Meu fogo pega algum lugar, um tempo, um momento, instante..
Pra quê pressa!
Pra essa vida bom momento você mesmo constrói
E tudo tem seu tempo,
E tenha tempo pra contemplar todo momento, todo sentimento,
São únicos acontecimentos..
Mas pere um pouco seu humano desumano demasiado,
Como que isso você não consegue experimentar?...
714
Aforismo sobre sentimento
Eu sou quase nada.
Sou apenas um suspiro, um fantasma.
Sou neutro, sou apenas um vento que soa nos ouvidos de quem pode ouvir.
Sou apenas um vulto para olhos míopes que menos ainda me enxergam.
Sou finalmente sua ligeira lembrança, uma rápida aparição que aos poucos se esvai..
540
Dos encantos desencantados.
Vi hoje o brilho de uma estrela apagar como se fosse sonho.
Senti como se fosse as cinzas de um tempo fogo
Que até mesmo o tempo esqueceu.
Sou hoje esse verso dela e eu, que agora desfloresceu..
Morte a esse sentimento que em mim moribundamente teceu...
Cansei, estou fora desse sentimento de outrora.
464
Eis o grito do artista que cria seu próprio brilho, sua própria vida.
O meu sangue nasceu sentenciado a morte. Não há res-peito no peito de quem desigualmente me eclipsia a vida. Matam-me desde sempre! Aqui jaz! Onde nunca pude me virir além de mim mesmo. Morto e executado desde o dia em que nasci. Extirpado em vida! Esgotado é o mundo! Fim-dá fôrma em vazio à todo sumo do meu ser.
460
Da luta, labuta..
Escrevo como se quisera por para fora, Expirar algo da qual pulsa claudicante o meu coração.
Exponho por que é desse modo que luto, Não criei, nem aprendi outra maneira ou estilo de luta.
É assim que exponho a vibração que ainda corre em minhas veias, Em cores encarnadas estribrilha minha alma... Da luta, labuta! É vida!
Mas se não por isso, e mesmo assim tu negues ouvir-me Ou Satirizo uma nova ilusão, ou então, se já não houver forças, nem mesmo implicação/intentação, Serei eu meu próprio vácuo, um fim que sou, E sempre serei e tudo há de assim ser.
Escurece oh meia noite, eis que me reconheço nela, Junto a ela, e no mesmo ato deste desato que tudo escurece em mim. Assim findo minha luta, mas fim-dando, outro tempo brilharei/vibrarei, Serás eu o próprio meio dia... Que astro, oh!
975
Apenas este
Definitivamente o que é azul, o céu ou o mar? Ilusão da minha parte, que parte? Sem parte, nem medida, não tem! Que ilusão és-te, sem dimensão sois, um ser igualmente perdido, desmesurado! Desperdício só para mim, quem sois? Não sou príncipe, não sou estátua, não sou coisa alguma! Apenas sou este, nada mais... Mas para quê subjaz a minha existência? Que perdição! Sou este, apenas este, nesta supérflua dimensão.. ilusão!
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Dance!
Uma pergunta a ser feita ao homem (e seus costumes), esses pregadores do não rebento; Vós que sois iguais o tempo todo, para quem queres ser iguais o tempo todo? Você não sente o seu desprezo à mudança, tua mudança! dança... dança! Não supera a ti mesmo. Humano pequeno, Escolhe por livre espontaneidade tua pequenez? Não ti lamuries, depreciando quem tendes a ser, tudo muda o tempo todo, tudo é novo e tudo retorna sem cessar. Não tens amor sobre este fato em teu coração? Então não és capaz de amar a si mesmo, e nem ao fato existencial! A quem queres amar? Ame primeiro Tua tensão, teu fato de existencia, e a tua transformação, acuração. Retorna incessantemente para ti e ama-te.
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Amigos
Meus amigos, normais amigos, eu também gosto de fazer coisas fora de um padrão já determinado e comum. A novidade, o novo ato me instiga, me encanta, isto me faz sentir vivo, à vocês não?
Meus amigos, normais amigos, eu não tenho tantos amigos, nem muito menos tenho amigos loucos ou que ao menos elogiem a lou-cura, que também façam loucuras, e como um raio, fuja da regra e iludam as normas.
Não se trata, pois, de uma loucura total, trata-se de uma dança, de um saber ser e fazer diferente, mas nem sempre, pois “todos temos um par de chinelos velhos onde nos sentimos mais a vontade e podemos para lá voltar”; é compreender que pode vir a ser, uma dança, andança…
“É preciso saber vi-ver!”, como cantarolava Gonzaguinha, mas antes não concordam que é importante aprender a dançar?
Oh normalizados amigos, não precisamos – sempre – repetir (apenas reproduzir) o feito, o per-feito, de uma cultura perceptivelmente em decadência: em que rótulo encontramos este ou aquele certo/errado? Por ser mais conveniente julgamos ser aquilo que é vivo, unicamente isso é vivo? E ainda, é vivo para quem? Mas é este fato, em suma, ao mesmo tempo, vazio de Si, portanto, vazio. De que então valerá tu? Tua vida? Teu suor? Tua luta para se manter vivo nesta vida?
Mas normais amigos, desculpem-me se se julga isso que vos falo inconveniente. Mas me chega um sentimento de que não sinto prazer em vi-ver repetindo as tradições dos outros, não totalmente, ou levando até o pé da letra, percebo que é bem mais legal podermos criar, podemos depois voltar, não há quem nos impeça tentar..
No mínimo, olhemo-nos a cultura de nós mesmos, todos temos um mundo dentro de si, que pode ser infindável… Cabe-nos ao menos verificar se há luz, se há força para girar por si mesmo uma roda, a roda das rodas! Há esse esmerado movimento que acontece no mundo, esse eterno girar, ser, Vi-ver.
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Deixe ir…
Nem toda ida é um adeus, Nem toda chegada é uma partida… Não se desespere mariînha, O mar na certa me voltará…
Nem todo torto a sorte cura, Nem toda sede má deve matar… Toda feita de ternura, Com todo sol ei de vir contar meu ser-tão…
Mas cá pra cá sonho meu, Nem todo adeus é para sempre.. todo o mar deve vir me deixar, Deixe ir! Deixe! Volta! Deve voltar…
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Do lampião
Eu sou de cangote, Eu sou de cangaço, Eu sou ascendência Eu sou lampião, Eu sou lá do sertão... "E na certa é por isso mesmo" Que tudo é coragem no meu coração.. Já fui humilhado morto sepultado Mas quem disse que sou um ser igual a tu? Já lhes disse Eu sou lampião, sou feito de uma sina Que termina com destruição/desconstrução; Sou de cá dessa caatinga, Que nem mesmo tu imagina Com essa primeira ilusão... E não me negue seus pensamentos Pois sou capaz de lhe roubar, Não me deixe de evocar.. Eis o que eu amo Eis a força que eu represento Eis o que eu amo Eis o que espontaneamente rebento Eis a minha imensidão O meu bem meu mal minha própria ilusão É o caos que dentro de mim anseia em ser esxposto Eis que me chamo lampião..