A dança Cósmica
Do registro traumático
Levantei o corpo inerte
Convertendo o corpo em dança
Cantando cânticos.
Leitura dos sentimentos
De dores e afetos
Tudo é vida
Tudo é morte
Tudo é arte.
AK
Uma tristeza milenar
escorre pelos corredores da minha alma,
inunda as frestas dos meus dias,
cobre de sombra o sol que em mim respira.
Invade cada canto,
cada silêncio,
cada palavra não dita.
O abismo, paciente,
mira tudo que me envolve —
é olhar profundo,
eco sem fim,
um chamado que pulsa
nas margens do meu ser.
E eu, feito ponte suspensa,
atravesso o vazio
com passos de névoa
e esperança tardia.
AntôniaK
Estou tão cansada
das falácias que ecoam em bocas vazias,
dessas vozes que se erguem
como se carregassem verdades absolutas
mas não passam de poeira,
ruído, distração.
Cansada dos vídeos rápidos, brilhantes,
que prometem conhecimento
e entregam sombras,
fragmentos rasos,
informação sem alma,
conteúdo sem profundidade —
um banquete de nada
servido para mentes famintas.
As pessoas, hipnotizadas pelas telas,
absorvem imagens como quem respira fumaça,
uma névoa que captura, molda,
e dita — silenciosa —
a forma de pensar, sentir, existir.
Buscando algo sem saber o quê,
numa fome insensata, exausta,
que só produz mais cansaço,
mais alienação.
Estou cansada da mídia,
dos discursos prontos,
dos governos que prometem mundos
e entregam labirintos,
da estupidez humana
que insiste em florescer
em tempos que pedem consciência.
Estou cansada.
Mas esse cansaço também é sinal:
o corpo pede verdade,
a alma pede profundidade,
o espírito pede um mundo que respire
menos ruído
e mais humanidade.
AntôniaK
Quando já não creio em nada,
nem nas promessas, nem nas leis,
nem nos templos erguidos por mãos cegas,
nem nos tronos dourados de vaidade,
nem nas verdades que mudam conforme o vento —
sinto a dor antiga do humano,
essa ferida que não cicatriza.
O vazio me habita,
ecoando entre ruínas e telas,
entre o cansaço dos dias
e a desesperança que nasce
do excesso de lucidez.
E ainda assim —
busco um fio,
um lampejo,
um sentido ínfimo,
para continuar existindo.
AntôniaK
Doem as lembranças
Do que fomos
Um tempo inteiro, doce, nosso
Fere o peito pensar
Que não deu certo,
Que deixamos palavras frias
Escorrerem como lâminas sobre nós,
As vezes te procuro na saudade,
As vezes busco a menina que fui
Aquela que acreditava
Na ternura do mundo, no amor,
Hoje caminho devagar
Por dentro de mim,
Tentando encontrar
O que em nós se perdeu.
Antônia K
Gratidão!
PARABÉNS ANTONIA PELAS PALAVRAS PELO SENTIMENTO GOSTEI DE TEU POEMA UM ABRAÇO