Para sempre
É possível que quase tudo pode se acabar,
Mas esse amor ainda estará guardado
Como uma força que nunca irá se findar
Até a consumação do meu ser sincero e enamorado.
Para sempre permanecerão as suas memórias,
Reinando num lugarzinho secreto do meu coração...
Para sempre os nossos momentos de glórias
Fecundarão a minh'alma com a sua reverberação.
E as suas fragrâncias para sempre ficarão
Descansando em algum recanto do meu ser
Grato pelas alegrias sentidas que se perpetuarão.
É possível que tudo aqui pode envelhecer,
Mas esse amor eu lutarei para a sua preservação
Mesmo quando, como o dia, eu vier a desvanecer.
Ser sábio ante o inevitável
Eu aprendi a encarar com certa ousadia
A face ameaçadora do abismo do inevitável,
Vivendo sobre a aridez de um deserto inexorável
Que me fortaleceu numa angustiante travessia.
Eu aprendi a amar a solidão num dia cinzento
Sem nutrir anseios tão inacessíveis
E nem me desesperar por pessoas incompreensíveis.
É a certeza da morte o meu estranho alento...
Hoje não me atormentam as doces lembranças,
Pois aprendi nesses dias chuvosos a não me lamentar
Ante um passado florido de ilusórias esperanças.
Hoje certamente aprendi a não me abalar
Com as incertezas nesse mundo envolto por mudanças,
Só aprecio a crua verdade que sempre há de me libertar!
Possibilidades
Poderia em átimos de segundo tecer mudanças,
Dessas que marcariam para sempre a minha história...
E assim, semearia as flores noturnas das lembranças
E a consciência sobre uma consequência peremptória.
Poderia cair rapidamente nas encruzilhadas do engano
Através de uma decisão terrivelmente precipitada;
Em seguida, sentiria o remorso mais profano
Como quem se envergonha de sua vida desvairada.
Poderia viver de profundas mágoas em vez de perdoar;
Poderia então resolver com gesto de altivez não abraçar
Aquele que eu deveria plantar sementes de amor.
Poderia optar pela morte e não pela plenitude da vida,
Acreditando que toda a minha dor sentida
Também pudesse ser aniquilada sem qualquer temor.
As nuances da tristeza
Vejo tristeza na alma de uma inocente criança
Deserdada de amor, sonhos e perspectivas.
Vejo tristeza no semblante de quem nunca alcança
O verdadeiro sentido entre tantas tentativas.
Vejo tristeza por trás dos teus belos olhares;
Vejo tristeza nas entrelinhas do teu sorriso refulgente,
Espargindo uma fragrância de ternuras salutares,
Ao mesmo tempo irradiando uma luz tênue e reticente.
A minha tristeza é ver que o espectro da tristeza
É ainda mais intenso nos corações sensíveis,
Nos corações inebriados por sua brutal aspereza.
Sinto tristeza ao contemplar as canções mais incríveis,
Aquelas canções que me edifica com a sua beleza,
Fundindo melodias de tons melancólicos e aprazíveis.
Oración de Alabanza
¡Yo te alabo, excelso redentor, fortaleza de mi vida!
¡Yo te alabo, estrella de la mañana, rey de la equidad!
Tú eres hoy y para siempre serás la luz que prodiga
¡La esperanza para un ardiente sueño de libertad!
Todo lo que existe, lleva tu esplendor;
Todo lo que existe, surge a través de tus ordenanzas
Que de la nada produce bellas creaciones con amor
Y en nuestras almas una lluvia de bienaventuranzas.
Quiero que tú seas todos los días mi guía,
Quiero que tú me enseñas a tener lecciones de sabiduría
Para refulgir en mi ser tu gracia preciosa.
Quiero que tú seas, cuando yo viniere a desfallecer,
Una firme fundación que siempre me has de fortalecer,
¡Sembrando en mi ser tu verdad maravillosa!
Livremente
Livremente sonhei com o refrigério do amor
Descortinado em dias tristes e nublados;
Mas houve dias em que senti uma lancinante dor
Enquanto livremente bebia no cálice dos enlutados.
Submergindo na lírica dos poetas apaixonados,
Nutri esperança em dissolver o fel do amargor;
Então, livremente sonhei com o refrigério do amor
Descortinado em dias tristes e nublados.
Livremente, plantei sementes de alento com primor,
A fim de fazê-las crescer na alma dos desamparados;
Nas trevas prolongadas sob as ameaças do temor
E nos dias de sonhos e desejos lacerados,
Livremente sonhei com o refrigério do amor.
A inexorável certeza da morte
A morte desfaz nossas ilusões mais evidentes
E diante dela todas as inseguranças evanescem;
Vivemos, enquanto os sinais do tempo aparecem,
Em despedidas irreversíveis e frequentes.
A vida é uma chama tremulante e incerta,
Enquanto a morte: inevitável é a sua aparição!
E ao olharmos lacrimosos à imensa constelação,
Ínfimos nos sentimos com a nossa alma desperta.
Amar é o objetivo mais elevado da existência,
E a maneira de sermos guiados pela luz da eternidade
É enfrentando a morte com esperança e sapiência.
Sem a consciência plena de nossa mortalidade
E sem o sonho de uma vida em perene permanência,
Quão absurda é uma vida resignada na fatalidade!
Flores da inocência
Nesse mundo caótico e decaído,
As flores da pureza e da inocência fenecem;
Mas ainda assim há um manancial renascido
No íntimo dos que pela fé em Deus se fortalecem.
Nessa era sombria, anuviada pelo engano,
As flores escassas da inocência
Sempre brilham como jóias no triste quotidiano
A fim de irradiarem uma doce cadência.
Quanta pureza e inocência há no brincar
De um gatinho serenamente despreocupado,
Sempre impulsionado pela ânsia de durar!
Quão francamente singelo é o homem habitado
Pela pureza de uma criança com o seu imaginar
Ao ser sempre guiado pela inspiração do elevado!
Nostalgia
Há lembranças marcantes e remotas
Que produzem ecos no mais abissal do ser,
Ecos que fazem uma alma nostálgica reviver
Enquanto expressa as mais inusitadas anedotas.
Há experiências intensas que não esperamos
Mais dar cores e vida às suas fragrâncias inebriantes;
A não ser que em devaneios melancólicos e sussurrantes
Redescobrimos os arcaícos valores do que silenciamos.
Reacendo pela fantasia tudo o que foi por mim semeado,
Assim reencontro o tênue cintilar daqueles tempos idos,
Ressoando boas lembranças para o meu ser apaixonado.
Todos os momentos foram por mim colhidos,
Tal como uma colheita de flores do que jaz guardado
Pela memória a fazer despertar dias adormecidos.
Sonhar novamente
Nos momentos de uma inesquecível solitude,
Faço florescer a rosa dos meus sonhos
Enquanto clamo por uma luz de plenitude
Na escuridão dos meus dias mais tristonhos.
No curso de uma vida de angustias lancinantes,
Luto para que os sonhos possam reviver
Esperanças de alvoradas marcantes
Por onde a minh' alma consiga se fortalecer.
As saudades são revividas no reencontro sincero
De duas almas que se amam profundamente;
Assim também são os sonhos em que persevero
Para concretizá-los enquanto bebo na sua nascente.
Como um triste vale de ossos ressequidos
Passíveis de reviverem pelo amor de Deus,
Os mais belos sonhos um dia perdidos
Renascerão como a fé excelsa dos profetas judeus.