ania_lepp

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n. 1972 BR BR

"...escrever é a minha maneira de preencher um pouco do meu vazio... um jeito que encontrei de não me sentir tão só...não sou poeta, sou solidão... (ania)

n. 1972-12-01, Porto Alegre

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Tristura...(soneto)


Noite escura tenebrosa, o medo
a penetrar por dentro, corroendo,
o vento forte, as ondas se debatendo
insanas, de encontro aos rochedos...

Sozinha, vou em frente, não retrocedo
diante da tempestade enfurecendo,
continuo, pés descalços, chorando,
meu pranto para o mar não é segredo...

Cabelos pelo vento embaraçados,
um cansaço que consome e perdura,
uma saudade que dói e amargura...

Sigo, coração abatido, alquebrado,
alma envolta em pesar e tristura,
fantasma do dissabor e da loucura...
(ania)
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Poemas

106

Tristura...(soneto)


Noite escura tenebrosa, o medo
a penetrar por dentro, corroendo,
o vento forte, as ondas se debatendo
insanas, de encontro aos rochedos...

Sozinha, vou em frente, não retrocedo
diante da tempestade enfurecendo,
continuo, pés descalços, chorando,
meu pranto para o mar não é segredo...

Cabelos pelo vento embaraçados,
um cansaço que consome e perdura,
uma saudade que dói e amargura...

Sigo, coração abatido, alquebrado,
alma envolta em pesar e tristura,
fantasma do dissabor e da loucura...
(ania)
2 099

Sonhos dispersos...


De tudo
Nada mais restou
Nem toque, nem verso
só sonhos, no vento,
dispersos...
(ania)
363

Sinfonias...


Como se sinfonias fossem,
Nossos sussurros ainda repercutem
E um mar de lembranças
Se esparrama sobre mim...
(ania)
360

Canção do faz de conta...(soneto)


Preciso cantar aquela canção,
Aquela, 'Canção do Faz de Conta'
Que embala e consola meu coração
Quando a saudade vem e amedronta...

Preciso entoar aquela cantiga
Aquela, cheia de sonhos e fantasia
Que de mim, esconde essa dor antiga
Me entorpecendo em versos...em poesia...

Preciso procurar...achar um jeito
De expulsar...apagar essa tristeza
Que confrange...aniquila o meu peito...

Preciso viver ...dançar...cantarolar
Preciso da vida, encontrar a beleza
Preciso sorrir...e nunca mais, chorar...
(ania)
375

Em silêncio...(soneto)


Tudo tão quieto...tudo tão parado
Nem lua, nem estrelas no firmamento
Tudo escuro...tudo paralisado
Nenhuma brisa...nem vento em alento...

Nenhum rumor...tudo imóvel...calado
Lá fora no breu, nenhum movimento,
Até os sapos parecem hipnotizados
Silenciaram...não coaxam mais seu acalento...

Do mar, nenhum rugido...nenhum bramido
Tudo estagnado...nem das ondas o bailar
E dos pirilampos, nem o doce esvoaçar...

Nem meu coração, nessa noite, faz ruído
Agoniado, saudoso de ti, a recordar
Em tributo...fica em silêncio, a chorar...
(ania)
435

Só o tempo dirá...(soneto)


Se escoam as horas, por entre os dedos,
Em dias se transformam, e os dias, se vão,
Os meses passam, crescem meus medos,
Dos anos que me aguardam, que ainda virão...

O tempo guarda, em seu bojo, segredos,
Temerosa, não sei o que me trarão,
Se, de dias felizes, só o arremedo,
Ou se, ainda, alegrias me presentearão...

O tempo, a todo vapor, vai singrando
Como um barco, no mar, passa ligeiro,
Sonhos e esperanças consigo levando...

Só ele dirá o que está me reservando
Na viagem, sou só mais um passageiro,
Que sem saber prá onde, vai navegando...
(ania)
723

Hoje, ainda penso em ti...


Ontem
Sentia teu cheiro
Imaginava teu jeito
Dos teus olhos, o brilho...
Ontem, ventou
E sombras frias e quietas
Nublaram meus pensamentos...

Ontem
Sonhava conhecer
Dos teus gestos, o toque...
Das tuas palavras, a dança...
Mas ontem, choveu
E sombras frias e quietas
Gelaram meus anseios...


Hoje faz sol
Ouço Vivaldi
Mas, ainda....

...penso em ti!
(ania)
370

Deixa eu te descobrir...


Deixa eu te descobrir
Cinco, dois, ou quem sabe,
Um minuto?

Te sinto nas pedras do rio,
Nas árvores, no mato,
No sol que aquece!
Rompa as manhãs
Solta as tuas asas
Voe sem laços
Voe...
Venha pela brisa
Venha, que...

...um dia te encontro!
(ania)
418

...e se eu partir? (soneto)


E se eu me for e de brumas me vestir
e partir na noite, trilhando distâncias,
me transformar em milhas e em frente ir,
seguindo sob qualquer circunstância?

E se eu me for sem mesmo permitir
um beijo nem gesto em concordância,
e com o olhar no além, somente seguir
em frente, chorando, mas com elegância?

E se depois de algum tempo, a nostalgia
se fizer presente e no som do vento
tu ouvires minha voz em teu pensamento?

Mesmo não vendo ninguém, a tua poesia
me trará, e tu te sentirás tão só
que chorarás por ti...chorarás por nós...
(ania)

(Ouvindo Requiem for a dream)
https://www.youtube.com/watch?v=ZnszLJOIMPU
529

Tudo tão definitivo...(soneto)


Nos ponteiros do tempo os dias avançam
e a vida vai seguindo sem nexo, vazia,
sem vislumbres de querenças, nem alegrias,
nesse caminho só tristezas me alcançam...

Não há som nem das folhas que balançam,
dos pirilampos nem brilho, nem fantasia,
sigo só rumo a perpétua calmaria
onde nem as ilusões, nem os sonhos, dançam...

Não há vestigios de risos, nem sinfonias
só a aridez de um frio e rude deserto
e um céu de plúmbeas nuvens, coberto...

Nada mais há, só um seguir que se abrevia,
a cada passo o final chega mais perto,
tudo tão definitivo, tudo tão certo...
(ania)
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Comentários (17)

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amei
amei

amei parbéns

jrodrigues

Escrita muito própria, singela mas ao mesmo tempo profunda

Parabéns, gostei de ler!

devoto

Ania quero de coração agradecer tuas palavras em minha humilde pagina. Você esta entre as grandes estrelas da poesia Brasileira. Parabéns!

A dor é um dos melhores combustíveis para os que escrevem, não podemos dizer o mesmo para a felicidade, mas, faz parte da vida. Espero que a solidão não resuma a sua existência, seja apenas um ensinamento assimilável com o tempo, ainda que demore um pouco. Felicidades