Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

n. 1980 BR BR

Poetisa digital e popular, folclorista por natureza, latinoamericanista, residente em Rodeio, conhecida pelo seu blog Versos Intimistas e poemas dedicados a Rodeio, ao Médio Vale do Itajaí, a Santa Catarina, ao Brasil e as três Américas. Todos os meus livros estão disponíveis gratuitamente.

n. 1980-05-30, Rio de Janeiro

Perfil
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Convergência Abraâmica

Agir por impulso conduz

ao caminho enganoso 

como menos tortuoso,

Porém, que pode distrair

e levar a perder forças

para continuar a seguir.

 

​Agir pela razão conduz

ao caminho estreito

considerado imperfeito,

mesmo mais lento, 

Você não perderá 

a margem segura 

da sua movimentação.

 

​Entre o impulso e a razão,

por onde a convergência 

abraâmica nos orienta,

não nos leve à queda 

no abismo da tormenta.

 

 

 

 

Ler poema completo

Poemas

1594

Ciranda-baile

O meu olhar te busca
na Abertura desta Ciranda-baile,
Dançamos com malemolências
mil todas as miudezas,
E no Encerramento nos demos 
conta que percebemos que 
sem querer estamos morando dentro

191

O Acordeão Misterioso

Esta noite resolvi 
contar uma História
daqui de Rodeio
que fica no belo
Médio Vale do Itajaí.

Uma História de amor 
infinito que talvez só
os antigos tenham 
conhecido, visto ou ouvido.

Um imigrante italiano
que tocava acordeão 
em todas as missas
e que entregou o coração 
para uma freira da antiga
Congregação sem esperar
nada em troca por parte dela.

Um dia a freira adoeceu
de uma enfermidade
desconhecida e todos 
os dias no final da tarde
ele ia tocar para ela 
no antigo Convento
que está fechado na cidade.

Numa dessas tardes
o apaixonado acordeonista
recebeu a notícia 
que a amada não resistiu,
e partiu sem saber do amor 
que ele mantinha por ela:
este homem naufragou 
numa tristeza profunda 
e num silêncio incalculável.

Como um italiano oriundo
de Trento viveu o luto 
diário e inquietante,
Quase não dormia, quase não
comia direito e comparecia 
as Missas com a tristeza
estampada na fronte. 

Os fiéis e as pessoas mais 
chegadas sabiam que a razão 
desta tristeza era a partida 
da freira para junto do Pai,
mas evitavam falar na frente 
porque ele manteve 
uma atitude distinta até 
o último dia de vida da amada.

E foi numa determinada manhã
que os companheiros de lavoura
sentiram a falta dele, 
Todos ficaram preocupados
porque o companheiro era pontual,
e foram até o ranchinho 
que o apaixonado italiano 
morava sozinho e encontraram 
ele com os olhos fechados e um ar 
de serenidade abraçado ao acordeão.

Um dos companheiros percebeu
que o companheiro de tantas lutas
havia partido e alertou os demais
que ficaram atônitos
e ainda mais perplexos porque
naquela cena o acordeão 
que estava diante deles nos braços
do falecido havia desaparecido;
E foi assim que o sofrimento
deste amor não resolvido se 
deu por definitivamente findado:
primeiro foi a freira e depois 
o acordeonista que 
partiu para junto do Pai.

O acordeão inexplicavelmente 
havia desaparecido,
só sei que depois disso
alguns escutavam
o som do acordeão tocando,
uns viam o acordeão voando,
outros viam o acordeão
nos locais mais inusitados, 
E quando iam procurar
não havia acordeão nenhum
ou quando olhavam de novo 
não o encontravam mais.  

(Ficou gravada na memória
antiga esta História de Amor 
que acredito que nos dias 
de hoje ninguém encontra mais).


 

195

Língua Portuguesa


Confesso que tenho
um caso que me leva
do Inferno ao Céu
mesmo estando com
os dois pés na Terra,
A cada dia que passa
o envolvimento sem
pensar só aumenta,
um misto que me faz
sentir vaga e plena,
Assim sou eu mesma
e a Língua Portuguesa:
um romance para a vida inteira.

160

Boi paranista


O meu Boi paranista,
é Boi de Mamão,
Ele dança na praia
com toda a vibração,
Ele dança no pasto
e não para nunca não;
Ele é o meu querido
que deixa sempre
o coração apaixonado,
Não existe boi no mundo
que seja mais amado.

129

Boleadeiras da angústia

As enchentes 
são as lágrimas
da terra fadigada
que não pode 
ser mais negada
e deve ser resgatada

O cavalo no telhado
da paciência 
provou o heroísmo 
por muitos esquecido
em tempos de peitos 
desapontados e doridos 
 
As falsas notícias 
tornaram o curso 
do rio da vida ainda
mais dificultado,
fato que não pode 
jamais ser negado

Com cada herói revelado,
como povo deslocado,
e lado a lado de tudo 
o quê não pode ser ocultado
no ritmo imparável 
das boleadeiras da angústia 

Com rebanhos inteiros 
por muitos desconhecidos,
meus galopes paralisaram 
e outros submergiram,
resisto no anonimato 
como o cavalo ainda por ti olvidado.

186

Poeta sem vergonha


Disseram-me que eu deveria 
ter vergonha de escrever poesia 
porque a minha escrita é comum,
Graças ao meu bom Deus 
que muitos dizem me entender, diferentemente da tal 
pessoa que disse não gostar 
e desconfio que ela não sabe ler.

Ler não é o ato isolado de ler,
existe gente que só de escutar 
ou até simplesmente tatear 
sabe com maestria entender,
Na vida só se pode dizer 
que sabe ler só se você 
de fato consegue entender.

A tal infeliz ainda ratifica que 
eu deveria ter vergonha do que 
escrevo e de ser chamada de poeta,
Vergonha mesmo eu não tenho,
porque ser poeta sem vergonha
é só para quem nasceu com talento.

193

Chimarrão verdadeiro

 

O meu coração é feito 
das cinco regiões 
do meu Brasil Brasileiro,
minha Pátria de sangue,
destino e meu amor primeiro.

Eu sou poetisa do Sul,
as minhas rimas são do Sul, 
a minha poesia é do Sul,
e por entre elas vive 
perpétua a América do Sul.

O meu espírito e meu corpo
são feitos das cinco regiões 
do meu Brasil Brasileiro
que encontram contentamento 
na Craibeira que dá sombra 
e a visão sublime enfeita.

Eu sou poetisa do Sul Brasileiro 
que só tem o espírito saciado 
com Erva-Mate Tradicional 
para o meu Chimarrão bem feito
porque a qualquer hora ele é perfeito.

Em mim moram as cinco regiões 
e toda minha poesia também 
mora em cada uma delas 
e esperando o florescer as Craibeiras,
a hora da colheita da Erva-Mate
para que o Chimarrão de verdade
jamais falte nas nossas mesas.

174

Samba-me

Se você me ama 
mesmo não tarde,
Vem, me ame
e 'samba-me'.
 

155

Aurora Austral

Rosas vermelhas, outras 
cor-de rosa e algumas 
discretas violetas no jardim 
do Hemisfério Celestial Sul
desabrocham para tingir 
a Via Láctea de Aurora Austral
enquanto beijam os nossos 
olhos e dos sonhos
se tornam totais habitantes 
dos territórios mais amorosos.

155

Auroras

As auroras austral e boreal
são as danças dos deuses,
do nossos hemisférios
elas derrotarão os reveses.

Mesmo que ninguém creia 
estão escritas nas estrelas 
as evidentes exegeses
aos que sabem bem lê-las.

Dizer não à guerra ainda 
inspira mesmo que uns
não tenham mais fé na vida.

Tirar o sapato apertado
para andar com os pés 
descalços é o urgente apelo.

145

Comentários (19)

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Eu moro no interior do Estado de Santa Catarina. A minha vida é na pacata cidade de Rodeio, Médio Vale do Itajaí.

Minha cara poetisa... sabe como gosto de teus textos... as vezes comento as vezes não... mas ver as estrelas como tu a vê...somente pelo meu sonhos que em uma noite parecia que meu corpo estava acima das nuvens , onde tinham tantas estrelas pequeninas e acordei com esta forte comossão. ( me parece que tu viajas muito ) ? bem abraços e muita saúde. A todos os seus. Ademir.

Olá amiga Poetisa.... belo texto poético ... estás a procura do bem viver , mantendo o significado de seu bem querer. pessoalmente , acho teus versos um encontro da natureza que frutifica teu belo coração. Parabéns. Ademir.

Olá cara poetisa.... tu fizeste bem fazer da paz uma rebeldia , em poema de grande alegria. abraços.

Ok... Poetisa muito belo este testo poético.