O Velhinho
O Velhinho
O sol! sol abrasador de meio dia
Caía em cheio no caminho deserto
Não havendo uma sombra, ou um coberto
Onde descansar do calor que fazia
E, naquele sol impiedoso, escaldante
Caminhava a pouco e pouco já cansado
Apoiando-se a muito custo no cajado
Aquele velho andrajoso caminhante.
As borboletas são as suas flores do espaço
E as plumagens coloridas dos passarinhos
São como seus cantares, únicos carinhos
Que cheios de ternura, o envolvem num abraço!
Caminhando só, enfrenta a natureza
Virá uma brisa, encontrará uma fonte
Encontrará um vale, descido o monte.
E, onde possa saciar sua fraqueza!
E quando às vezes a noite caí no caminho
Fica dormindo ao relento, noite aberta
Fitando as estrelas doiradas da coberta
Que espiam dia a dia o seu caminho.
Armando A. C. Garcia
São Paulo 18/03/1964 (data da criação)
Visite meus blogs:
http://brisadapoesia.blogspot.com
http://preludiodesonetos.blogspot.com
http://criancaspoesias.blogspot.com
Direitos autorais registrados
Mantenha a autoria do poema
Vitória injusta
Vitória injusta
Não vence quem a vitória injusta conquista
O tributo que aufere inda será tornado
Vitupério algum será troféu de artista
E um dia... verá não ter sido admirado !
O remédio não defenderá seus passos loucos
Esforço, empenho, bravura e atrevimento
Não serão ajuda, o dar-lhe ouvidos moucos
Mesmo que tomado de bom comportamento.
Armando A. C. Garcia
São Paulo 13/12/2001 (data da criação)
Visite meus blogs:
http://brisadapoesia.blogspot.com
http://preludiodesonetos.blogspot.com
http://criancaspoesias.blogspot.com
Direitos autorais registrados
Mantenha a autoria do poema
Não fujas novamente...
Não fujas novamente...
Se me esperas, não há mais porque esperar !
Se o amor te fere, neste teu gesto lindo
Não fujas novamente, deixa alcançar
Que a esperança não fique... só te seguindo
Tiraste do coração o que não tinha
O riso, alegria, desejo de viver
Foste tu, a razão da desdita minha
Destino cruel, imutável sofrer !
Se nem tu, poder fugiste, ao destino
Das juras de amor, guarda prometida
Obedecendo ao ensejo alto divino,
Eis que voltas com a alma redimida
Trazendo em teus deleites esperança
Como prêmio, que a vida dá, lá no fim
Da imensa angústia, da desesperança
Chama do amor, jamais apagada em mim.
Armando A. C. Garcia
São Paulo 13/12/2001 (data da criação)
Visite meus blogs:
http://brisadapoesia.blogspot.com
http://preludiodesonetos.blogspot.com
http://criancaspoesias.blogspot.com
Direitos autorais registrados
Mantenha a autoria do poema
Reminiscências...
Reminiscências...
O amor há muito tempo, posto em esquecimento
Não soube o coração dissimular a dor cruenta,
Não por faltar-lhe lembrança ou discernimento
Mas, num misto de medo e alegria que atormenta
Pálido, instrumento do próprio desatino
A causa de não sentir a perda da grande estima
Sua natureza ferida, reluta tal destino
Sendo mais numerosas que suas forças ...
Seu propósito mudado, está-o confundido,
Na mais profunda retaguarda do coração
Por anos a fio foste tu, perdida estima !
Desagrado pesar, que em mim recordo em vão ...
A causa de sentir é grande, extraordinária
Maior na amara desventura do amor perdido,
Deitada em outro leito.; a si contrária...
A alma cheia de dúvida, coração oprimido.
Cheio de saudade, feroz descontentamento
Qual mansa ovelha, ao duro sacrifício, oferecida...
Liberta, finalmente, de mil juras ao vento...
Eterno esquecimento, do que fui na sua vida !
Armando A. C. Garcia
São Paulo, 08/12/2001 (data da criação)
Visite meus blogs:
http://brisadapoesia.blogspot.com
http://preludiodesonetos.blogspot.com
http://criancaspoesias.blogspot.com
Direitos autorais registrados
Mantenha a autoria do poema
Sonho sem sentido
Sonho sem sentido
Iníqua tanta, tamanha e dura covardia
Que vingar da sorte eu queria ter podido
Mais que a ira e piedade a morte prometia
Fiado na promessa do amor comprometido.
Se tão bela era quanto imaginar eu posso
Lancei no negro esquecimento adormecido
Alegres apetites no interno do meu fosso
Dos quais não tive gosto, sonho, nem sentido ...
Adormecido no bruto sonho interno meu,
Nos anos a fio que descendo vão a fundo
Vens agora, despertar quem já sofreu
Quanto sofrer, a alma pode neste mundo.
Encontras em mim uma sombra do passado
Tão mal apagado o fogo do amor está
Por ti abatido, foi morto, sepultado !
Cumpra-se o destino. Põe nele a cal de pá.
Nos versos que escrevo, em vão pretenso intento
Foste imenso lago, no reino fundo de meu peito,
Imenso amor, intenso e diáfano pensamento.
Tu, cheia de medo e de receio do meu leito!
Não venhas agora aprisionar meus curtos dias
Não haverá quem ao amor, reserve resistência...
Nem o corpo, nem a mente lhe ordenaria,
Aquele que foi vencido, lutará com renitência.
Armando A. C. Garcia
São Paulo, 13/12/2001 (data da criação)
Visite meus blogs:
http://brisadapoesia.blogspot.com
http://preludiodesonetos.blogspot.com
http://criancaspoesias.blogspot.com
Direitos autorais registrados
Mantenha a autoria do poema
A Vida (I)
A Vida (I)
A culpa é sempre da vida
Da vida, que não tem culpa,
Mas todos culpam à vida
Da culpa de sua culpa!
Veio a desgraça, é a vida...
Dizem todos numa só vez!
Todos falam que a perdida
É a culpada outra vez...
Na desavença! É a vida
Novamente essa maldita,
De novo intrometida
Nas lamúrias da desdita.
No assassinato, é a vida
Por ser Deus que assim fez
Mas não deu poder à vida,
Em desfazer o que Ele fez!
No amor ou na glória
Todos esquecem a vida
Pois nos láureos da vitória
Quem relembra a mísera vida!...
Por isso a dor glorifica,
Dá valor à própria vida
O que hoje não significa
É a razão da própria vida.
A culpa é sempre da vida
A vida, sem culpa alguma!
Que cada um, em sua vida
Não tenha, é culpa nenhuma!
Armando A. C. Garcia
São Paulo, 22/06/1966 (data da criação)
Visite meus blogs:
http://brisadapoesia.blogspot.com
http://preludiodesonetos.blogspot.com
http://criancaspoesias.blogspot.com
Direitos autorais registrados
Mantenha a autoria do poema
A Última Cartada
A Última Cartada
Já cantam os galos, madrugada é alta
A luz no seu quarto contínua acesa
E na sala, o candeeiro sobre a mesa
Espera apagarem as luzes da ribalta
A noite caí. E no silêncio profundo
Aumenta o seu desespero a sua dor.
Na espera interminável do seu amor...
Do próprio companheiro deste mundo.
Que no cassino àquela hora, embriagado
Já perdeu até o último vintém.
E para última arriscada põe, também,
Em jogo, o apartamento mobiliado.
Pois na magia das cartas trapaceiras
Perdeu tudo, naquele jogo foi lesado
Deixando todo seu lar prejudicado
A troco de infamantes bebedeiras.
Armando A. C. Garcia
S.P. 31/08/1965 (data da criação)
Visite meus blogs:
http://brisadapoesia.blogspot.com
http://preludiodesonetos.blogspot.com
http://criancaspoesias.blogspot.com
Direitos autorais registrados
Mantenha a autoria do poema
O Vento
O Vento
E o vento, o que o vento passa...
Entre nuvens de espessa fumaça
Ninguém sabe, ninguém, jamais, viu!
Ninguém quer saber o que ele sentiu.
E o vento, lento ou forte se desloca
Bruma suave, ou rajada que passa
O vento não pára um só momento
É como no homem o pensamento.
E o vento alando-se ao infinito
Levado por um sonho bendito
Sem saber se o que lá o espera,
Se miasmas, nuvens, ou cratera
E na sua missão nobre e boa
Em que afasta a trovoada que ecoa
Também, leva a semente caída
Que dará vida a outra vida.
E o vento que parece mau e inútil
Todos o encaram como coisa fútil
Entretanto afasta as miasmas de doenças
A fumaça e a poluição intensas
Armando A. C. Garcia
S. P. 04/10/1964 (data da criação)
Visite meus blogs:
http://brisadapoesia.blogspot.com
http://preludiodesonetos.blogspot.com
http://criancaspoesias.blogspot.com
Direitos autorais registrados
Mantenha a autoria do poema
Àrvores
Àrvores
Árvores velhas, seculares, árvores fortes,
Que dais sombra e descanso aos viandantes,
Que dais frutos e dais flores vicejantes,
Árvores pequenas e grandes, de todos portes
Árvores que abrigais as avezinhas
Que sois o berço dos poetas voadores
Onde canta o rouxinol, entre as flores
E gorjeiam o sabiá e as coleirinhas
Árvores frondosas, riqueza natural
Sois a beleza dos campos e do jardim
Atavio profícuo das selvas sem fim
A maior de toda a beleza universal
Árvores grandes, troncos nus, verdes ramos
Onde os melros e as rolas fazem ninho
O sábia, o pintassilgo e o canarinho
E outros mais que aqui nós não citamos
Árvores pequenas, lindas e floridas
Perfumadas, e com frutos naturais
Coqueiros, cajueiros e laranjais
Árvores verdes, amarelas e garridas.
Árvores, árvores fortes que sois vida
Troncos que dais madeira, que dais borracha,
Troncos que dais cortiça, que dais a acha
Árvores que dais as vidas, de vossa vida.
Armando A. C. Garcia
S.P. 23/09/1964 (data da criação)
Visite meus blogs:
http://brisadapoesia.blogspot.com
http://preludiodesonetos.blogspot.com
http://criancaspoesias.blogspot.com
Direitos autorais registrados
Mantenha a autoria do poema
O Pastor
O Pastor
Humilde, simples, homem camponês
Guiado pelo sol e pelos astros
Ele leva seu gado para os pastos
Do acúleo terreno montanhês
Desde o romper da aurora ao por do sol
Atravessa prados e serranias
Sem ir ao povoado passa dias
Vivendo em seu mundo, sem escol.
Coração simples, alma ingênua a sua
Que não maltrata, que não critica
Não joga, nem sabe de política
Só almeja o sol, e à noite a lua
Tem de dia os mansos cordeirinhos
E o gorjeio poético das aves
O sussurro suave pelos ares
Do vôo manso dos passarinhos
Tem o verde dos prados, tem as flores
O olor do alfazema e do alecrim
O aroma do lírio e do jasmim
Matizando os prados multicores.
Armando A. C. Garcia
S.P. 12/08/1964 (data da criação)
Visite meus blogs:
http://brisadapoesia.blogspot.com
http://preludiodesonetos.blogspot.com
http://criancaspoesias.blogspot.com
Direitos autorais registrados
Mantenha a autoria do poema