ANTONIO AÍLTON

ANTONIO AÍLTON

n. 1968 BR BR

Alma em trânsito, enquanto chove e os pequenos seres sofrem sua compaixão diária. O andarilho planta as sementes do Sol.

n. 1968-12-29, SANTOS SILVA

Perfil
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Poemas

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ESCRITOS ALEATÓRIOS PARA MÁSCARAS E INCERTEZAS

Flor é a palavra flor, não por dizer, mas por silenciar

Flor é o crisântemo aceso aguardando com ansiedade
a visitante tardia

Flor é o bicho de Lígia Clark quando você toca
e ele se abre

Flor é a orelha decepada de tuas obsessões psico-sexuais
derramando girassóis no ocaso para espantar os
últimos corvos
(há sempre relações possíveis entre folhas e navalhas)

Flor: rã de Patrick Süssenkind na vulvinha virgem da próxima vítima
engolindo insetos e aspirando o hálito ainda quente de um
perfume desconhecido

Há flores que nascem no estrume das feiras livres de Paris

Mas não exagere em arte conceitual, chá de papoula é
natureza morta
pintada de amarelo
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FOLHAS RESPINGADAS DE ACASO

para as grandes chuvas
a silhueta na distância
traz antiguidades

no imenso pátio
só pra lua ouvir
faz pipi nas calças

ah, luas de lama
duas poças para dormir
fuça aqui fuça ali

plantadas em casa
as samambaias nos xaxins
sonham primaveras
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SEM LENDAS

tua calcinha
força as escadas
de serviço

exala
o mesmo cheiro de mijo
e fartum
da madeira velha das escadas

tua ureia
estruma este mundo
de cirrose e miséria

no faro calejado do porteiro
planta
uma surrada metáfora
de iluminaçao, quem sabe
flor

qualquer coisa é pizza
para minha fome
32 caninos

e um nariz enorme
para enfiar
na tua gentileza

no teu
feromônio
753

INVERNO

A única inspiração do teu vazio
é um caramujo pendurado da parede
como um ponto final na umidade
encerando a página virada
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