Antonio Cabral Filho

Antonio Cabral Filho

n. 1953 BR BR

Sou Antonio Cabral Filho, que em vossa presença emigra; do pinto que não quer milho, João Cabral que lhe diga.

n. 1953-08-13, Rio de Janeiro

Perfil
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Trovas da Amizade - Antonio Cabral Filho - Rj

I
Saúdo ao "Escritas.org"
pelo espaço concedido;
não sou vara que se morgue,
mas espero ser polido.
II
Amizade não tem preço,
nem é presente que enjeito;
é sempre mais que mereço
e guardo aqui bem no peito.
III
Bendito o que vem comigo,
sem mensalão nem gorjetas,
provando ser meu amigo
pelo caminho das letras.
*
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Poemas

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Trovas da Amizade - Antonio Cabral Filho - Rj

I
Saúdo ao "Escritas.org"
pelo espaço concedido;
não sou vara que se morgue,
mas espero ser polido.
II
Amizade não tem preço,
nem é presente que enjeito;
é sempre mais que mereço
e guardo aqui bem no peito.
III
Bendito o que vem comigo,
sem mensalão nem gorjetas,
provando ser meu amigo
pelo caminho das letras.
*
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Auto Retrato aos 60 Anos - Antonio Cabral Filho - Rj

AUTO RETRATO AOS 6O ANOS # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

*
-Antonio Cabral Filho-

Nasceu em Jampruca, uma carvoaria,
em Frei Inocêncio, Minas Gerais, 
no dia 13 de agosto de 1953.
Altura 1, 65
calça 40
colarinho M,
já fumou, bebeu,
bateu cabeça por aí,
até dar de cara com o sol,
mas deixou disso.
Gosta de viver em paz, 
consigo e com os outros
e torce pra não pintar rebu,
porém...
Gosta de ouvir rádio,
detesta telefone, campainha,
barulho no portão,
odeia gente que fala alto,
usa óculos só pra ler
e está ficando calvo.
Só come pra matar a fome
e não recusa jiló como aperitivo.
Adora frutas e doces
e vigia suas compulsões.
Gosta de música, de todo tipo, 
mas a mpb domina,
lê de tudo, até jornal do metrô,
e inventa matérias sobre eles
em forma de crônicas.
Já escreveu um monte de livros,
mas editou só três, em papel,
e em e_book 35.
Desconfia dos ateus, 
pois já viu um deles
mudar de calçada
devido a um gato preto.
Nunca se filiou a nada,
nem pretende.
Vive de pé-atrás
com que declara ódio à burguesia
e amor às crianças...
Escritores que mais cultiva:
Graciliano Ramos, Emile Zola,
Maiakovski, Brecht, Benjamin,
Ferreira Gullar, Gonçalves Dias,
e seus contemporâneos.
Tem atração por alguns
palavrões, como buceta, cu,
boquete, 69, frango-assado etc,
beija lentamente, 
sem
 respirar...
Não tem preconceitos profissionais,
desde o cabo da enxada
até à mesa de produtor gráfico,
se vira mais que o Faustão.
Quer distância de quem deseja
a morte dos outros,
pois acaba indo na frente,
furando a fila dos defuntos.
É tido por pessimista, 
mas só ele sabe o que já viu.
Não troca de guarda-roupa,
pois não coleciona o conteúdo.
Reescreve exaustivamente 
seus contos e poemas,
a ponto de desconhecê-los depois
e já fez turismo na cadeia
por subversão...
Faltou comida no quartel!
Também já foi avesso
a modernices tecnológicas,
mas descobriu o leptop
aos sessenta anos de idade
e não se arrepende.
Seus melhores amigos
são os inimigos, pois
sabe o que eles pensam de fato.
Não tem dívidas
e se fosse matar quem lhe deve,
resolveria boa parte
do problema habitacional.
Não é perfeito, 
nem  é burro bastante
pra deixar de aprender,
mas espera fazer vingança
quando morrer, matando 
de chorar os amigos
e de rir, os inimigos, 
até o ano que vem.
***
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Nuvem de Haicais - Antonio Cabral Filho - Rj

Nos filhos da lua,
jamais se apaga a esperança:
Canto Pataxó.
*
Meu banho de lua:
despedida de solteiro,
dançando twist.
*
Sereias da lua,
ou aquário de São Jorge:
Cabaré dos poetas.
*
De ponga na lua,
turismando entre as galáxias:
Yúri Gagárin.
*
Lagoa dos Patos,
na noite de lua cheia:
Pescaria farta.
*
Na noite 
sem
 lua,
gato pardo nunca vi:
Dois faróis no escuro.
*
Na Faixa de Gaza,
serenatas a Samira:
Nem na lua cheia!
*
Seus uivos caninos
saúdam a lua cheia:
São lobos no cio.
*
Gatos ao luar:
A plenitude do cio
sacode telhados.
*
Hoje é lua cheia:
Lobos lunáticos uivam,
na febre do cio.
*
Serra do Paiol,
faz loas à lua cheia:
Tem tatu na brasa.
*
Reflexos da lua
sobre as águas da lagoa:
Peixes encantados.
*
Sob a luz da lua,
dançam duendes no palco:
Vitória Régia.
*
Clarão do luar:
No olhar tenso da coruja,
dançam velhas bruxas.
*
Menina feliz,
na pesca de lua cheia:
- Peguei namorado.
*
Cio das marés, 
no auge da lua cheia:
Orgia dos astros.
*
Olho as Três Marias:
Crianças brincam de roda,
à luz do luar.
*
Na taça sem mel,
despedida de solteiro:
Lual de noivado.
***
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