Luna, gostava de te explicar Assim - simples e claro Que há em todo o Amor Um quê de estranho... e um quê de raro.
Começa tudo a brincar Sem qualquer má intenção Com pormenores a brilhar No meio da multidão. Inicia de mansinho Sem pressas ou agitação É uma piada. Um carinho. Um gesto ou uma atenção.
Fica a fotografia, lá guardada na memória Mais um detalhe ou papel no sótão da nossa História.
Não ligamos à partida... Já passamos por aí! Temos história, temos vida Mais pesos e regras aqui.
Pouco tempo. Pouco espaço. Menos paciência e fervor. Mas não contamos com o traço Que dá à vida o Amor.
Não fosse ele reaparecer, sem razão ou fundamento E o Tempo aumentaria o baú do esquecimento. Mas estranha coincidência e rara conjugação Levam a que este baú no Amor não tenha mão.
Não querendo isto dizer Que é destino ou está traçado, Pois em tudo o que é viver A Condição é o fado Cabendo-nos apenas escolher - e nem sempre com saber Se entra Acaso deste lado.
Dizia eu: Após o seu doce toque (suave som, breve sopro) Põe o Mistério a reboque, Chama o Azul que há no outro.
A Imaginação, o Riso, o Perigo Unem-se a ele a brincar. Ternura, Sorriso e Sentido Fazem fila pra ficar.
E nesta conjugação de factores Estranha, rara e de passagem Renascem velhos valores Ganham espaço, criam cores E alteram a paisagem
Tudo joga em euforia Quando o encontro acontece. Tudo é a fantasia Da Urgência e d' Alegria No frenesim que enlouquece.
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Ao encontro seguem-se outros... E outros... e outros ainda. Todos igualmente loucos, Cada qual com a sua rima. Difíceis de entender, Sem qualquer explicação Excepto aquela de viver Tendo o Sol como Paixão...
Na perfeita perfeição Desta instintiva vontade Entendemos a razão Do Mundo e da Liberdade.
E nesta viagem única De leveza e de prazer Reconhecemos que a Vida É bonita de viver...
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- E Depois? Depois se verá... Faz já parte de outra estória Não tão forte, não tão quente, Se não me falha a memória...
Mas Luna - fica o resto e a eterna esperança Já cansada... meio vaga... Que será diferente a lembrança: Neste caminho, outra estrada.
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De Vez em Quando
De vez em quando paramos, Deitamos fora o já velho e sem notar, recomeçamos... Novos trilhos mais sentidos - que o sentimento é mais forte Mais intenso e colorido. Nova arte, nova sorte.
Alteramos as rotinas, sorrimos ao acordar Reganhamos a energia de viver e de sonhar.
De vez em quando acontece... Despertar do dia a dia. E mal daquele que não troca O linear pelo incerto. A tristeza pela alegria. E o real pela fantasia.
Recuperamos o sentido. Deixamos o Sol entrar... Sabemos, intimamente, que vale a pena mudar......
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Bicho
Tenho razão - ouviram? TENHO RAZÃO! Vós tendes o mundo, o trabalho e a moral... Pintais com cores mortas a imensidão Das coisas, dos seres e do que é universal.
Viver convosco cansa sobremaneira Desgasta qualquer um que só queira Passar um tempo, beber bom vinho E não deixar rastro nem caminho.
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Haja Vontade
Meu amor, haja vontade De agarrar com toda a força, Mas soltar com liberdade.
Meu amor, haja vontade De correr com alegria, Mas parar com sabedoria.
Meu amor, haja vontade De sorrir com o corpo todo, Mas chorar com humildade.
Meu amor, haja vontade De amar a cada dia, Sem tal ser monotonia.
Meu amor haja vontade De adormecer nos teus braços Nos teus seios, nos teus traços Sem moral e sem idade.
Sem vontade, meu amor, Somos bichos de passagem... Com amor e com vontade, Somos eterna viagem.