Alberto Secama

Alberto Secama

n. 1978 AO AO

n. 1978-03-03, Angola

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PERGUNTEM AO PRUDÊNCIO

Perguntem ao Prudêncio Vital de Lemos
Crudelíssimo capitão do " Feliz Destino "
Se para tanto, o que foi que lhe fizemos?
Se não, por que ousou ser desumano?

Perguntem ao Prudêncio Vital
Crudelíssimo capitão
Se para tanto mal
Qual foi a razão?

Perguntem ao senhor Prudêncio
Crudelíssimo capitão de navio
Se ao invés do fundo do mar
Os 39 não mereciam outro lugar?

Alberto Secama 17-Ago-18


Nota: De todas as viagens do navio negreiro Feliz Destino, a mais mortal foi a de 1821, conduzida pelo capitão Prudêncio Vital de Lemos; dos 416 escravos colhidos a força no oeste de África, apenas 377 chegaram
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Poemas

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ZILLAH AO ENCONTRO DE ZAMBA

Em Charleston, era grande a saudade
Que Zamba, de Zillah sentia
E nas margens do rio Congo, dia após dia
Sentada, Zillah esperava vê-lo de volta

À noite, deitada, imensa era a falta
Que Zamba, seu amor, tanto lhe fazia
Por isso, uma coisa apenas dizia:

" Se d'América, o navio que chegar
Eu juro, hei de m'entregar "

Ao ver atracar " The Hunter "
Proveniente do estado da Carolina
Zillah, sem medo, em surdina
No porão foi se esconder

Por entre o vasto amontoado
Do lastro a base de ferro
Naquele porão bué fundo
Bastou num velho estrado
O prego saliente, e o cheiro a esturro
Para fazê-la suspirar "ah, que lugar imundo!"

Em Charleston, como ígneas chamas
Rápido s'espalhavam as notícias
D'embarcações prestes a chegar
E Zamba foi também, ver as almas
Todas negras de quantas agonias

Fatigadas da sempre difícil travessia
Do porão, à granel, a carga viva saía
Quando em alto sôo
Do fundo uma voz ele ouviu:
- " Zamba, meu amor! "
E num salto, qual vôo
O vendaval d'emoções qu'ele sentiu
Naquele abraço tão forte
Foi mesmo uma grande sorte

Alberto secama 21-Ago-18
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BÂTEGA

Às escâncaras
O céu cinzento e falto de vergonha
Dá espirros esganiçados
E sobre o zinco dos casebres
Especados no chão da montanha
Cai arrogante, a bâtega
Impregnando dáacrimoniosos vapores
Até à pulverulenta substância do solo

Depois dáoligarca bâtega
Com o medo que está agora
A atmosfera humedecida
Até quando essa vida
Misérrima e cheia do que só apavora?


Alberto Secama 14 de Agosto de 2015
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