ania_lepp

ania_lepp

n. 1972 BR BR

"...escrever é a minha maneira de preencher um pouco do meu vazio... um jeito que encontrei de não me sentir tão só...não sou poeta, sou solidão... (ania)

n. 1972-12-01, Porto Alegre

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Tristura...(soneto)


Noite escura tenebrosa, o medo
a penetrar por dentro, corroendo,
o vento forte, as ondas se debatendo
insanas, de encontro aos rochedos...

Sozinha, vou em frente, não retrocedo
diante da tempestade enfurecendo,
continuo, pés descalços, chorando,
meu pranto para o mar não é segredo...

Cabelos pelo vento embaraçados,
um cansaço que consome e perdura,
uma saudade que dói e amargura...

Sigo, coração abatido, alquebrado,
alma envolta em pesar e tristura,
fantasma do dissabor e da loucura...
(ania)
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Poemas

106

Se tu viesses na tarde...

Faria de teus olhos sorrisos
e de teu corpo desejos
se me encontrasses na tarde...

As flores que ontem murcharam
hoje, desabrochariam
e perfumariam a noite
que seria nós...

...e o teu silêncio
nunca mais seria imensidão,
em mim,

se tu viesses na tarde...
(ania)

(Ouvindo If You Would Come Back Home - William Fitzsimmons)
https://www.youtube.com/watch?v=MxVBu2IcIPM
298

Pedra e flor...

...e quando eu, prá ti, quis ser flor,
exalando sorrisos e aromas
nas lânguidas tardes primaveris,
me acenaste partida,
te fizeste caminho sem fim...

...e eu, em solidões e cansaços,
me fiz pedra ao longo da estrada
só prá ti ver passar...

Pedra, quando eu só queria ser flor,
e em amor florir,
e em amor te envolver,
e de amor me entregar...
(ania)

(Ouvindo Speak To Me - Amy Lee)
https://www.youtube.com/watch?v=QpWoxV5ERaQ)

438

Nem sempre...(soneto)

Nem sempre os dias são de azul imenso
E nem todas as noites, enluaradas
Há dias tristes, de cinza chumbo, intenso
E noites de trevas, luzes apagadas ...

Nem sempre a brisa recende a incenso
Nem estrelas brilham enfeitiçadas
Há vezes que até o ar se torna denso
E as estrelas, se escondem, atordoadas...

Os ventos, nem sempre, são alvissareiros
Não conseguem ser, só bons mensageiros
E o sol, nem sempre, o frio da alma, espanta...
(ania)

(Ouvindo Solitude - Flaer Smin)
https://www.youtube.com/watch?v=xTLJZ4TWsU0

343

Porque a rosa? (soneto)

Porque foi coroada, de rainha, a rosa
Entre as flores que vicejam no jardim,
Se a margarida, também é formosa,
E é belo e cheiroso, o branco jasmim?

Se a orquídea é bem mais luminosa,
Com suas pétalas de puro cetim,
Que dizer da violeta, tão mimosa,
E da elegância, do cravo carmesim?

Sem esquecer da bela açucena,
Do exuberante girassol, a alegria,
E da suave e delicada verbena?

Provado está que são todas formosas,
Enfeitam jardins com encanto e magia,
Porque, então, só glorificar as rosas?
(ania)

(Ouvindo A flower is not a flower)
https://www.youtube.com/watch?v=8PjJ3L9sKgg
386

Despetalar...(soneto)

Se o tempo não fosse meu próprio algoz,
Se não seguisse esse infeliz roteiro
De seguir em frente, inclemente, atroz,
Despetalando em mim, o que fora inteiro...

Não fosse o tempo, esse louco vendaval
Que tudo leva, deixando só o declínio
Dos sonhos , hoje amarga dor, abissal,
Há muito, guardados, em secreto escrínio...

Se fosse o tempo, brisa, não temporal,
Só áureos ventos em tranquilas veredas
Que afagasse como plumas e sedas...


Não haveria esse medo descomunal
O que está por vir, não me afligiria mais
Esse despetalar, não sentiria, jamais...
(ania)

(Ouvindo Sad And Lonely Blues)
https://www.youtube.com/watch?v=RN6JZPul7Zw

480

Último suspiro...(soneto)

No silêncio que se faz, infindo
avança, entre lápides, o caixão
leva sonhos, lágrimas e emoção
do tempo das quimeras, tão lindo...

Devagar, entre rezas, vai indo
para a última morada, no chão...
Pelo ar, olores de manjericão
jasmim e velas, se difundindo...

O que aqui deixo, gestos, levezas,
ilusões, meus versos de tristeza
joguem ao pó, agora nada valem...

Livrem-se, joguem na correnteza,
deixem que minhas delicadezas,
comigo, o suspiro final, exalem...
(ania)

(Ouvindo Requiem - Giovanni Marradi)
https://www.youtube.com/watch?v=7VRLdU6R8_0
353

Sem alarde...(soneto)

Passos quietos, sem alarde, sigo
pelo caminho, aturdida sem norte,
fragilizada, já não sou tão forte
hoje, cansada, em busca de um abrigo...

Não sei prá onde vou, nem se consigo
chegar até onde a saudade não aporte
qualquer canto, um lugar que me conforte
onde eu fique em paz, de bem comigo...

Um lugar onde eu possa chorar calada
tentando esconder, disfarçar a dor
o sofrimento camuflar...não me expor...

Passos quietos, a esmo, pela estrada
coração e alma doridos, em torpor
buscando, de um abraço amigo, o calor...
(ania)

(Ouvindo Heidi Elva - The Heart Is A Lonely Hunter)
https://youtu.be/tYjKKPZ81kc
458

Sonho acalentado...(soneto)

Branca a casinha e todo o cercado,
rosas e margaridas pelo jardim,
nas janelas, cortinas de rendado,
e no ar, um cheirinho de jasmim...

Borboletas ensaiando seu bailado,
flores, plantas, cidreiras de capim,
pássaros multicores trinando,
ao longe, pelo vento, um bandolim...

Nuvens de algodão no céu, flutuando,
a chaleira sobre o fogão apitando,
porta aberta e alguém a me acenar ...

Branca a casinha e eu divagando,
de quimeras a vida vou levando,
afagando, acarinhando o meu sonhar...
(ania)

(Ouvindo Casinha Branca - Roberta Campos)
https://www.youtube.com/watch?v=kFIKZhbtJbU
323

Triste engano...(soneto)

Te encontrei depois de tanta procura,
imaginei ser parte dos teus planos
e sonhei... triste e dorido engano,
não te enfeitiçou a minha candura...

Meus versos hoje são só tristura,
um rio de pranto formando oceano
o encanto resultou em desengano,
recebendo desdém e não ternura...

Caminhos percorri e nessa andança
não consegui adentrar a tua dança,
no bolero do amor errei o compasso...

Hoje em mim tristeza e desesperança,
nada mais faz sentido, nada avança,
nem meus versos harmonizam o passo...
(ania)
448

Versos na madrugada infinda...(soneto)

Na madrugada morna que não finda,
um piano...notas suaves, soltas pelo ar,
tua imagem surge, de lembranças me brinda,
meu pensamento começa a divagar...

Como num filme, o passado vem e deslinda
o que no peito prendo, não quero mostrar,
essa angústia tamanha que nada blinda,
apesar de tudo, não aprendi desapegar...

As lembranças marcam, o coração tatuam,
momentos de tantos risos acentuam
a solidão na madrugada infinda...

As notas do piano na noite não atenuam
as lágrimas e a dor que tumultuam,
pois,são versos de amor prá ti, ainda...
(ania)

(Ouvindo John Sokoloff "El Manor" | L.O.V.E.)
https://www.youtube.com/watch?v=4EfvNutCMNU
357

Comentários (17)

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amei
amei

amei parbéns

jrodrigues

Escrita muito própria, singela mas ao mesmo tempo profunda

Parabéns, gostei de ler!

devoto

Ania quero de coração agradecer tuas palavras em minha humilde pagina. Você esta entre as grandes estrelas da poesia Brasileira. Parabéns!

A dor é um dos melhores combustíveis para os que escrevem, não podemos dizer o mesmo para a felicidade, mas, faz parte da vida. Espero que a solidão não resuma a sua existência, seja apenas um ensinamento assimilável com o tempo, ainda que demore um pouco. Felicidades