMENTE
Gosto das fontes
e das imagens
do mar
e dos rios
da água cristalina
que hà em TI
Do orvalho
pela manhã
das nargaridas
a sorrirem
do pão fresco
no forno
do cheiro de TI
Gosto do saltar
das rãs
do gato
a espreguiçar-se
do nascer do Sol
dos nenúfares do lago
reflexo de TI
Dos teus beijos
e abraços
do teu cabelo
dos olhos doces
corpo molhado
Gosto de Ti
......................
e também da Lua
que habita em TI e em MIM.
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CAMINHOS DO SILÊNCIO
Vou por caminhos desconhecidos
à procura de silêncio e flores...
que aconpanhem meu corpo híbrido
na noite suave...
escura
mas só ouço ruídos
no rastejar da minha consciência
adormecida.
Colho espinhos...
na beira de veredas já velhas
pelo passar do tempo
identifico-me
com elas.
Eles, os espinhos...
são o meu pão amargo
e doce...
que me alimenta as horas...
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