ania_lepp

ania_lepp

n. 1972 BR BR

"...escrever é a minha maneira de preencher um pouco do meu vazio... um jeito que encontrei de não me sentir tão só...não sou poeta, sou solidão... (ania)

n. 1972-12-01, Porto Alegre

Perfil
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Tristura...(soneto)


Noite escura tenebrosa, o medo
a penetrar por dentro, corroendo,
o vento forte, as ondas se debatendo
insanas, de encontro aos rochedos...

Sozinha, vou em frente, não retrocedo
diante da tempestade enfurecendo,
continuo, pés descalços, chorando,
meu pranto para o mar não é segredo...

Cabelos pelo vento embaraçados,
um cansaço que consome e perdura,
uma saudade que dói e amargura...

Sigo, coração abatido, alquebrado,
alma envolta em pesar e tristura,
fantasma do dissabor e da loucura...
(ania)
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Poemas

10

Não serei e tudo secará...(soneto)


Nunca mais serei poesia nascente
em rimas e ternos versos a te atrair
nunca mais serei magia iridescente
nem musa a te envolver e seduzir...

Não mais serei borboleta cadente
ao teu redor a dançar e sorrir
nem serei brisa, nem vento dormente
para em tua pele arrepios eclodir...

Nunca mais serei estrelas e nem luar
nas madrugadas incandescentes
nem serei corpo ardente a te saciar...

Nada mais será, tudo há de definhar
Ficarei assim calada, indolente
feito semente que esqueceu de germinar...
(ania)

(Ouvindo Naruto - Sadness and Sorrow (Violin) - Taylor Davis )
https://youtu.be/mF3DCa4TbD0
1 926

Digitais...(soneto)


Minha geografia em tuas mãos deixei
tuas digitais, em minha pele, tatuei
cada momento da nossa história,
cada traço teu, gravado na memória...

Teus versos em meu coração semeei
dia após dia, delicadamente, reguei
floriram instantes de êxtase, de glória
momentos grandiosos, do amor a vitória...

Hoje tudo é passado, é solidão
aturdida, sozinha, não me acostumo
Sigo tão triste, sem norte, sem chão...

Minha geografia já não tens em tuas mãos
teus versos já não são meus, tem outro rumo
já não te inspiro mais o coração...
(ania)

(Ouvindo Give me heart - Susie Suh)
https://youtu.be/yoweV3c4xqM
791

Infinita espera...(soneto)


A brisa morna, soprando em espirais
agita na janela a cortina rendada,
a lua lá fora, passeia prateada,
na vitrola tangos envolventes, sensuais...

Rosas vermelhas em vasos de cristais
a casa com incensos perfumada,
sobre a mesa, toalha branca bordada
copos e vinhos, velas em castiçais...

Na pele a fremir, o prazer desabrochou
o corpo vestido de estrelas e luar
e a boca inquieta, por beijos a esperar...

O tempo em longas horas se arrastou,
inimigo feroz a me torturar,
na noite que se finda, não te vi chegar...
(ania)

(Ouvindo Assassin's Tango - John Powell)
https://www.youtube.com/watch?v=64HLXWjbJxE

802

Meu sonho...(soneto)


Meu sonho em mistérios envoltos,
abismos que ao sonhar metem medo,
sem face, sem toques, só segredos,
tenuês fios que se vergam soltos...

Meu sonho não tem rosto, é esfinge
enredada em brumas e distâncias,
sem calor, sem sabor, nem fragrâncias,
mudo, vazio...sonho que só finge...

Povoa minha noite de fantasias,
insana explosão, esvaziada euforia
de quem nada recebe e muito espera...

E na madrugada que é só melancolia,
meu sonho já não é sonho, nem poesia
e na solidão dos lencóis, desespera...
(ania)
820

Um beijo...(soneto)


Um beijo. Tão delicadamente,
tu me pediste. Um beijo somente.
Motivos não tive para negar,
pois meu desejo, sim, era te beijar...

Assim, na noite morna, apaixonada,
num sopro como de asas delicadas,
num sutil e muito leve adejar,
um doce beijo te soprei a sonhar...

Numa viagem etérea, sublimada,
sobre rios e florestas encantadas,
seguiu o beijo pelos céus, a flutuar...

E num passe de magia enfeitiçada,
na noite morna e tão perfumada,
meu doce beijo em tua face, foi pousar...
(ania)
859

Apenas diga que me pertence...(soneto)


Fala, murmura que você me pertence,
diga, repita que eu preciso ouvir,
me faça acreditar, venha admitir
que sou teu grande amor, me convence...

Fala, sussurra que me pertence,
te tatua em mim, eu preciso sentir,
faça o que quiser, não vou resistir,
mas admita, pois tudo o amor vence...

Conta em segredo, só a nós interessa,
me arrepia com tua voz e tua sedução,
demonstra e me declara tua paixão...

Apenas não cala...vem e confessa,
suspira em meu ouvido esse desejo,
e me cala com o calor do teu beijo!
(ania)

You Belong To Me - Cat Pierce)

https://www.youtube.com/watch?v=KkBEnIoRqWw
2 050

Te quero assim...(soneto)

Te quero assim...

Te quero assim em meu pensamento
se apossando, ocupando espaços,
senhor do meu tempo, dos meus abraços,
chegando pela brisa ou pelo vento...

Te quero assim no toque dos meus dedos,
passeando em teu corpo, em teu regaço,
desenhando, decorando teus traços,
desvendando todos os teus segredos...

Te quero assim dono do meu leito,
esparramado em minhas vontades
todas as noites, pela infinidade...

Te quero assim desse nosso jeito
só nós dois, loucos, apaixonados,
lábios unidos, corpos colados...
(ania)

(Ouvindo This Love - Sarah Brightman)
805

Sonhar só mais uma vez...(soneto)


Quimeras tantas, hoje pelo chão,
aos pouquinhos, me foram negadas,
nada valeram, todas pisoteadas
num claro aviso: basta de ilusão...

Propus, sentimentos trancar, então
me mantendo oca...não sentir mais nada,
sem abalos, sem comoção, esvaziada,
liberta de tudo, sem perturbação...

Assim fui vivendo, nunca mais risonha,
sentindo um vácuo, uma coisa enfadonha,
uma melancolia...na alma, insipidez...

Nesse marasmo, as vezes me questiono
não será possível, mesmo no outono,
ressuscitar os sonhos uma última vez?
(ania)
899

Pudesse eu...(soneto)


Ah, pudesse eu separar-me de mim,
sair  bem de mansinho corpo afora,
pisando leve, flutuando ir embora
como plumas ao vento, livre assim...

Liberta de tudo, sorrindo enfim,
dançando na chuva a qualquer hora,
sem compromissos, de mim senhora,
cantarolando, feliz pelos jardins...

Ah, pudesse eu esquecer o cansaço,
o tormento de viver por viver,
empurrando os dias mesmo sem poder...

Pudesse eu soltar esses elos de aço
num repente, todos grilhões romper
e a centelha dos sonhos reacender...
(ania)
765

Vento poeira de sonhos...


Gosto desse vento calmaria, desse delicado roçar
feito poeira que toca e acaricia e põe a alma a dançar...

Gosto desse toque etério minha pele a afagar,
misto de mistério e magia a me enfeitiçar ...

Gosto desse vento ameno que me faz divagar
lembrando tuas mãos no meu corpo a passear...

Gosto desse vento poeira de sonhos a levitar,
vento faz de conta que me faz fantasiar...
(ania)

(Ouvindo Dust in the wind - Sarah Brightman)





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Comentários (17)

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amei
amei

amei parbéns

jrodrigues

Escrita muito própria, singela mas ao mesmo tempo profunda

Parabéns, gostei de ler!

devoto

Ania quero de coração agradecer tuas palavras em minha humilde pagina. Você esta entre as grandes estrelas da poesia Brasileira. Parabéns!

A dor é um dos melhores combustíveis para os que escrevem, não podemos dizer o mesmo para a felicidade, mas, faz parte da vida. Espero que a solidão não resuma a sua existência, seja apenas um ensinamento assimilável com o tempo, ainda que demore um pouco. Felicidades