Não tenho um livro, um livro não tenho. Ando, como, bebo, escuto bobagens e um livro não tenho. Não tenho um livro para me livrar deste marasmo Um livro não tenho. Quero um livro para viajar, imaginar, conhecer. Quero um livro para flutuar, historiar. Mas um livro não tenho e continuo ouvido bobagens, Comendo, bebendo, assistindo e falando. Que marasmo é um domingo sem um livro.
Amor rompido Amor punido com dor E profundo rancor.
Tristeza presente Que faz ausente esse grande amor. Amor que embeleza o espírito e a vida. Amor que torna a vida um lugar Cheio de graça e de esplendor.
Alma solitária Que sente a ausência Do seu grande amor Que sem motivos a deixou Esperando Chorando E imaginando porque Por quê?
Porque sem motivo Tudo ficou esquecido Tudo ficou rompido.
A solidão se superou E envenenou essa relação Que sem razão se perdeu na imensidão Dessa vida maldita que só se supera Com um grande amor.
222
Saudades
Ai que vontade de ver o meu amor De abraçá-lo e cheirá-lo e amá-lo com muito calor. Mas ele não aparece, não se deixa ver e nem quer me ver.
Ai que saudades do meu amor. Ai que vontade de ter o meu amor. Vontade de que tudo volte a ser como era, Cheio de abraços, de beijos e graças com muito calor.
Pensei que a essa altura da vida Não mais teria Essa mania de desavença, que machuca e fere Essa alma da gente que só quer amor.
Mas não tem jeito, Ela se faz presente E machuca a gente como um castigo Que não sei por quê.
Tudo bem. O jeito é aguardar, Esperar que tudo passe, O desamor, o rancor. E tudo volte a ser como era, Cheio de amor, paixão e calor.
Ai que saudades do meu amor.
207
O Vinho da Vida
A uva cultivada, o vinho envelhecido. O sabor do vinho degustado, saboreado, como a vida vivida Envelhecida, embriagada. A cada gole, o sabor do vinho vai fantasiando os dias, as noites Vai tornando a vida gostosa, leve, livre. A cada gole, o sabor do vinho vai embriagando os dias e as noites Tornando a vida tonta, sem rumo Fantasiando, embriagando, o vinho da uva da vida cumpre o seu papel. E depois de todo o vinho, a morte, para coroar a vida na certeza de ter sido vivida intensamente.
239
O Olho Mágico
A batida na porta me transporta para a porta. Quem é? Com uma piscada de olho, olho no olho e vejo todo um corpo sem resposta, me olhando sem me ver. É o olho de vidro que de tão pequeno me faz ver grande, como uma lente de aumento que com um olho me deixa ver todo um corpo sem resposta, mas com um esforço extremo levanta a mão e bate na porta outra vez. Quem é? Não há resposta, então me transporto de novo para o olho de vidro e olho pelo olho o corpo que não responde. Sem resposta não há mágica que me faça abrir a porta, pois o corpo que vejo pelo olho de vidro eu desconheço, e abrir a porta sem resposta não há mágica de olho mágico que me faça abrir. Quem é? Eu! Eu quem? Eu! Esse Eu que eu não sei quem é vai ficar ali esperando. Esse olho mágico não faz magia e eu não sei quem Eu sou, então esse corpo do Eu vai ficar ali esperando esse eu que sou eu para sempre, pois eu não vou abrir a porta. Assim me transporto para onde estava antes da batida na porta e deixo para trás o olho mágico com o Eu que eu não sei quem é. Escuto passos que vão se distanciando e depois não escuto mais nada. Foi-se o Eu e ficou o olho mágico a espera da próxima batida na porta.
229
Meu Lugar
Apaguei tudo, depois de lido, relido, apaguei tudo. Eram lembranças que decidi não lembrar mais, não que fossem lembranças ruins, mas só não queria lembrar mais. Lembranças que doíam e de alguma forma apertavam meu coração, me deixavam com uma saudade imensa. Saudade. Tudo aqui me dava saudade de lá. Meu sangue estava lá e lá estava tudo o que eu realmente queria, minha casa, minha família, minha alegria. Ah, que saudades de lá. As folhas verdes que balançavam com o vento não estavam me trazendo esperança. Por que será? A esperança estava me trazendo desesperança daqui, daqui desse lugar que não era meu lar. Ah, como eu queria o meu lar, meu lugar.
200
Um Livro
Não tenho um livro, um livro não tenho. Ando, como, bebo, escuto bobagens e um livro não tenho. Não tenho um livro para me livrar deste marasmo Um livro não tenho. Quero um livro para viajar, imaginar, conhecer. Quero um livro para flutuar, historiar. Mas um livro não tenho e continuo ouvido bobagens, Comendo, bebendo, assistindo e falando. Que marasmo é um domingo sem um livro.
207
A Torre
Caminho pela rua que acompanha a curva do rio e avisto a torre. O sino que toca lá no alto uma melodia desconhecida, desvia minha atenção da música que embala meu exercício vespertino. Sinto uma leve angústia enquanto ouço as badaladas e penso que em breve não mais verei a torre ou escutarei o sino. Entristeço Tudo no meu presente me faz feliz. A cidade A companhia O sorvete O banco da praça O mercado O caminho As amoras A cama no sótão A viagem O trem A igreja A torre O sino ... Quero que o tempo pare agora. Quero que essa tristeza vá embora. Quero esse tempo assim, simples, sincero, aventureiro, feliz. Mas ele é passageiro, eu sei. Como o cheiro, o beijo, como a rua que acompanha a curva do rio, como as badaladas do sino, como a vida. Quem vai embora sou eu. Passo pela torre e continuo meu caminho, mas ela fica, fica com um pedacinho da minha alma que já pertence ao som do sino.
206
Decepção
Sentimento descrito como malogro de uma esperança Que torna a vida uma amargura Fere a alma como uma fissura E o espírito se enche de desilusão.
Pensa-se numa solução Procura-se uma razão E quando a encontra, Aumenta a decepção.
Procura-se uma saída Busca-se a ferida E quando a encontra, Aumenta a decepção.
Mas a vida continua Cada dia é uma luta Uma labuta! Uma busca do sonho perdido Com a decepção.
Sonhos, sonhos... Sonhos que movem a vida, Que justificam a lida, Que nos ajudam a encontrar a saída Para a decepção.
Então nunca deixe de sonhar, De arriscar, de ir em busca de seus sonhos, Pois estes são a única saída, a única cura Para sua decepção.