ania_lepp

ania_lepp

n. 1972 BR BR

"...escrever é a minha maneira de preencher um pouco do meu vazio... um jeito que encontrei de não me sentir tão só...não sou poeta, sou solidão... (ania)

n. 1972-12-01, Porto Alegre

Perfil
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Tristura...(soneto)


Noite escura tenebrosa, o medo
a penetrar por dentro, corroendo,
o vento forte, as ondas se debatendo
insanas, de encontro aos rochedos...

Sozinha, vou em frente, não retrocedo
diante da tempestade enfurecendo,
continuo, pés descalços, chorando,
meu pranto para o mar não é segredo...

Cabelos pelo vento embaraçados,
um cansaço que consome e perdura,
uma saudade que dói e amargura...

Sigo, coração abatido, alquebrado,
alma envolta em pesar e tristura,
fantasma do dissabor e da loucura...
(ania)
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Poemas

106

Depois de tanto tempo...


Essa brisa que vem do mar,
entoando cantigas,
traz lembranças
de um tempo
onde sonhos azuis flutuavam
e se realizavam...
Um tempo
em que caricias reinavam
e os beijos afogueavam...

Tempos onde o amor
imperava
e ser feliz era LEI...

Essa brisa que vem do mar
(depois de tanto tempo)
ainda me traz
você!
(ania)
547

Toques meus...


Quando todo o resto
de mim,
em ti fenecer,
por certo,
apesar de tudo,
sentirás na brisa
que te afaga,
leves toques meus...

Toques que te trarão,
ainda que não queiras,
lembranças de um tempo
de vinho e rosas,
um tempo de beijos,
risos e festas,
onde, mesmo sem querer,
foste muito feliz!
(ania)
390

Como te falar de amor...(soneto)


Como poderia te falar de amor
se não tenho como me comunicar,
se as palavras precisam se calar,
camuflando do sentimento o ardor?

Como poderia te falar de amor
se me foi proibido demonstrar,
se até o pouco tive que mascarar,
diluindo do que sentia, o calor?

Como poderia te falar de amor
se nem o vento deve compactuar
e minhas palavras se nega levar?

Como te falar de paixão e de amor
se as portas todas te dispôs a fechar,
se nem nos teus sonhos, me deixas entrar?
(ania)
410

A moça dos girassóis...(soneto)


Feliz, rodopiando a saia de cetim,
no mundo mágico que a cercava,
entre borboletas e querubins,
a moça, com seu amado, sonhava...

Andava por entre as flores do jardim,
cantigas de amor, cantarolava
e a brisa com olores de alecrim,
sua pele, suavemente, tocava...

Hoje, não cantam mais os rouxinóis,
as flores não puderam desabrochar,
não soube ele, o jardim do amor, regar...

Sussurram que a moça dos girassóis
que alegre cantarolava a bailar,
vaga ainda pelo jardim, com ele, a sonhar...
(ania)
353

Ontem, ouvindo Beethoven...(soneto)


Ontem o sol brilhava e eu, feliz sorria
ao imaginar teu cheiro e teu jeito
de me olhar e tudo era tão perfeito
que nada neste mundo, me abatia...

Ontem, em sonhos, eu iria conhecer
dos teus gestos o toque e o afagar
e na tua fala, no sotaque, o cantar
doce, arrastado, iria me embevecer...

Mas então ventou e sombras quietas, frias
surgiram do nada e em cruel agonia
nublaram, anoiteceram meus sentimentos,

enquanto Beethoven, chorando eu ouvia.
...hoje faz sol mas não me sorri o dia
pois ainda, te tenho no pensamento!
(ania)
334

Me leva contigo...(soneto)


Vem, pega na minha mão, me leva agora,
vamos em frente, sem para trás olhar,
me mostra o caminho, me faz continuar
pela estrada, preciso ir embora...

Vem, me leva daqui, é chegada a hora
dos velhos ranços no passado deixar,
enxotar os fantasmas, elos quebrar,
com você, mãos dadas, mundo afora...

Pega na minha mão, traz teu sorriso,
seca a minha lágrima, me abraça,
me olha nos olhos, é disso que preciso....

Vem, repara, na solidão agonizo,
traz teu beijo e com ele me amordaça,
Vem, me toca, me faz perder o juizo...
(ania)
605

Dizer o que? (soneto)


Dizer o que se tudo já foi dito
se da mágoa e dos sentimentos
das lembranças e pensamentos,
deixei no papel, prá ti escrito...

Foram tantos versos e tão bonitos
as vezes fortes, as vezes, acalento,
um tanto de amor, um tanto tormento,
da alma vieram, profundos, em gritos...

Escrever como se o pranto embaça
e a inspiração se foi com o vento
e a saudade dói e faz tanta pirraça...

Dizer mais o que, se já não encontro
alegações e nenhum argumento
se nem nos versos, mais me concentro...
(ania)
627

...e aqui estou eu agora...

...e aqui estou eu agora
consumindo meu tempo
em lembranças,
pensamentos e sonhos,
esperanças e mágoas,
como se houvesse uma ordem,
conspirando,
instando-me a divagar,
seguindo com os olhos
o caminho que se perde
além montanhas...

...e aqui estou eu agora,
apesar da lágrima na face,
tentando ser forte,
encarando os dias solitários
e cinzas que se estendem,
imensuráveis a minha frente...

...e aqui estou eu agora
tentando refazer meus passos
procurando romper
essa linha invizível,
mas ainda tão forte
que me liga a você!
(ania)

(Ouvindo Silence - Sad Piano)
https://www.youtube.com/watch?v=OPtLphcT3lk
782

Nada mais será...

Não serei mais poesia nascente
em versos a atrair
nem magia iridescente
em musa a seduzir...

Não serei mais flor latente
em jardins a florir
nem vento dormente
pelos campos a fluir...


Não serei e tudo secará
e nada mais será...


Ficarei assim indolente
calada a definhar
feito semente
que esqueceu de germinar...
(ania)
609

Plenitude...(Soneto)

Quero o florir e o reflorir da magia
de instantes, sempre no hoje, no agora,
no momento atual...por dentro, por fora,
das coisas tangíveis, sensíveis, a euforia...

Quero a surpresa do sussurro e a alegria
do frêmito no corpo e que na pele aflora
e que se espalha e que na alma ancora
e que incendeia, explode...se faz sinfonia...

Quero o que ainda não me permiti, o devaneio
do oculto, o vibrar do espanto no grito,
quero do acontecer o pleno, o cheio...

Quero sem pressa a emoção do anseio,
sem medidas, sem mistérios no rito,
quero a descoberta do que ainda não veio!
(ania)
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Comentários (17)

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amei
amei

amei parbéns

jrodrigues

Escrita muito própria, singela mas ao mesmo tempo profunda

Parabéns, gostei de ler!

devoto

Ania quero de coração agradecer tuas palavras em minha humilde pagina. Você esta entre as grandes estrelas da poesia Brasileira. Parabéns!

A dor é um dos melhores combustíveis para os que escrevem, não podemos dizer o mesmo para a felicidade, mas, faz parte da vida. Espero que a solidão não resuma a sua existência, seja apenas um ensinamento assimilável com o tempo, ainda que demore um pouco. Felicidades