Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

n. 1980 BR BR

Poetisa digital e popular, folclorista por natureza, latinoamericanista, residente em Rodeio, conhecida pelo seu blog Versos Intimistas e poemas dedicados a Rodeio, ao Médio Vale do Itajaí, a Santa Catarina, ao Brasil e as três Américas. Todos os meus livros estão disponíveis gratuitamente.

n. 1980-05-30, Rio de Janeiro

Perfil
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Tudo o que pedi

Juntos, sem questionar,

no ritmo de Caribe clássico,

muito além dos petroglifos.

Ler com o que há de mais fino:

o casamento sobrenatural

neste encontro sem igual.

 

​Deixar o amor conduzir

até Bequia, a Ilha das Nuvens.

Confiar a jura de amor

sob a amendoeira-da-praia,

com entrega apaixonada.

 

​Permitir ser feliz sob o sol,

o sal do mar e o florescer

poético da soufrière tree.

Agradecer a Deus porque

chegamos intactos até aqui,

e porque és tudo o que pedi.

 

 

 

 

Ler poema completo

Poemas

1596

Há beijos...

 

 

Há beijos que pronunciam por si sós

a sentença de amor condenatória.

Principalmente aqueles beijos dados

em segredo no coração não têm volta.  

 

Gabriela Mistral, Claudio Estrada,

Rufino Blanco Fombona,

Fortoul-Hurtado e o poeta anônimo

de um poema viral — meus advogados —,

trouxeram à luz que a tua existência é a prova. Venha, porque a hora de amar é agora!  

 

Há beijos que se dão com o olhar,

tantos dei e ainda te dou sem que saibas.

Há beijos que se dão com a memória,

os nossos não acabarão em nada.  

Haverão de ser os nossos beijos

o nosso estabelecimento da íntima pátria.

 

...

Nota: Este poema foi inspirado no famoso "Beijos", erroneamente atribuído a Gabriela Mistral. Invoco Mistral e outros autores como "meus advogados" para denunciar ironicamente essa falsa atribuição. Uma homenagem ao verso que se tornou uma expressão popular de amor.

7

Português Brasileiro

Durante a madrugada o teu ardor de sedoso me chamou.
O desejo intrépido pela fusão
de dois metais em brasa vazou,
porque sei que por minhas curvas em silêncio você por elas rezou.


Hipnotizado pela minha irreverência capaz de fazer pousar leve como garça-vaqueira no estuário,
sabes que não preciso
de nenhuma língua geral
para que seja o poemário.

 

Com o meu bom Português Brasileiro sou capaz de encantar e te levar fácil,
com toda a potência para o campo tátil, te colocar afinado nos ritmos do peito, para que rendido se entregue inteiro.

5

Guanandi

Não preciso de permissão

para tomar conta da sua

consciência íntima toda.

Por ter a senha e a chave,

entro a qualquer hora,

com calma, porque moro

no coração e no pensamento,

certa de que já me esperava. 

E não me desculparei nunca

por te desejar inteiro:

tornei-me o adorável tormento.

 

​O mundo lá fora implora

por sua atenção.

Com tato de senhora

do que a sua mente quer,

mostro lado a lado

tudo o que você sempre

sonhou e nunca vivenciou;

porque, sem volta,

nos sagramos atlânticos.

 

​No abandono luxurioso

a dois, em banho dourado

pelo preguiçoso sol de junho

cortando o guanandi,

sem perder o embalo

alucinatório com os rubis

íntimos totalmente pulsantes,

trocamos os lábios coralíneos

bailantes, vivos e famintos,

por plânctons místicos.

Somos a continuidade

do romantismo proibido.

6

Catuaba-branca

Fique.

Quando a rendição chegar sem resistência,

e o desejo se curvar com fina ardência 

à minha vontade cheia de malemolência,

a entrega plena te tomar por inteiro,

a liberação através do controle firme,

afastando o ruído do mundo e as influências 

que ainda tentam distrair e levarem ao limite.

 

Fique.

Se for para florescer em tremores,

quando o minuano soprar forte, 

roçar, balançar e amainar 

tão fundo como catuaba-branca

na profunda e verdejante Mata Atlântica.

 

Fique.

Se for para fazer história na existência 

e plenamente amorosa na memória,

quando sentir o frenesi lento,

autêntico, possante e devorador,

e teu corpo aprender leal que 

não haverá regresso com todo amor.

 

Fique.

Com quem comanda num toque 

os teus pontos sensíveis de prazer,

e as rotas com magnitude não permita

nem por um minuto nos esquecer,

e seja o motivo do sorriso espontâneo

sem a necessidade de explicações render.

 

Fique.

Quando teus lábios, meus íntimos 

se abrirem para fundir o ouro

da nossa polaridade com aromas,

perfumes e sabores compartilhados,

e o verdadeiro prêmio for a liberdade 

que só existe na rendição total 

ao que sabe tomar o que é na totalidade

com exclusividade — meu e seu.

 

Fique.

Porque onde eu lidero, tu floresces.

Onde eu tomo, tu te entregas.

E nessa dança ancestral, sem jogos,

nos permitir o pulo do gato e o tesouro

ganharmos muito mais do que o dobro —

eu na minha glória, tu no teu êxtase,

a realidade acordada de viver o nosso sonho.

4

Hemisférios

Fincar-se na terra, semear-se,

permitir-se crescer, florescer

e frutificar-se como o pomar

de frutas doces entre rochedos

e os ventos, para alimentar

o pavão em todas as estações,

é o meu mais ambicioso plano,

literal, secreto e paradisíaco,

para a celebração romântica

da revelação do seu colorido

entre as minhas montanhas.

 

Obedientes ao rito da primavera

e à maturidade que exige

de ambos os dois pés na terra,

embora estejamos flutuando

e o tempo esteja passando

como o rio entre as pedras,

nossas mentes e corações

todos os dias se encontram,

desde o primeiro dia em que nos

conhecemos, estamos namorando.

 

São inatos nas nossas veias

a dedicação, a consciência e o sacrifício,

à altura dos desafios, em nome

das conquistas grandiosas

que incluem a honra e a liberdade.

 

Por isso, tornarmo-nos o grande amor

um do outro é inevitável,

porque está escrito no Universo

que, em breve, despejados dos egos,

reuniremos nossos hemisférios

como águias que não temem

cruzar céus e montanhas.

Seremos espada e escudo —

vitoriosos diante das batalhas.

 

8

Falcões-peregrinos

Não tem nada a ver com clichê,

não existe ninguém como você,

e não preciso sequer reiterar.

 

Tens a capacidade de capturar

o voo dos meus sentidos

que, como falcões-peregrinos,

te aceitam como o mais 

distinto de todos os ninhos,

e não reagem mais

a outros novos destinos.

 

Seja no sobrevoo ou fincada

nas terras das três Américas,

levo o código de reconhecimento

inabalável, com o fogo eterno

no coração e no pensamento.

 

Tal qual a dança das alvoradas

na Baía de Babitonga,

reconheço sem conta

que existe gente que conversa

a vida toda e não alcança

o que uma única mensagem tua

é capaz de comigo fazer:

 

Tu tens potencial completo

para inteiramente me render,

e tu às minhas mãos pertencer.

 

Mesmo quando se afasta 

por qualquer motivo em silêncio,

não me aflito porque dentro 

o porvir está sendo construído.

6

Algo de Amu Darya

Nos jogos entre caçador 

e a sua caça perfeita não

tenho o formidável encaixe,

porque sou na verdade

no deserto da existência 

e n'amplidão o autêntico oásis.

 

Foram e sempre serão postas

demonstrações de seda,

como um banquete na mesa. 

isso não significa acesso fácil,

sou poeta, não se esqueça.

 

Tudo vira algum tipo de poema,

para quem quer tudo no mundo, 

e só não quer ter razão;

para não se perder no labirinto 

do tédio e perder a emoção.

 

Porque algo de Amu Darya 

também corre nas veias,

e para lidar comigo é preciso 

prestar atenção no curso,

para não ser levado pelo turbilhão,

e perder o rumo do seu coração.

5

Flor-de-maio

Penetrei na tua alma

sem sequer roçar a pele,

com rebeldia indomável

na tua carne venerável.

 

Causei a mais rara insurreição,

íntima, profunda e perene,

ao invejar o próprio Sol

que ousa aquecer a tua pele.

 

Ninguém arranca o regresso.

Não há guerra nem distância:

nós moramos dentro

com sublime juramento.

 

Nem que o Hemisfério Austral

se levante contra nós,

é tempo de apreciar

o silencioso e raro florescer

em paz da Flor-de-Maio.

 

Chegará o momento

de rasgar todos os protocolos,

de dar de ombros

aos falsos escudos

das nossas Américas.

 

 

4

Savacu-de-coroa

Diante do oceano que és,

como ave e livre poema,

sobrevoo com asas intensas

nas tuas regiões costeiras,

sem permitir que me vejas,

para abrigar-me nos manguezais

do teu consciente e inconsciente,

e ousar ser o pulmão e a respiração.

 

Súdita dos teus ensinamentos corajosos

que permanecem mesmo em fase

de maré bravia que a presença me priva,

a mente vira árvore e rochedo

onde o savacu-de-coroa se abriga.

 

Não apenas feita de algum sinal,

mas da raiz até a alma sambaquiana,

sob a proteção do Hemisfério Austral,

nas correntes da Baía da Babitonga,

pronta para com amor te tomar sem conta.

 

Porque reinar sob a glória do teu amor

a mim me destina com toda a honra

e pompa que sei que serei digna,

sob o teu olhar feito de fidalguia:

o desejo sedento, a adorável malícia,

e constelação que n'amplidão te ilumina.

 

6

Íris-da-praia

 

Ninguém ou qualquer

situação rompe a paz

de quem assumiu a paz

como filosofia de vida,

sem precisar performar

para ninguém no dia a dia,

o que fascina ou não;

busca só o que faz bem

ao redor e ao coração.

 

A real autopreservação

feminina não é nenhum

pouco da boca para fora,

não tem nada a ver

com abrir trincheiras,

e nem carregar desespero

por qualquer validação:

é manter para si a direção.

 

Como a haste de uma

íris-da-praia em maio,

em alguma restinga

em Santa Catarina,

se dobra diante da força

das correntes, tal qual

reconhece quem é

ou não capaz de a deixar

de joelhos, e se tornou

o habitante dos secretos

e fascinantes devaneios.

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Comentários (19)

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Eu moro no interior do Estado de Santa Catarina. A minha vida é na pacata cidade de Rodeio, Médio Vale do Itajaí.

Minha cara poetisa... sabe como gosto de teus textos... as vezes comento as vezes não... mas ver as estrelas como tu a vê...somente pelo meu sonhos que em uma noite parecia que meu corpo estava acima das nuvens , onde tinham tantas estrelas pequeninas e acordei com esta forte comossão. ( me parece que tu viajas muito ) ? bem abraços e muita saúde. A todos os seus. Ademir.

Olá amiga Poetisa.... belo texto poético ... estás a procura do bem viver , mantendo o significado de seu bem querer. pessoalmente , acho teus versos um encontro da natureza que frutifica teu belo coração. Parabéns. Ademir.

Olá cara poetisa.... tu fizeste bem fazer da paz uma rebeldia , em poema de grande alegria. abraços.

Ok... Poetisa muito belo este testo poético.