António Guerreiro

António Guerreiro

n. 1974 PT PT

n. 1974-02-05, Arruda

Perfil
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Luna

Luna, gostava de te explicar
Assim - simples e claro
Que há em todo o Amor
Um quê de estranho... e um quê de raro.

Começa tudo a brincar
Sem qualquer má intenção
Com pormenores a brilhar
No meio da multidão.
Inicia de mansinho
Sem pressas ou agitação
É uma piada. Um carinho.
Um gesto ou uma atenção.

Fica a fotografia, lá guardada na memória
Mais um detalhe ou papel no sótão da nossa História.

Não ligamos à partida...
Já passamos por aí!
Temos história, temos vida
Mais pesos e regras aqui.

Pouco tempo. Pouco espaço.
Menos paciência e fervor.
Mas não contamos com o traço
Que dá à vida o Amor.

Não fosse ele reaparecer, sem razão ou fundamento
E o Tempo aumentaria o baú do esquecimento.
Mas estranha coincidência e rara conjugação
Levam a que este baú no Amor não tenha mão.

Não querendo isto dizer
Que é destino ou está traçado,
Pois em tudo o que é viver
A Condição é o fado
Cabendo-nos apenas escolher - e nem sempre com saber
Se entra Acaso deste lado.

Dizia eu:
Após o seu doce toque
(suave som, breve sopro)
Põe o Mistério a reboque,
Chama o Azul que há no outro.

A Imaginação, o Riso, o Perigo
Unem-se a ele a brincar.
Ternura, Sorriso e Sentido
Fazem fila pra ficar.

E nesta conjugação de factores
Estranha, rara e de passagem
Renascem velhos valores
Ganham espaço, criam cores
E alteram a paisagem

Tudo joga em euforia
Quando o encontro acontece.
Tudo é a fantasia
Da Urgência e d' Alegria
No frenesim que enlouquece.

*******



Ao encontro seguem-se outros...
E outros... e outros ainda.
Todos igualmente loucos,
Cada qual com a sua rima.
Difíceis de entender,
Sem qualquer explicação
Excepto aquela de viver
Tendo o Sol como Paixão...

Na perfeita perfeição
Desta instintiva vontade
Entendemos a razão
Do Mundo e da Liberdade.

E nesta viagem única
De leveza e de prazer
Reconhecemos que a Vida
É bonita de viver...


*******

- E Depois?
Depois se verá...
Faz já parte de outra estória
Não tão forte, não tão quente,
Se não me falha a memória...

Mas Luna - fica o resto e a eterna esperança
Já cansada... meio vaga...
Que será diferente a lembrança:
Neste caminho, outra estrada.
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Poemas

2

Salmo





Já foi azul o que hoje vês negro

Já foi florido o deserto de nós

Já foi audácia o que agora é medo

E música clássica o que hoje são dós.





Foi pouco a pouco que as flores secaram

E todos os seres perderam a cor

Foi pouco a pouco que os anos passaram

E se perdeu, algures, o amor.



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Pescador





Sou pescador de águas profundas



Quanto mais fundas, mais fecundas.



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Comentários (3)

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Maria Lucena
Maria Lucena

Lindos poemas...

António Guerreiro

obrigado pelas palavras João...

João Botelho
João Botelho

Os seus poemas são obras de arte... Não tem mais?