Atrás da Felicidade percorri o mundo Em cada lugar a vislumbrava adiante Perdido nesse sonho, imenso, profundo Via-a, sempre noutro lugar mais distante
E assim, de lugar em lugar eu a buscava Como se ela fosse a flor de um jardim Que pode ser colhida. Assim eu a julgava Ou, com a mágica lanterna de Aladim
Gastei a juventude, à sua procura A maturidade, até à terceira idade Entrando nesta, sinto a mesma agrura Não conseguindo achar a tal Felicidade
O destino a guarda e de mim a escondeu Deixa saudades a esperança de encontrá-la Sei que é frágil sua permanência, e eu, Que a busquei a vida inteira, sem vê-la...
- Cheguei à conclusão que é feita de momentos Os quais deixamos passar sem perceber E em tais ocasiões de contentamentos A tal Felicidade, está-nos a acolher !
Além de ser relativa e passageira Por vezes nem notamos sua presença Mesmo estando ao nosso lado a vida inteira Só na dor, lastimamos a sua ausência !
São Paulo, 27/11/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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O Bom Samaritano
O Bom Samaritano
Singela e simpática criatura Morava sozinha à beira do caminho E todo aquele que lá passava com secura Servia-lhe água pura, cheia de carinho
A todos acolhia e dava guarida Alma bondosa de bom samaritano Com todos repartia a escassa comida Que angariava dia a dia, ano a ano
E ali, naquele lugar ermo, sem ninguém Servia e orientava os caminhantes Não cobrava de nenhum, nem um vintém Praticava a caridade eqüidistante
De crenças e religiões pecaminosas Nasceu ali e ali vive sozinho Apesar da idade, nunca teve esposa. Aprendendo com seus pais a dar carinho
Àqueles que cruzam o íngreme caminho E com fome e sede chegam à sua porta Exaustos, com os pés cheios de espinhos Com o sol escaldante, ou à hora morta
A todos recebe e lhes dá acolhida E na choupana humilde os reconforta Dá-lhes água e um prato de comida De batatas e outros que colhe, em sua horta
É o fiel servidor na seara de Jesus Sem credos ou preceitos exprime amor Como aquele que um dia expirou na cruz E o faz de coração. O fiel servidor !
Esvoaçando pensamentos Pra alma, abri as janelas Recordei felizes momentos E as facetas mais singelas
O tempo passa ligeiro Nossa vida o acompanha Molda o ferro o ferreiro O tempo ninguém barganha
Colhemos as consequências Dos dias que nós cruzamos Mudamos as aparências, Quanto mais velhos ficamos
Nossas paixões são vontades Que logo o tempo esfumaça Os dias são tão vorazes, Mal se dá conta, ele passa.
É de curta duração O tempo da mocidade, Vem, a semi escravidão Pra labutar à vontade.
Labuta-se a vida inteira Para se aposentar O soldo, dá tremedeira A velhice é de lascar
Esta é a derradeira Paga, que nos dá tédio Esta paga é tão fuleira Que mal dá para o remédio !
Porangaba, 25/11/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Nunca deixei de amá-la
Nunca deixei de amá-la !
Essa mulher me abandonou, Nunca deixei de amá-la, Mesmo quando me trocou Por não saber conquistá-la
Que cara sou eu, afinal... Que não consigo esquecê-la Confesso, era especial Tanto, que não pude tê-la.
Porque padecer assim Tormentos e tanta dor Quando a levaram de mim, Não levaram meu amor !
Deixou sulcos definidos Imensa melancolia, Juramentos não cumpridos Nas promessas se escondia
Jamais serão esquecidos Quer de noite, quer de dia Estão na mente retidos Esta chama, não esfria.
Estranho comportamento Esmagou os lampejos meus Não a esqueço um momento Como se fora, anjo dos céus !
Vêm lágrimas aos olhos, Ao pensar no seu carinho. Enrodilhado em abrolhos Sem ela, vivo sozinho !
Porangaba, 24/11/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Buscarei ! (soneto)
Buscarei !
Buscarei nos mais amplos horizontes Esquecer infaustas atribulações Descerei aos vales, subirei os montes Mesmo que sejam de enormes dimensões
Explorarei por todos os continentes A razão deste infortúnio, desta desdita, Palmilharei pelas areias mais quentes Na busca incansável, pela paz bendita.
Buscarei, como encontrá-la um dia Sem receio de distância ou caminhos Será então para mim a suprema alegria
Muito mais, se nesse momento, nesse dia Encontrar um amor que não tenha espinhos E traga consigo, a felicidade que queria.
Prangaba, 24/11/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Diz (soneto)
Diz...
Diz... que o encantamento de tua ilusão Chegou ao fim. E que tudo foi um engano Da desenfreada torrente da paixão Que durou aproximadamente um ano!
Diz... Sem tremer a voz e empalidecer Que já não me queres mais. E sem que te fira Caminharás adiante sem retroceder Pois teu coração, por mim, não mais suspira.
Diz...que foi um vão ensejo que passou Que hoje, só sentes por mim indiferença E que o amor em teu peito já terminou
Diz... se fores capaz de eloquência tal No extremo fervor de tua desavença Sinto que tu, nada dirás ao final !
Porangaba, 24/11/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Tigela de sopa
Tigela de sopa !...
Uns olhos que sonham Como qualquer criança Que entristecem e anojam À falta de confiança
Uma sopa na tigela Almoço que dá fastio Refeição tão singela Deixa o estômago vazio
Imaginar melhores dias É o sonho dessa menina Que aspira melhorias No rumo de sua sina
Se a vida é feita de sombras De luzes é feita, também Dificuldade não a assombra Tem o carinho da mãe
Tem esperança no futuro Um dia será alguém Se o dia hoje é escuro Amanhã o sol... já vem
A ressonância que projeta A singularidade do olhar Deixa minha alma inquieta Ao ver a criança penar !
Quanta dor, quanta aflição Na aspiração dum desejo Que faz doer o coração A quem almeja um ensejo
São Paulo, 21/11/2012 Armando A. C. Garcia
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Amor sem fim ! (soneto)
Amor sem fim ! (soneto)
Se era eu, dos teus olhos a alegria Tua ventura, enfim, a natureza O farol que teu coração sentia Hoje, não me amares, causa estranheza
Tu, que razões a tal nunca apontaste Detraíste o amor em teu falsete Colocaste-me na cabeça duas hastes Matando nosso amor com teu *doblete
Vês o que és, não o que não foste comigo Todo mundo conhece nossa história Só Deus, para dar-te todo castigo
Porque é lá, que se paga toda a usura De ferir um amor puro, que na glória Te amou na vida, até à sepultura !
O silêncio é o culto da floresta Ouvem-se os galhos ranger quando atiça Sua ramagem um zéfiro mais forte Ou, se o mavioso rouxinol na liça Tenta a fêmea conquistar, faz a corte. Todo o pulmão da terra, está em festa
Na copa das árvores, aves de mil cores Cada uma erguendo um hino de gorjeios A mata envolta em úmidos vapores Enchendo de oxigênio nossos meios Vales, outeiros, cidades e nações Alimenta até, a chama dos vulcões !