O coletivo
Meu novo trabalho não era muito distante da minha casa, mas eu tinha que estar lá bem cedo e todos os dias embarcava no mesmo coletivo exatamente às quatro da manhã. O ônibus vinha com alguns lugares vazios, e um desses lugares sempre era o mesmo, ao lado de uma mulher de cabelos compridos, vestindo um uniforme cinza e por vezes me sentei ao seu lado, eu a cumprimentava, mas ela nunca respondia. Isso se repetiu por meses até que um dia precisei dormir na casa da minha avó que ficava um pouco mais distante, porém, embarquei no mesmo ônibus das quatro horas. Ao entrar reparei que a silenciosa moça não estava no coletivo e então perguntei ao motorista por ela. Ele respondeu:
— Ela só entra no ponto do cemitério.
Senti um calafrio tomar conta de mim, pois, o próximo ponto era justamente o do cemitério, fiquei em pé perto do motorista e nada vi na soturna parada, então tomei coragem e fui me sentar, mas quando me virei ela já ocupava o seu lugar e após aquele dia, naquele coletivo nunca mais entrei.
Ao mar
Ao Mar
Em meio à mata ele surge,
E sem grandes pretensões ali permanece
O passar do tempo o favorece Logo cresce e ganha força
Agora se desloca ferozmente por entre as árvores
Com a intenção de chegar ao mar
Carregando e levando vida por onde passa
Testemunha, então, cidades brotando ao seu redor
Percebe um animal cruel que se espalha rapidamente
Trazendo doenças e morte ao seu leito.
Bicho homem,
Infectando e destruindo com o resto,
Resto de minério, resto de lama.
Mesmo sendo doce é grande e forte,
Serpenteando e lutando ele continuará.
Até ao seu destino chegar.
Levantando o amor
Levantando o amor
Todos meus amigos tinham namoradas e eu não estava me preocupando com isso, mas eles ficavam me provocando, duvidando que eu fosse capaz de arrumar uma boa garota e isso, na verdade me incomodava um pouco, mas eu não podia deixar transparecer.
Busquei em livros antigos de minha avó uma simpatia para me ajudar, li vários livros, mas nada me chamou a atenção. Decepcionado, arremessei um dos livros contra a parede e no mesmo momento me arrependi de tal ato, fui até o livro despedaçado e vi em meio às páginas soltas uma totalmente diferente, uma página em papel preto, não havia notado esta página negra no livro, então a peguei do chão e li, e logo resolvi arriscar tal simpatia. Até porque não aguentava mais ficar sozinho.
Empenhei-me em juntar todos os itens e pus em prática os escritos da folha, não demorou uma semana e ela surgiu.
Era linda e me acompanhava em todos os lugares, na escola, no parque, no cinema e até no meu quarto. E é assim, todos os dias ela me conta de coisas sobre sua vida o tempo todo, porém, isso começou a me incomodar, principalmente por ela ter nascido no século XV.
AMO-TE
Nunca se dê por vencido
Por mais que lhe escarneçam
E tentem roubar sua essência
Sabido é que tua raiz brava,
Não permitirás que tombe por terra.
Teus filhos unidos e destemidos,
Alavancando um sonho utópico outrora esquecido,
Onde o respeito e o amor prevaleciam!
Berço majestoso de riquezas mil
Verdes matas e mar anil,
És gigante
Em natureza, aconchego e calor.
Donde por entre os veios de sua terra
Brotam um verdadeiro fervor
Que nos enche de orgulho e clamor!
Amo-te Brasil, com todo meu amor!
De volta ao lar
De Volta Ao Lar
A ambição de buscar um futuro melhor levou-me para a cidade grande onde tudo era diferente da minha terra natal, sentia falta do silêncio, do ar fresco e puro, das melhores amizades, na verdade, sentia falta de tudo, principalmente porque o ritmo frenético da cidade era demais para mim.
As férias se aproximavam e eu contava cada hora, cada minuto, fazia contato diariamente com minha ansiosa mãe que sempre me colocava por dentro de todas as novidades. Desde que meu pai desapareceu durante uma caçada ela me criou e defendeu feito uma fera e eu estava doido para voltar para ela.
O noticiário sobre a cidade me apavorava, ainda mais com os recentes fatos, havia um serial killer sanguinário atacando na escuridão da noite, despedaçando suas vítimas, eu ficava em choque só em pensar, só queria voltar logo pra roça.
Eis que o grande dia chegou, com as malas prontas, embarquei para minha amada terra, chegando fui direto para o colo de mãe, nada mais aconchegante.
No dia seguinte acordei cedo, visitei alguns amigos e fui descansar, pois, naquela noite sairia para caçar, com o crepúsculo me preparei e me dirigi à mata, na escuridão total senti uma forte vertigem e cai no chão, quando despertei na manhã seguinte eu estava com um forte gosto de sangue na boca e com um coelho em cada mão, como é bom estar de volta ao lar.
Na curva
Na curva
Durante uma alvorada festiva
Ao som da revoada de pardais,
Me encontro anestesiado
Com meus pensamentos e nada mais.
Sob a sombra de frondosa árvore
Assisto ao filme da minha vida,
Em flashes fora de ordem
Entre um dia feliz e alguma ferida.
A viagem mais rápida e curta
De toda breve existência,
Esse povo ao meu redor me assusta
Nos meus pés, sinto dormência.
Os pássaros se calaram com a noite
O murmurar dos observadores se aquietou,
Quase sem enxergar mais nada
Distraio-me com a luz vermelha que se aproximou.
Nesta situação desfavorável alguém segura minha mão
De forma amigável avisa que ainda tenho salvação,
Mas percebo que ele estava enganado
Olho e vejo o bombeiro ajoelhado ao lado do meu corpo deitado.
Gigante Gentil
Gigante gentil
Na Alvorada voraz
Surge um resplandecente guia,
E ilumina esta maravilhosa nação.
Que é enorme em território e diversidade,
Nação esta que será a maior entre as maiores,
No dia em que aqueles no topo da pirâmide,
Olharem para baixo com o mesmo amor que olham para seus bolsos.
Então o mundo vislumbrará o despertar,
Do gigante gentil,
Que dorme em berço esplendido,
Pois, o amor que o povo nutre por ele o tornará ainda maior.
Buscai
Buscai
Nem mesmo que seja o dia mais chuvoso,
Tudo deverá ser como antes!
Na insana caminhada diária,
Vida é um privilégio.
Será que uma queda bastará?
Como iremos nos comportar?
Sonhamos na esperança de realizar!
Cabe-nos sacudir a poeira,
Lutar o bom combate e
Buscar com afinco, pois,
Nossa caminhada está apenas começando e
Felicidade, item raro, mas possível de se ter.
Notícias Velhas
Notícias Velhas
Raios iluminam o céu,
Com tons de rubro e celeste por entre nuvens negras
E uma família reunida
Pende suas cabeças sobre os ombros,
Por onde baratas passeiam entremeando seus pés enlameados.
Incessante transbordamento de lamento e dor
Ao mesmo tempo que uma vela clareia a sarjeta.
Todos os dias ele acordava cedo,
Na esperança comum aos bons
A luta árdua não o esmorecia
Não almejava o pote de ouro no final do arco-íris!
Apenas o pão de cada dia sobre a mesa.
Agora coberto por notícias velhas.
Inerte, alheio ao ocorrido,
Será manchete a cobrir o próximo.