Já se foi a primavera, a mãe das flores
Chegou o verão de chuvas e aguaceiros
Envolto na umidade de seus vapores
Inundando cidades e campos sem outeiros
A tragédia repete-se a cada ano
Castigando, das vertentes das colinas
Aos ribeirinhos, já crentes no desengano.
As promessas do governo, são rotinas
Os aportes anunciados às calamidades
Nunca chegam ao destino da tragédia
Vemos pela TV nos campos e nas cidades
A destruição, como no início da comédia
Com as novas chuvas, novas inundações
Gente sem lar, gente de bem, em má situação
Com a roupa do corpo, sem cama e lençóis
Quem desvia o dinheiro é pior que ladrão
O que vemos é a imunidade crescendo
O tesouro nacional precisa ser protegido
Se assim não for, os ímpios vão vencendo
E a maior vítima, nosso povo desnutrido
Ano, após ano, com a desgraça deste povo
Meia dúzia de espertalhões fazem a feira
E o que deveria ir para o humilde povo
O político enche a burra, na bandalheira.
Porangaba, 22/01/2012
Armando A. C. Garcia
Visite meu blog:http://brisadapoesia.blogspot.com
751
Tatuagem !
Tatuagem ! ...
Tatuagem, o *estigma da **ignomínia
Qual ferrete com que se marca o gado
Infesta o ser humano, qual Paulínia
E seu corpo, vai ficando ramificado
Mas quando o tênue retrato de teu rosto
Carcomido pelas rugas da idade
Sentirás pena, sentirás de ti, desgosto
De ter cometido tamanha insanidade
De imolar teu corpo perfeito e sadio.
O corpo que Deus te deu purificado
Tu, o maculaste com o atavio
Que ora adorna teu corpo requintado.
São Paulo, 08/05/2012
Armando A. C. Garcia
Visite meu blog: http:brisada poesia.blogspot.com
- * cicatriz; marca; sinal
- ** grande desonra; infâmia
Ao Tatuado:
O tatuador, tatuou tua carne
Eu, tatuei tua alma
793
Até ao inferno (soneto)
Até ao inferno... (soneto)
Destravarei ¹aldravas e abrirei fechaduras Em toda rua e viela, envidarei tuas procuras No infinito do tempo e se eu fosse eterno Estenderia a procura até ao inferno
A angústia de viver sem ti vibra e cresce E ao pé da eternidade... quase floresce A luta que intimida, é medo, fantasia ... Procurarei de porta em porta sem fobia
Sem vergonha do pranto que o amor chora Percorrerei o mundo a qualquer hora Buscando o teu amor... da existência à morte
Quem sabe o bom Deus dar-me-á a sorte De te encontrar algum dia, seja onde for O sábio já dizia: A vitória é do amor !
São Paulo, 16/04/2009 Armando A. C. Garcia ¹trancas de portas Visite o blog: http://brisada poesia.blogspot.com
683
Quando a noite chega
Quando a noite chega
Quando firme a noite chega Pensando, fico sozinho Que será de ti amor Tão longe do meu carinho
A noite, sombria e triste Minha tristeza acompanha Ao amor, ninguém resiste Tão grande sua façanha
Alta noite, solitário Alma serena, pensativo Levanto a carpir meu rosário Versando amor positivo
São noites intermináveis Iguais e desconhecidas Procelas imagináveis De uma noite mal dormida
Fito o céu, nenhuma estrela Nem o luar aparece A tristeza se encapela O temporal me entristece
Ó noite, escondes a vida Escondes o meu amor O crepúsculo dá guarida Onde expira o Sol maior
Silêncio... a hora é mística Tento rezar, mal consigo A poesia é artística Preenche as horas comigo
Só ao despertar do Sol Volto de novo à vida Renascendo ao arrebol Oh! Alvorada esculpida
Quando úmidos do sereno Os pastos se apresentam Volvem os chilreios, sem treno E minha alma acalentam
Surge o céu, cheio de Deus Nas cores do Sol, ouro puro Seu lume perfuma os céus No pomar, fruto maduro
A noite dá a despedida Surge a claridade em troca Bago a bago, é comida A alimentar nossa boca
O aroma, entra nas veias Sustenta minha ferida Só tu amor incendeias As noites de minha vida !
Pernoitas em mim amor Desde o apagar das candeias Até que o Sol redentor Vem despertar minhas veias
Ó noite, eu te amaria Se pudesses alijar O amargor de cada dia Que à noite passo a fitar
Tu incutes o pavor Quando sem estrelas e luar O nada exprime melhor O que eu possa pensar
Pareces irmã da morte Nas tuas horas sombrias Vagarosas, sem suporte E cheias de fantasias
No oráculo de teu fado Quantas lágrimas vertidas Desculpa ter-te lembrado Das inúmeras despedidas
É imenso o funeral Imensos sonhos perdidos Seria sina crucial Se fossem mal entendidos
Volvendo às horas de sono Recompões nosso sentidos Porém, se o abandono Descansos, ficam perdidos
Em ti, o mundo descansa Na inalterável desvaria Novo dia, nova esperança Novo Sol nos alumia.
Os teus inúmeros mistérios Nos abismos silenciosos São sublimes, são etéreos Impassíveis, dolorosos
Surge casta a madrugada Vibrante, força e calor Impera a luz imaculada No universo, esplendor
Vida sempre renovada Cheia de fé e esperança Aguardo-te, minha amada Com toda perseverança !
Porangaba, 17/05/2011 Armando A. C. Garcia
Visite: http://brisadapoesia.blogspot.com
788
O Rouxinol
O Rouxinol
Numa selva florida banhada de luar, Cantava o rouxinol numa noite estelar Parecendo inspirado no zimbório celeste Ou, enamorado da paisagem agreste
Despontava nos céus o raiar da aurora E, jovial o trovador cantava agora Como se despertado ao raiar do sol E houvera adormecido ao arrebol!
Seu gorjeio, como o arpejo dulcíssimo Pungido d'saudade sentimentalíssimo Como o choro de um amor, puro, cristalino Executado por um poeta ao violino
E não parava de cantar o trovador De exteriorizar o âmago de sua dor Para em cada trinado cheio de saudade Desprender um elo de sua felicidade!
Alando aos céus uma prece sempiterna Como pedindo a Deus pela alma materna Que naquela noite deixara de existir, Indo ao recôndito lugar do porvir,
Em busca da utopia, que só Deus Nos pode dar, bem no alto, lá nos céus! Em busca da paz, do reino da alegria Ao encontro do Rei do Universo e de Maria.
E naquele canto extraterreno exulcíssimo O poeta, rouxinol sentimentalissimo Cantou até quebrar de dor e pranto As fibras vocais de seu mavioso canto
E, todo exangue o rouxinol inda se ouvia Como num canto surdo, como de quem morria, Aquebrantado por aquela dor tão forte Até que tombou ao chão, vencido pela morte!
São Paulo, 09 de março de 1964 Armando A. C. Garcia
Visite meu blog:http://brisadapoesia.blogspot.com
824
Bate um vento atravessado
Bate um vento atravessado
Bate um vento atravessado
Do frio que vem gelado
Da cordilheira dos Andes
O gado; do pasto é retirado
O homem, fica todo encapuzado
Tomando o seu chimarrão.
Da cocheira os cavalos
Não querem arredar pé
Os gatos acocorados
Na lareira, o fogo em pé
Na cumeeira do telhado
Só gelo a gente vê
Mas eis que olho no prado
Veja o quadro que se vê
Uma criança descalça
Congelada pelo frio
Ponho polaina na calça
Corro a tirá-la do frio.
Aqueço-a na lareira
Dou-lhe leite, pão café
Indago-lhe onde mora
Diz: além, depois da serra
Morava com sua mãe
Seu pai estava na guerra
Mas porque sozinha estava
Tão distante e desgarrada
Ela então falou chorando
Que sua mãe não acordava
Cortaram-me o coração
Esta palavras ditadas
Cri então que sua mãe
Já mora noutras paradas
Acolhi a criancinha
Dei-lhe estudo educação
Como sendo filha minha
Hoje, é minha proteção !
São Paulo, 09/09/2009
Armando A. C. Garcia
Visite meu blog:http://brisadapoesia.blogspot.com
746
Aguenta coração ! (soneto)
Aguenta coração ! (soneto)
De dor em dor, tens meu coração partido Amor, oh! Quanto amor mal entendido... Ao longo dos anos, pensei já conhecer-te ... Mas vejo coração, acabas de perder-te !
Fraqueza no querer, esforço em vão Nova dor... a cada nova afeição ! Triste fim, extremo fim, meu amor Tua perda... é o sofrimento maior !
Quando do bem, um pouco amor espero Não me basta o querer, que tanto quero Há sempre uma esperança que não vem !...
Fragmentos, desenganos, fantasias ... Ledo engano, mais dor, desarmonias. No fim, nada tem a perder, quem nada tem !
São Paulo, 28/11/2004 Armando A. C. Garcia Visite: http://brisadapoesia.blogspot.com