anamariabasso

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Professora, escritora e apaixonada por viagens.

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Um Livro


Não tenho um livro, um livro não tenho.
Ando, como, bebo, escuto bobagens e um livro não tenho.
Não tenho um livro para me livrar deste marasmo
Um livro não tenho.
Quero um livro para viajar, imaginar, conhecer.
Quero um livro para flutuar, historiar.
Mas um livro não tenho e continuo ouvido bobagens,
Comendo, bebendo, assistindo e falando.
Que marasmo é um domingo sem um livro.
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Poemas

18

Tristeza

Amor rompido
Amor punido com dor
E profundo rancor.
 
Tristeza presente
Que faz ausente esse grande amor.
Amor que embeleza o espírito e a vida.
Amor que torna a vida um lugar
Cheio de graça e de esplendor.
 
Alma solitária
Que sente a ausência
Do seu grande amor
Que sem motivos a deixou
Esperando
Chorando
E imaginando porque
Por quê?
 
Porque sem motivo
Tudo ficou esquecido
Tudo ficou rompido.
 
A solidão se superou
E envenenou essa relação
Que sem razão se perdeu na imensidão
Dessa vida maldita que só se supera
Com um grande amor.
222

Saudades

Ai que vontade de ver o meu amor
De abraçá-lo e cheirá-lo e amá-lo com muito calor.
Mas ele não aparece, não se deixa ver e nem quer me ver.
 
Ai que saudades do meu amor.
Ai que vontade de ter o meu amor.
Vontade de que tudo volte a ser como era,
Cheio de abraços, de beijos e graças com muito calor.
 
Pensei que a essa altura da vida
Não mais teria
Essa mania de desavença, que machuca e fere
Essa alma da gente que só quer amor.
 
Mas não tem jeito,
Ela se faz presente
E machuca a gente como um castigo
Que não sei por quê.
 
Tudo bem.
O jeito é aguardar,
Esperar que tudo passe,
O desamor, o rancor.
E tudo volte a ser como era,
Cheio de amor, paixão e calor.
 
Ai que saudades do meu amor.
207

O Vinho da Vida

A uva cultivada, o vinho envelhecido.
O sabor do vinho degustado, saboreado, como a vida vivida 
Envelhecida, embriagada.
A cada gole, o sabor do vinho vai fantasiando os dias, as noites
Vai tornando a vida gostosa, leve, livre.
A cada gole, o sabor do vinho vai embriagando os dias e as noites
Tornando a vida tonta, sem rumo
Fantasiando, embriagando, o vinho da uva da vida cumpre o seu papel.
E depois de todo o vinho, a morte, para coroar a vida na certeza de ter sido vivida intensamente.
239

O Olho Mágico


A batida na porta me transporta para a porta.
Quem é?
Com uma piscada de olho, olho no olho e vejo todo um corpo sem resposta, me olhando sem me ver.
É o olho de vidro que de tão pequeno me faz ver grande, como uma lente de aumento que com um olho me deixa ver todo um corpo sem resposta, mas com um esforço extremo levanta a mão e bate na porta outra vez.
Quem é?
Não há resposta, então me transporto de novo para o olho de vidro e olho pelo olho o corpo que não responde.
Sem resposta não há mágica que me faça abrir a porta, pois o corpo que vejo pelo olho de vidro eu desconheço, e abrir a porta sem resposta não há mágica de olho mágico que me faça abrir.
Quem é?
Eu!
Eu quem?
Eu!
Esse Eu que eu não sei quem é vai ficar ali esperando.
Esse olho mágico não faz magia e eu não sei quem Eu sou, então esse corpo do Eu vai ficar ali esperando esse eu que sou eu para sempre, pois eu não vou abrir a porta.
Assim me transporto para onde estava antes da batida na porta e deixo para trás o olho mágico com o Eu que eu não sei quem é.
Escuto passos que vão se distanciando e depois não escuto mais nada.
Foi-se o Eu e ficou o olho mágico a espera da próxima batida na porta.
229

Meu Lugar

Apaguei tudo, depois de lido, relido, apaguei tudo. Eram lembranças que decidi não lembrar mais, não que fossem lembranças ruins, mas só não queria lembrar mais.
Lembranças que doíam e de alguma forma apertavam meu coração, me deixavam com uma saudade imensa.
Saudade.
Tudo aqui me dava saudade de lá.
Meu sangue estava lá e lá estava tudo o que eu realmente queria, minha casa, minha família, minha alegria.
Ah, que saudades de lá.
As folhas verdes que balançavam com o vento não estavam me trazendo esperança.
Por que será? A esperança estava me trazendo desesperança daqui, daqui desse lugar que não era meu lar.
Ah, como eu queria o meu lar, meu lugar.
200

Um Livro


Não tenho um livro, um livro não tenho.
Ando, como, bebo, escuto bobagens e um livro não tenho.
Não tenho um livro para me livrar deste marasmo
Um livro não tenho.
Quero um livro para viajar, imaginar, conhecer.
Quero um livro para flutuar, historiar.
Mas um livro não tenho e continuo ouvido bobagens,
Comendo, bebendo, assistindo e falando.
Que marasmo é um domingo sem um livro.
207

A Torre


Caminho pela rua que acompanha a curva do rio e avisto a torre. O sino que toca lá no alto uma melodia desconhecida, desvia minha atenção da música que embala meu exercício vespertino.
Sinto uma leve angústia enquanto ouço as badaladas e penso que em breve não mais verei a torre ou escutarei o sino. Entristeço
Tudo no meu presente me faz feliz.
A cidade
A companhia
O sorvete
O banco da praça
O mercado
O caminho
As amoras
A cama no sótão
A viagem
O trem
A igreja
A torre
O sino
...
Quero que o tempo pare agora. Quero que essa tristeza vá embora. Quero esse tempo assim, simples, sincero, aventureiro, feliz.
Mas ele é passageiro, eu sei. Como o cheiro, o beijo, como a rua que acompanha a curva do rio, como as badaladas do sino, como a vida.
Quem vai embora sou eu.
Passo pela torre e continuo meu caminho, mas ela fica, fica com um pedacinho da minha alma que já pertence ao som do sino.
 
206

Decepção

Sentimento descrito como malogro de uma esperança
Que torna a vida uma amargura
Fere a alma como uma fissura
E o espírito se enche de desilusão.
 
Pensa-se numa solução
Procura-se uma razão  
E quando a encontra,
Aumenta a decepção.
 
Procura-se uma saída
Busca-se a ferida
E quando a encontra,
Aumenta a decepção.
 
Mas a vida continua
Cada dia é uma luta
Uma labuta!
Uma busca do sonho perdido
Com a decepção.
 
Sonhos, sonhos...
Sonhos que movem a vida,
Que justificam a lida,
Que nos ajudam a encontrar a saída
Para a decepção.
 
Então nunca deixe de sonhar,
De arriscar, de ir em busca de seus sonhos,
Pois estes são a única saída, a única cura
Para sua decepção.   
202

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