Noites Cegas
Noites cegas !...
Quando as noites eram cegas
Só brilhavam as estrelas
Ou, em noites de procelas
Raios rasgavam as trevas
Com a água que represa,
Tudo o homem modificou
Nas coisas da natureza
Gerou força, iluminou.
Nosso mundo transformou
Noites; tal clarão do dia
O progresso alcançou
A força que o orbe queria.
E, foi rasgando as trevas
Que o planeta evoluiu
Não foram Adões, nem Evas
Nova matéria surgiu,
A cibernética, a robótica
A biologia, a ciência
Hoje, tudo tem outra ótica
Outro cunho, outra aparência
O mundo agora evoluiu
Na arquitetura, na arte
Arranha céus construiu
Eles estão em toda a parte
A evolução da matéria
Conhecimento, informação
Mas, ainda vejo a miséria
Em boa parte do povão
A vulnerabilidade
De mentes introspectivas
Tem gerado instabilidade
Às grandes expectativas
A marcha não se detém
No avanço do progresso
Foi Ela, a Pátria Mãe
Que nos deu este sucesso
Porém, há conjecturas
Quanto aos ensinamentos
E, confusas criaturas
Duvidam dos mandamentos.
Que veio um príncipe ao mundo
Pra nos legar a doutrina
Num sentimento profundo
Para a conversão Divina.
Tão grandes transformações
No plano material
Projetaram as nações
No campo industrial
Expandir os sentimentos
E com eles as emoções
Profundos conhecimentos
Em todos os corações.
É na esperança do progresso
Que a Pátria Mãe acredita
Não pode haver retrocesso,
Na caminhada Bendita.
Porangaba, 04/12/2012
Armando A. C. Garcia
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Caminhos escusos
Caminhos escusos !
Caminhava nervosa e vacilante
Nas aléias do jardim arborizado
Quando soltou um grito lancinante
E ali expiou a culpa do seu pecado
Foi assaz a dor, densa e profunda
Na sinistra e pavorosa atitude
De vida escabrosa, qual vagabunda
Para isto aponta a sua ilicitude
O comportamento leviano de mulher
Que sua honra não soube preservar
Passando a despeito a ser uma qualquer
E assim finalizou sua vida desregrada
Decidiu da mesma pra sempre se afastar
A pobre mulher... estava alucinada.
São Paulo, 30/10/2012
Armando A. C. Garcia
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Os teus conselhos pai
Os teus conselhos pai.
Pai! Como posso não ouvir os teus conselhos
Para desviar-me do curso trôpego das paixões
E passar a acreditar em um só homem
Naquele que na morte só levou espinhos
Porque os cardos, nenhuma flor continham.
Porangaba, 25/10/2012
Armando A. C. Garcia
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Na mágica manhã
Na mágica manhã
É o rio, rasgando a natureza
É a onda, estourando no mar
É o brilho duma estrela, com certeza
A apontar o rumo certo a trilhar
É a água, a *transubstanciar-se
É o vento, dissipando miasmas
É o sol, radiante a afastar-se
Ao cair da tarde, noite em plasmas
É a aurora, na mágica manhã
É a sinfonia do trinar das aves
É o orvalho, a gotejar da flor
É o mundo, a transpirar louçã
A cada dia que surge sem entraves
Na catedral da prima natureza
Porangaba, 25/10/2012
Armando A. C. Garcia
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- Transformar-se; mudar a substância; mudar
Deixa (soneto)
Deixa... (soneto) Deixa eu tecer minhas ilusões No tear de minhas fantasias Pra que possa, depois aos guturões Saborear tão sonhadas iguarias Nem que percorra *absconso caminho Da invasão de uma tristeza profunda Deixa que meu tear urda cada espinho Nem que a lança na caminhada rotunda Corte minhas mãos a cada urdida Deixa mesmo que sofra é meu sudário É minha veleidade. Gosto d’vida Neste acervo ávido de ilusões Quando o físico nefando, refratário Já se esconde do lume das paixões. Porangaba, 25/10/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia,blogspot.com • Escondido; oculto
onipotência
Onipotência
Não vivas o que supões acontecer
Viver o presente é o fenômeno e o fim
É a luz que brilha ao amanhecer
Viver o futuro, é como bala de festim
É viver, ou sofrer por antecipação
É desalento prematuro e profundo
É arrancar esperanças do coração
Romper com o que de bem há neste mundo
É a sombra da lembrança *estiolada
Estrela cadente a despencar dos céus
É o adeus à saudade perpassada
Aonde acorrem rios de sentimentos
Dos bens tempos, tempos que eram teus
O azul da imensidade, sem sofrimentos!
Porangaba, 24/10/2012
Armando A. C. Garcia
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*debilitada; fraca
Quem
Quem...
Quem no mundo já sofreu *empáfias duras
Empáfias que seu lindo sonho escureceu
Quem no mundo de amor nunca sofreu
é porque apagou suas conjecturas
Quebrando a efígie de seu próprio sonho
De priscos tempos, que o tempo emoldura
Na **aziaga dinâmica, quando risonho
Pensava trazer em si outra figura
O tempo passa, as empáfias, também
E sem termo a negativa universal
Essa natureza que de todos é mãe
é como um oceano cheio de sal
Neste imenso universo que alguém
Rege com sabedoria milenar, sideral !
Porangaba, 25/10/2012
Armando A. C. Garcia
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*orgulho vão; soberba
**azarento; infeliz
Tu, estrela luzente
Tu, estrela luzente...
Tu, que sempre afagas meu coração
Com teus devaneios, sem limite e fim
Nas minhas lutas, aplacas a emoção
Só tu, acalentas meus sonhos assim
Tu, és a estrela luzente e preciosa
Qual brilhante a cintilar em minha vida
Dádiva, a meus olhos bela, majestosa
Pérola venturosa que deu guarida
A meus sonhos, já outrora sem sentido,
Que esse teu fervor por mim, não se extinga
E, se algum dia por ti, for preterido
Peço a Deus e à natureza que sem *rezinga
E sem perquirir as razões deste pedido
Decretem o veredicto de quem se vinga !
Porangaba, 20/10/2012
Armando A. C. Garcia
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- altercação
Jesus, semeou o amor
Jesus, semeou o amor
Em sua passagem pela terra,
Jesus, semeou nela o amor
Aquele que aqui vive, só erra,
Ao desviar-se do semeador
Ele, é a luz de cada dia
Eterna lembrança do porvir
É a esperança da maioria
Que um dia, todos vão seguir
É a estrela na noite escura,
E seu luzir no firmamento
Na noite densa d'amargura
Aplaca a fúria do tormento
É o sol que rasga a escuridão
Apoio nos seixos do caminho
A luz da glória é a ascensão
Redenção do mundo em desalinho
Glorificado seja o seu carinho
Pra com o homem e a natureza
A ave aprendeu a fazer ninho
O homem, a veste e a mesa
Se por justiça, milhões clamam
Outros tantos, pelo desamor
São pobres, aqueles que não amam
Sua incúria, transforma-se em dor
São Paulo, 18/10/2012
Armando A. C. Garcia
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A Bandalheira
A Bandalheira
Pus-me a rever a história
Deste querido Brasil
Seu passado tem glória
Seus heróis são mais de mil
Neste século encontrei
Facínoras de categoria
Que roubaram nossa grei
Quando deles era a chefia
O Ministro por cabeça
Deputados, Senadores
Roubando dinheiro à beça
Dos cidadãos sofredores
Foi tão grande a roubalheira
Que a nação se articulou
Pra coibir a bandalheira
O Supremo, os julgou
Essa corja de safados
Sem um pingo de civismo
Teve os votos sufragados
Na bandeira do cinismo
É gente despudorada
Sem um mínimo de preparo
Que de gente, não tem nada
A não ser o seu *descaro
Presidente não sabia
Assim o disse à nação
Mas nossa grana sumia
Nesse tal de mensalão
Não havia honestidade
Só astúcia nessa classe
Era tal a sagacidade
Que dispensava repasse
Esse tal de mensalão
Diziam não existir.
Nosso povo é bobalhão
Nos é forçoso mentir.
S'estava d'olhos vendados
Finalmente os desvendou
Se ouvidos, eram tapados
Igualmente os destapou
Ignorando a vergonha
Esfacelam a nação
Tomam vinho da Borgonha
O povo, água do charcão
Pervertendo a verdade
Enganam o povo singelo
Eles, são na realidade
Como uma pedra de gelo.
Escondem dinheiro na cueca
Na meia e no sapato
Eles são levados da breca
Espertinhos como rato.
**Solipsismo de ateu
Na defesa do interesse
No interesse do seu eu
O povo, nada merece !
Feira de Santana, 11/10/2012
Armando A. C. Garcia
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- Cara-de-pau; falta de vergonha
** Doutrina na qual a realidade é o eu.