ale_nogueira

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n. 0000-00-00, São Caetano

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A gênese de uma grande vitória

Quando tudo parecia para sempre perdido;
Quando todos os sonhos haviam naufragado
No poço da desesperança de um dia odioso e sofrido,
Uma nova história surgiu para um homem injustiçado.

Quando a covardia mais feroz
Vinha para devorar a liberdade de amar;
Quando qualquer alegria já se tornava sem voz,
Um caminho surgiu para uma vida tirada do seu lar.

Deus já havia preparado um destino glorioso,
E fez de José em terra pagã um ser tão vitorioso
Para salvar até mesmo quem quis impedi-lo de viver!

O perdão então brotou das profundezas da dor,
Trazendo uma alvorada de esperança e amor
Para um povo destinado como seara a florescer.
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Poemas

62

En una tierra estraña

Vivo en una tierra extraña,
Una tierra llena de tanta gente
Inalcanzable y incomunicable
Que ya intenté con más fuerza acercarme.

¿Es posible romper las líneas divisorias
Que separan a los hombres
Cuando casi todos duermen
En una agitación desenfrenada?

Vivo un sueño a más para no morir
En las tenieblas de las desilusiones
En eses días tan oscuros
Poblados de miradas vacias.

Vivo una peregrinación casi interminable
En ese desierto cuyas olas extremas
De frío y calor son indiferentes
A un corazón sensible y oceánico.

Vivo mis mejores alegrias y divagaciones
En los cielos cenizas de una ciudad grande
Para sentir el gusto de nuevas emociones
Y el sabor de las dulces passiones.

Hay días floridos que encuentro ganas para luchar...
Al despertar en sueños hermosos, empiezo
A perseverar con más fuerzas y sin temores
Para alcanzar un nuevo aliento de vida.

Soy un estranjero que, en ese exilio,
Ya no habla la lengua
De la mayoría de los hombres
En sus preocupaciones más frívolas.

Mis bellas alegrías y mis profundos amores
¡Son tan intensos en mi corazón!
En un último sorbo de vino, siento
La soledad en mis largos entusiasmos.

Así es como tengo levantado
Mis cimientos de esperanza
En esta tierra extraña que está llena
De tanta gente inaccesible y incomunicable.
218

Alvorada

O dia mostra o seu sublime esplendor
E a vida com todo o seu perfume e cor
Ressurge em cânticos diáfanos de alegria,
Anunciando uma paz que tão bem contagia.

Uma revoada aplaude sem esmorecer
A beleza de um glorioso amanhecer
Com o seu louvor doce e harmonioso,
Semeando gratidão num tom majestoso.

No oceano, desponta o azul em sua calmaria...
No horizonte, já se vê um clima de nostalgia:
Um fascinante convite à liberdade de sonhar!

É nesse panorama idílico que a alvorada
Vem então reinar numa alma entuasiasmada
Que sai de uma longa noite para se renovar.
152

Paradoxos

O meu coração é um túmulo aberto de segredos...
As saudades, as memórias e as antigos sonhos
São revisitados enquanto bebo na nascente
Das mais perfeitos devaneios e inspirações.

Num turbilhão de sentimentos contrastantes,
Aprendo a cada dia conviver com tantos paradoxos...
Em meio a esse caos, navego sem pestanejar
Pelos mares ignotos do meu ser...

Como permanecer com as antigas certezas
Quando descubro profundamente quem eu sou?
Como ainda posso me manter indevassável
Quando me deparo com os abismos da minh'alma?

Eu sou como o mar sereno que, mesmo na sua calmaria,
Repentinamente se transforma em colossal tormenta.
Percebo que em mim a paz e a guerra se mescam,
Formando uma totalidade estranha e complexa.

Eu sou como o azul do céu que, mesmo azulado,
Pode se revelar estranho, soturno e acinzentado.
Em mim, há exultação, onirismo e paixão pela vida;
Mas também melancolia, lutos e angústias no coração.

Eu sinto despertar em mim um ímpeto de lucidez
Que me faz ter uma desconcertante percepção
Dos tesouros enterrados no meu coração
E das minhas aspirações em incansáveis renovações...

Eu vivo com a certeza das minhas incertezas
E em tranquilidade com as minhas terríveis inquietudes.
Eu sou uma profusão de paradoxos apenas admissíveis
Para quem sabe degustar o vinho inspirador da poesia.
132

Um dia glorioso

De um coração generoso e benevolente
Emana uma fragrância rara e dileta
Capaz de subir aos céus
Como sinal de louvor ao nosso Criador.
De um coração grato só pode promanar
Gestos inimagináveis e singelos
Que nunca devem ser esquecidos.

Maria, irmã de Marta, como fostes criticada!
Mas hoje és lembrada como uma mulher bendita
Por teres derramado sem medo de represálias
Um unguento precíosíssimo de nardo puro
Vindo de um delicado vaso de alabastro
Sobre os pés e a cabeça de nosso ungido
Em sinal de reverência, amor e sinceridade.

Demonstraste um coração irrepreensível
E com o teu próprio cabelo
Enxugaste os excessos desse excelso perfume
Preparado para um dia tão glorioso!
Apesar de ninguém compreender
A cerimônia sacrificial e o seu gesto verdadeiro,
Recebestes elogios do Rei dos Reis!

Um cheiro surpreendente invadiu o ambiente,
Num claro sinal de adoração sincera
Perante aquele que sonda os corações
Com os seus segredos mais incognoscíveis.
Assim também devemos fazer
Em nossos modos de ser e de viver
Na ânsia de somente agradar ao nosso redentor!

Enquanto o vil usurpador só via a oportunidade
Para obter lucro com a venda
De algo tão nobre e valioso,
Tu compraste o frasco mais caro
Do perfume mais raro e deleitoso
Para dizer o quanto amavas
O teu Deus te todo o coração!

Todos a julgaram como se fosse
Uma desvairada sem saber o que fazia.
Judas resmungava e a cobria talvez de impropérios
No mais visível e no mais recôndito do seu ser...
Mas tu não se intimidava:
O teu amor foste o mais corajoso
Entre tantos amores de fachada!

Quantos buscam aplausos
Tão somente de pessoas indiferentes a verdade!
Todavia, quão poucos são aqueles
Que dasagradam o mundo ao seu redor
Para agradar ao nosso majestoso Pai da criação!
Bem-aventurados aqueles que não vendem
A verdade santa em prol das migalhas desse mundo!

Tenhamos, pois, um coração nobre
Como essa mulher na sua simplicidade!
Que sejamos como uma fragrância preciosa
Aos olhos de nosso Salvador!
Que possamos exalar o bom perfume
Do amor e da verdade que provém
Tão somente dos bons frutos do espírito!
126

Na torrente do devir

Outrora eu era de tal forma, e hoje já não sou mais...
E o que sou hoje, amanhã enfim deixarei de ser...
Embalde eu vivo para amanhã evanescer
Na torrente do devir sob seus instantes finais.

Às vezes, bebo um fel de insatisfações quase fatais
E todos os dias me consumo em desejos de viver
Eternamente sob a verdade que me ajuda a fortalecer
Como uma nau ancorado num seguro cais.

Vivo em mm sensações de despedidas frequentes
Dos que me cativam com as suas auras envolventes
E também dos momentos prodigando doces emoções.

Meu existir nesse mundo é uma estranha passagem
Como a de um peregrino em sua inaudita viagem,
Ávido de descobertas, respostas e transmutações.
133

A paz que eu busco

Eu busco a paz de quem semeia
A verdade maravilhosa do amor;
Eu busco a paz de espírito
Que me torna uma pessoa mais livre.
A paz é a canção que eu entoo no meu íntimo;
A paz é a poesia mais preciosa
Que tenho prazer de compor com esmero.
A paz, ainda que o mundo não a dê,
É a terra fértil de um outro reino onde busco me refugiar
Para viver além das aparências do mundo visível.

Eu encontro definitivamente a paz
Ao deixar a palavra de Deus lavar
Com o seu orvalho as amarguras do meu coração.
Eu a encontro quando, nas guerras da vida,
Recobro forças para não desistir
E extraordinária alegria para não esmorecer.
É a paz o meu estado de espírito
Quando consigo, mediante a fé,
Alçar as minhas asas de inspiração
Na compreensão dos sentidos da arte sublime de viver.
226

Uma palavra extasiante

Deixei ecoar uma palavra de redenção
Que vibrou até nas minhas entranhas
Para dar, como chuva temporã, a minha consolação
E para me livrar de ideias infundadas e estranhas.

Senti no meu íntimo o êxtase dessa palavra gloriosa,
A qual encheu de alegria o meu coração.
Nela, há uma sabedoria imperiosa
Contra os sutis perigos que só levam à destruição.

Foi daí que surgiu em mim uma necessidade
De descansar os meus sonhos
No seu aconchego procedente da eternidade,
Cuja paz me fez triunfar sobre os dias enfadonhos.

Hoje eu reconstruo o meu viver
Com a redenção vinda dessa palavra inesquecível.
Ela é um presente dos céus para renascer
Na minha existência uma luz invencível.
74

El poeta

El poeta con su lira invisible
Es aquel que sabe cantar
Las melodías de su corazón
Y las esencias de las cosas que contempla
Con hermosas palabras que exprimen
Una profusión de secretos inefables.

El poeta es quien sabe vivir intensamente
Los dolores, las vicisitudes, las victórias
Y las alegrías de la existencia
En todos sus matices y tonalidades
Hasta descubrir el mejor de cada experiencia
Y hacer arte sobre cada lección aprendida.

El poeta siempre busca penetrar
Los camiños de sentidos a través
De su imaginación inquietante y dinámica.
Él pinta de buenos colores sus versos
Fortificados por un implacable lirismo
Y sembrados por una fuerte pasión interior.

El poeta siente el mundo alrededor
Como alguien que siempre está listo
Para ir al fondo del abismo y sondear
Su realidad que alberga tantos males y peligros.
Es su misión a de alumbrar el dolor del mundo
Con su sensibilidad a clamar por redención.
246

Melancolia

Uma névoa de ilusões paira no ar
E me faz perceber
Que e felicidade e a plenitude
São fragrâncias muito raras de se encontrar...

Sinto plenamente a dor e a angustia de viver,
Embora minha sensibilidade aguçada
Seja o melhor que posso emanar de mim:
Com ela enriqueço de inspiração os meus versos
Imbuídos de ternura e compaixão
Com a dor inegável de tantas vidas inocentes.

Uma doce melancolia sussurra em meu íntimo,
Deixando aflorar tantos sentimentos
Conflituosos e inevitavelmente paradoxais...

A melancolia é uma água parada
De lembranças insípidas
E de expectativas malogradas;
Ainda que seja motivado
A sentir as ilusões da vaidade humana,
Não deixo de fazer florescer
Com certo entusiasmo
Os aromas amargosos e tristes
De meus versos inspirados
Nas penumbras de dias desoladores.

As ruas dessa metrópole ficaram vazias de repente,
Subsistindo apenas indigentes desemparados
No chão de uma fria cidade
Permeada de uma atmosfera densa e lúgubre...

Sinto um vazio que cresce a cada instante,
Pois os anos simplesmente se passaram
E nada de sólido e permanente nesse mundo se cristaliza,
Prevalescendo apenas as múltiplas recordações
E uma ânsia desesperada pela eternidade.

A juventude da vida
Escorre como blocos de gelo,
As suas espessas camadas
Vagarosamente se dissolvem,
Anunciando o escurecer desse longo dia
Que inesperadamente é envolvido
Pelo crepúsculo de uma doce nostalgia,
Desse dia que, mesmo fadado ao fim,
Ainda permanece embriagado
Pelas sonhos e euforias da mocidade.

Só o que resta é relembrar
Dos fragmentos do que foi vivido,
Dos fragmentos de uma era remota
Cheia de sorrisos, de alegrias e de entusiasmos...

Nesse rio impetuoso do devir,
O que posso guardar no meu coração
Senão todas as lembranças
Daqueles que estimei
E que já partiram no decorrer de suas vidas?

Só o que resta é clamar com voz rouca
Ao criador de todas as coisas
Que o amor volte a se fazer presente
No coração dos miseráveis e dos desamparados!
Revoltar-se: qual é o sentido de toda essa veemência?

Chorar um dia inteiro
É possível quando as lágrimas
Já secaram de meus olhos cansados?
Uma esperança mínima, a esperança da vida eterna,
É a única semente que germinou em meu ser!

O vento é frio, murmurando melancolicamente
O seu cântico repleto de lirismo...
Do inverno gemem almas adormecidas
Que só buscam amparo e consolo perenes,
Tamanha é a resignação a qual estão submetidos!

A atmosfera dessa metrópole
Está carregada de neblina...
E como as luzes são tênues!
Mas o que pode nos consolar
Nesse mundo degradado e flagelado
Por tantas doenças, fatalidades,
E, também, pelas iniquidades
Que rasgaram o véu da inocência e da pureza?

Nenhum farol ou lanterna criado por homens engenhosos
Foi trazido nesse cenário sem vida,
Só o que resta, então, é a candeia da misericórdia divinal,
Pois não é ela capaz de resplandecer a vida
Dos que já não se consideram
Vivos nesse mundo obscuro e letárgico?
186

Oração de uma alma exultante

Digno és tu, Ó Deus Altíssimo,
Dos meus melhores louvores
E das minhas sinceras orações,
As quais são entoadas com um fervor
Que provém de minha alma exulltante
E ao mesmo tempo fascinada
Pelos teus grandes mistérios
Apenas reveláveis e acessíveis
Aos mais humildes de coração!

Só tu, Ó Deus bendito e eterno;
Só tu, Ó Deus Soberano e majestoso,
Podes, perfeita e incrivelmente,
Mudar a minha história de dores,
Fazendo da minha vida
Um milagre de grandes renovações internas
E também uma aurora de alegrias
Alcançadas mediante a tua misericórdia
Que é sempre infinita e sublime!

Hoje, nesse novo dia que se inicia,
Quero louvar-te de todo o meu coração,
Pois só tu és merecedor
Dos meus elogios e agradecimentos;
Das minhas melhores preces
E ofertas de amor!
Só tu, Ó Pai Eternal e Criador do universo,
Mereces ser exaltado
Por toda a tua rica criação!

Amar-te-ei dia após dia, Ó principe da paz,
Que nunca esquece de fazer justiça
A todos os oprimidos e orfãos da terra!
Amar-te-ei nas dificuldades, Ó amado redentor!
Tu estás sempre alerta ao espargir
O orvalho de tua graça maravilhosa
Para exaltar aqueles que o ama
Enquanto dobram os seus joelhos
Em sinal de incessante reverência!
152

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