Cruzas o mar, a terra, os céus e os montes Em tudo que passas vês novos horizontes Nos céus os planetas e o brilho das estrelas, Na terra os horrores e as coisas mais belas No mar, o azul dos céus e as águas a brilhar Nos montes a natureza, a despontar
Em tudo tens um enigma a decifrar Em cada coisa uma beleza, ou um pesar No mar tem a água, o sal e as tempestades Nos céus trovões e, também, as potestades Nos montes, as feras, os rios e as flores Na terra, os homens, os ódios e os amores
Se existem oásis no cálido deserto E pequenas ilhas no grande mar aberto E brotam gotas d água da rocha dura Se abre o dia, se fecha a sepultura É porque existe algo sobrenatural É porque o mundo não é nosso, é divinal.
São Paulo, 27/02/1964 (data da criação) Armando A. C. Garcia
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Meu Destino !
Meu Destino !...
Vim cumprir o meu destino
Transpor pavores sem igual
Ser humilde peregrino
Passar privação abissal
E, no infinito desacerto
Viajou minha hesitação
Tu, nunca estavas por perto
Só, longe do meu coração !
Vivi, d'ávidas esperanças
Sempre suspenso no ar
Estava em ti a confiança
Tu, estavas em outro lugar
Assim, ao ver-me traído
Do deslumbrante projeto
Vi meu sonho destruído
E, senti-me um abjeto !
Se o destino é nosso fado
Ele nos dispõe, onde estamos
Nem sempre do nosso agrado
Ele nos coloca, e ficamos
O que passa, não volta mais
Pelo destino é previsto
São razões elementais
Como o calvário a Cristo !
São Paulo, 27/04/2012
Armando A. C. Garcia
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810
São Paulo
São Paulo
A ti não chegaram às caravelas, Mas de ti, partiram bandeirantes. Como centro financeiro abres velas Singrando o Brasil e America do Sul
És uma das mais globalizadas Cidades no cenário mundial Tua pujança, e luta das arcadas São destemor e audácia sem igual
Teu povo, miscigenação de raças Esculpindo ao mundo novas gentes Longas ruas, jardins e praças Repletas de arranha céus imponentes
No emaranhado, contrastas briosa Com favelas que ninguém ousa falar Por São Paulo ser grande e majestosa És a locomotiva que roda sem parar
Berço do trabalho e da cultura Acolhes o migrante e o estrangeiro Dás esperança aquele que te procura E teu povo, é um povo hospitaleiro
Tua marcha triunfal o Anchieta Do além, certamente consagrou Não foste traçada em prancheta A forca do destino te edificou
És o gigante, deste imenso país Teu progresso está no imenso sucesso E neste dia vinte e cinco de janeiro Milhões de beijos ao teu povo hospitaleiro
Porangaba, 24/01/2012 Armando A. C. Garcia
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Nas asas do tempo (soneto)
Nas asas do tempo (soneto)
Vai-se apoucando a sua formosura Presa nas asas do tempo fugaz Imutável condição da estrutura Que impiamente o tempo é capaz
As rugas, são o alígero retrós Trespassada a leda mocidade Vencidas do fausto, logo, avós Marcadas do tempo, sem piedade
Teus fenômenos, oh! pia natureza Instrumento geométrico das linhas Consola-lhes o horror dessa tristeza
Aos seus olhos de moças, já velhinhas Cura-lhes o tal vício da beleza E que aprendam a ler, nas entrelinhas !..
Porangaba, 08/04/2012 (data da criação) Armando A. C. Garcia
Abrindo as velas ao vento Ao incógnito se lançaram Com fé, vigor e alento O alto mar eles singraram
Pequeninas Caravelas Por gigantes conduzidas Em alto mar de procelas Esperanças adormecidas
Lá na vasta imensidão Sobre ondas encapeladas Singrando o mar elas vão Por águas nunca navegadas
Em silêncio, a frota navega Dia após dia, sem cessar Até que um dia, à terra chega Já cansados de tanto mar
Onde as ondas tiveram fim Novas gentes, novas plantas E tudo estranho, enfim Não há igrejas, nem há santas
Tem uma flora exuberante Com recursos infindáveis Matas virgens, diamante Ouro e prata admiráveis
O esplendor da terra nova Na sua vastidão imensa Cheio de mistério, é trova - A praia, por recompensa
Ali aportaram por fim Cansados de tanta luta Chegaram os índios, assim Numa vergonha dissoluta
Deram-lhe quinquilharias Espelhos e outros mais E com essas ninharias Cativaram os demais
Foram assim conquistando Dos selvagens amizade Deste modo atuando Acalmaram a tempestade
Mas o índio, sempre arisco Por vezes se sublevava E para não correr o risco O pessoal, não vacilava
Os dias foram passando E estes formaram anos O Brasil foi caminhando Ainda hoje, há desenganos.
Porangaba, 31/03/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Melhor Não ler
Melhor... Não ler
Ávidos políticos tentam pilhar a economia
Com malabarismo mil de todos conhecidos
É tão grande a intensidade da sangria
E governo finge não saber, tapa ou ouvidos
Que fazer minha gente com tamanha ousadia
Político é quem manda, o povo é a reles plebe
O salário mínimo, nem sequer paga a moradia
O povo passa fome, ele, finge que não percebe
Fingir é o que retrata, o governo deste povo
Renasça o amor, reviva o civismo e o orgulho
Não pode ter sangue de barata, isso é estorvo
ao civismo. Leve do futebol grito, barulho
Nossa raça não foge à luta, é destemida
O sol da liberdade há muito, fez-se ouvir
Precisamos conservar a que nos foi concedida
O penhor da igualdade está a submergir
Neste momento urge, fazer-se ouvir teu preito
Considerando o civismo, oh! pátria gloriosa
Ele que é da nação o catecismo perfeito
Extirpa de teu seio essa gangue dolorosa
Há um grito de fome em cada brasileiro
Qu'muitos reprimem, por medo ou vergonha
Há um grito de angústia em cada comunheiro
Que nossa boca sufoca em esperança visonha
O Criador da natureza deu tudo que tinha
Para nada faltar a este povo ordeiro
Que não soube escolher o capataz da vinha
Que só nomeia ministro arapuqueiro !
Como um leão na batalha do mundo Transpus florestas, à noite e sob sol Visto a túnica da poesia, amor profundo Desdobro do azul do céu o arrebol
Minha existência inteira tento poetar Não sob protesto fútil, ou sentimental Venho expondo diferença entre o bem e o mal Mesmo que com isso possa desagradar
Eu sinto e vivo o que todo homem sente De bardo*, sou um bacharel formado Embora às vezes saíam como dum tornado Frases do vernáculo, veneno de serpente
Noites de procela*, e dias de amargura Numa rua escura, ou num amor candente, Nos vagalhões do mar ou no sol ardente A alma do poeta veste rija armadura
Extrai da pedra bruta ou da flor o viço O néctar e o perfume do amor-perfeito A alquimia*** do poeta sempre dá um jeito Até p’ra tirar das abelhas o mel no cortiço
No topo da montanha, ou no sopé do vale Nas asas de um arcanjo, ou no poder do mal Em jardim florido, ou extenso seringal A inspiração do poeta. É sempre igual !
Porangaba, 17/08/2011 Armando A. C. Garcia * poeta ** tempestade *** práticas químicas Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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QUERO LOUVAR-TE
QUERO LOUVAR-TE
Quero Louvar ao Senhor De todo meu coração Demonstrar o grande amor Que tenho no coração
Na minha prece singela Cheia de amor e carinho Oferto a coisa mais bela Às chagas de teu espinho
Quero louvar-te Senhor Ser cepa da tua vinha E amar-te com vigor Cedo, à tarde e à noitinha
Às chagas de teus espinhos Levar o bálsamo da prece E na amplidão do caminho Tua luz que resplandece
Senhor eu quero louvar Tua Glória imortal Minha alma consagrar Ao Teu reino espiritual
Quero louvar-te Senhor Pelas bênçãos recebidas E agradecer com fervor Por cuidar de nossas vidas !
Neste tópico final Desta prece consentida A gratidão fraternal Àquele que me deu a vida !