tá assim ao meio...meio despudorado.
gravo tempos errantes;
vivo de ecos...
moro em casas sem teto e, de manhã, sinto gosto de barro na língua...
entristeço quando a lua mingua. e sou bochecha quando cheia...
vivo de marés...
sou como és.
Não me venha com seus farrapos, trapos, seus espasmos.
Não me torture com suas juras, curas, suas fissuras.
Não me apresente essa sua estética, ética, essas suas coisas patéticas.
Estou cansada de seus barracos, suas torturas, suas práticas.
Sou raptada pela lembrança da sua presença e por tua descarada ausência.
A imposta dor de todos os dias me dá fadiga.
Aguardo sentada, inadequada, mal amada,
aguardo o segundo, o minuto, a hora,
de mudar o prumo, o rumo.
Aguardo com raiva dessa demora.
Não me diga palavrinhas bonitas,
nem me console como se eu estivesse aflita.
Dentro de mim um universo se agita,
e quando explodir, talvez eu, nem mais exista.
Portanto, se afasta,
se protege, distancia-se.
Resta de longe pra que nemhum fragmento te atinja.
Faz como sempre fez,
finge que não é contigo,
que você é só mais um amigo.
Para de fingir que padece,
dessa tormenta que você, na verdade, desconhece.
Vê se cresce ou ao menos desaparece!
Ama Spisso
" Tire seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor".(Noel)
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