Coletânea de Poesias EM HOMENAGEM AO DIA DA CRIANÇA
Coletânea de Poesias EM HOMENAGEM AO DIA DA CRIANÇA
SORRISO DE CRIANÇA
O sorriso de criança De angelical pureza Demonstra sua confiança Neste mundo de incerteza
Franco e sadio sorriso No seu reino de alegria A vida é um paraíso Que ela vive a cada dia
Sorri contente e feliz Numa alegria sem par É da vida um aprendiz Capaz de nos ensinar
O sorriso de criança Puro elo de ventura Exprime e traça a esperança Do criador à criatura.
São Paulo, 19/05/2005 Armando A . C. Garcia ------------------------------------- A GAZELA E O LOBO MAU
Certo dia uma gazela desgarrada Á beira de um riacho, tranquila pastava Quando um lobo, goela aguçada Olhava, mirava, se d'um pulo alcançava
O porco-espinho, compadre da gazela Atento observava a avidez do lobo Que a cada segundo, pensava comê-la. Como o porco espinho, nada tinha de bobo...
Arquitetou um plano contra o intento Do astuto e ardiloso lobo mau, Que fingia nutrir-se do mesmo sustento Para acercar-se da gazela, o marau!
E quando o manhoso, o bote tinha certo, O porco-espinho que a tudo assistia, Jogou seus espinhos, em firme acerto Que o lobo cegou; e de dor, ele gania...
A doce gazela, tão pura e tão bela, Sequer percebeu o perigo iminente. Continuou comendo, nenhuma cautela... Só foi perceber, quando à sua frente!
O lobo ganindo, socorro pedia... A pobre gazela, seus espinhos tirou, Curou suas chagas, serviu-lhe de guia, Para ser atacada, tão logo ele sarou!
O quanto podia, correu pelos prados Saltava, pulava, só poeira fazia. Por fazer o bem, pagou seus pecados... Até que chegou, aonde o lobo não ia.
Aí, foi pensar que nem sempre se pode Ao seu inimigo, comida lhe dar. Porque à primeira rusga a poeira sacode... Agradecendo assim, quem o quis ajudar.
São Paulo, 23 de agosto de 2004
Armando A. C. Garcia ----------------------------------------------- O CURUPIRA
A estória que vou contar Não é minha criação É folclore brasileiro Das matas ou do sertão
Consta que na floresta Havia um menino peludo Dentes verdes, pés virados Cabelos avermelhados
Criatura horripilante Não fosse sua bondade Dos animais vigilante Tornar linda a fealdade.
Conta a lenda que protege Todo animal que lá habita E quando um caçador herege Que caça não necessita...
Os bichos da mata imita Ninguém o consegue ver Assobia, grulha e grita E da trilha o faz perder
Os que matam os filhotes E caçam só por prazer Judia-os passa-lhes trotes Ficam loucos pra valer
Diz a lenda que certo dia -Curupira era o seu nome Na floresta um índio dormia E Curupira tinha fome.
Então resolve comer Do índio seu coração Este acorda, ouve dizer Vou fazer dele um lanchão
O índio apavorado Fingindo medo não ter - Teu olhar fique fechado Que vou-te dar tal prazer !...
No bornal tinha guardado Um coração de macaco - Ao Curupira ofertado Como se dele, fosse o naco.
O índio em troca pediu Que o Curupira lhe desse seu coração. Consentiu! Com a faca o peito abriu...
Porque havia acreditado Que o índio nada sentiu ! Caiu morto, esticado. O índio fugiu aterrado...
Jurando lá não voltar Mal um ano se passou !... Sua filha pediu um colar Diferente qu'o povo usou.
O índio aí se lembrou ... Verdes dentes do duende ! Ao tirar... o ressuscitou - O duende, nada entende....
Quis retribuir a bondade ! Arco e flechas certeiras Para caçar sem maldade Foram as ordens primeiras.
E avisado não poder Mais que para um apontar Com bando, nunca mexer ... Porque o iriam atacar
Um dia, todo emproado... Quis mostrar ao povo inteiro De nenhum disparo errado Com seu atirar certeiro
Esqueceu o recomendado Atirou num bando inteiro Foi de tal forma atacado Qu'nada sobrou do arqueiro
O Curupira tudo viu Cheio de pena ficou Com cola, os restos uniu O índio inteiro montou
Em razão da tal colagem Ao índio recomendou Não comer ou beber quente Se não derrete para sempre
Um dia sua mulher Fez um prato apetitoso Muito quente e o guloso Se apressou em comer
Derreteu de uma só vez. - A lenda quer nos mostrar Que a caça predatória Não se deve praticar.
Que Curupira só deixa Caçar um para comer E aquele que caça enfeixa Da trilha o faz perder. --------- Esqueci de acrescentar Como Curupira tem pés virados para trás Ninguém o consegue encontrar !...
S.P. 04/12/2004 - Armando A. C. Garcia -----------------------------------
TEXTO DE UTILIDADE PÚBLICA - POR FAVOR, REPASSE-O
CRIANÇA, TOMA CUIDADO (Infantil) (Com a Pedofilia)
Criança, presta atenção Naquilo que vou falar Tem muito espertalhão Querendo te abocanhar
É o lobo mau da historinha Só que, em figura de gente Criança, seja espertinha Não sejas tão inocente
Criança, toma cuidado De estranhos.Não aceites Doces, bolacha ou salgados O lobo, com esse deleites
Visa estraçalhar você. Criança, toma cautela O pedófilo é jacaré Não quer que sejas donzela.
Nem um aperto de mão Ou um elogio sequer A sua má intenção Está querendo esconder
Se pedófilo te abordar Criança, toma juízo Nem pares pra conversar Que ele promete o paraíso
Chama a Polícia depressa Antes que ele te faça mal Brinquedos, são vil promessa De uma troca desigual...
Se tu fores abordada, Com proposta desonesta Dá-lhe grande bofetada E cospe na sua testa .
Aos Pais:
Quem ama toma cuidado Com aquilo que o filho faz Não deixe a vigília de lado Às garras do satanás
Quem ama, toma cuidado Alerte seu filho também Não deixe que um desgraçado Faça mal, a quem quer bem.
São Paulo, 21/07/2008 Armando A. C. Garcia --------------------------------- O Poeta Pigmeu ! (Infantil)
Era uma vez um poeta Pigmeu por natureza Escrevia tão bonito Que encantava a realeza
Um dia p'lo Rei foi chamado Quis saber donde provinha Seu lindo palavreado Que, mesmo o Rei, não o tinha
-Respondeu-lhe: são as musas Que o transportam do além Achando as respostas escusas O Rei, achou ser desdém
Mandou-o encarcerar Pensando preso não usa Com as musas conversar E a escrever, ele se recusa...
Foi em vão. Logo em seguida O Pigmeu escreveu Poesia. O sopro da vida. - Melhor entre terra e o céu!
São Paulo, 18/07/2008 Armando A. C. Garcia ---------------------------------------- A MENTIRA ! - (Infantil)
O meu pai sempre dizia Filho, não deve mentir Porque a Mentira um dia Poderá te atingir
Vejam só o que aconteceu Ao Zé, que apascenta gado - À noite não adormeceu, Por sentir-se entediado
Então, sem o que fazer Uma farsa engendrou E gritando, ele fez crer Que o lobo o atacou
Os pastores da vizinhança Ouvindo... lobo gritar Acudiram na esperança Do lobo mau espantar
Lá chegando, circunspecto O palco do acontecido Não revelava aspecto Do lobo ali ter bramido
Mal três dias se passaram O Zé, de novo gritou... Lobo, lobo, socorram ... E todo mundo ali voltou
Vendo a mentira do Zé Os pastores s'entreolharam E sem tapa ou pontapé Desapontados... retiraram
Zé, ficou desacreditado No meio da vizinhança - O caráter demonstrado Foi de uma vil criança
No dia que o lobo atacou O Zé, socorro pediu ... Mas ninguém se importou Porque o Zé, sempre mentiu
Com fúria e sanguinolência O lobo mau sacrificou Dez ovelhas, em consequência Da mentira que criou
Foi então que o Zé pensou No mal que havia feito Quando mentindo gritou Por socorro sem efeito !
São Paulo, 07/02/2008 Armando A. C. Garcia ---------------------------------- O casal de castores
Lindo casal de castores Vivia à beiro do rio Nem tudo eram flores Pelo risco que corriam
É que lá ia beber Casal de gatos selvagens Passando logo a querer Dos castores tirar vantagens
Tocaiaram sua presa Um bom tempo sem cessar P'ra colocá-los à mesa À noite no seu jantar
Mas o casal de castores Arquitetos por nascença Tinha erguido uma barragem P'ra defender sua existência
Construíram sua morada Com galhos bem entrançados Com a porta de entrada Na barragem submersa
No meio dos paus trançados Grande espaço reservado Lá moravam sossegados, Com mantimento, guardado.
Até que dois gatos selvagens Perturbaram sua paz, Mantendo guarda cerrada Com finalidade voraz!
Por terem discreta porta Com entrada pelo rio, Deixaram de virar torta Nos ataques que sofriam.
Cansados da perseguição Resolveram se vingar... Fizeram um mutirão, Para os gatos afogar.
Assim na próxima investida Os castores de prontidão Abriram as águas do rio Dos gatos... nunca mais se ouviu falar.
São Paulo 09/08/2004 Armando A. C. Garcia ---------------------------------- A RITINHA E O GATO SIAMÊS
A Ritinha tinha um gato Cuja raça é siamês Pulando sobre os telhados Escapulia de vez
A Ritinha não gostava Das fugas do siamês Na sua ausência chorava Pela falta que lhe fez
Sempre o bichano voltava De cada sua escapada - Nas ausências se encontrava Com gata que muito amava
A Ritinha não sabia Quem o siamês visitava Até que um certo dia... Trouxe a prole e a namorada
A Ritinha muito alegre A todos eles abraçou - Sua casa foi albergue Da prole qu'o siamês gerou
São Paulo, 14/09/2007 Armando A. C. Garcia ------------------------- Oração da Criança
Quis rezar mas não sabia, Nenhuma oração legal. Vou pedir p'ra cada dia O que acho principal.
Senhor, meu Deus, atendei O pedido que vos faço, Eu nem sei porque busquei Abrigo em Vosso regaço.
Minha mãe, está doente, Meu pai, desempregado Que ela, cure de repente, P'ra ele, trabalho achado.
Sabeis que sou pequenina Tenho três anos de idade, Não sei oração Divina P'ra vós, não é novidade!
Atendei o que vos peço Que chegando à mocidade, Pagar-vos-ei justo preço Rezando com qualidade.
Obrigado meu senhor, Em atender meu pedido. Eu não sei rezar melhor, Mas vos fico agradecido.
São Paulo 07/08/2004 Armando A. C. Garcia E-mail: [email protected] Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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A bruxa
A bruxa
Seu pensamento era um rio de amargura Dissimulação de suas próprias intenções Seu rosto a máscara de outra figura Personificação abstrata das maldições
Superstição ao não, continua existindo Nome: Bruxaria Tradicional no Brasil Onde você poderá participar, intervindo E ser um novo bruxo entre os mais de mil
Confesso que esta não é a minha praia Mas como gosto de escrever sobre tudo Não podia tirar meu corpo da raia No delicado assunto, d'alvitre cabeludo
O homem não precisa ser nenhum James Bond Nem tampouco um simples Charles Chaplin Precisa é ter moral e brio, como fronde E personalidade ágil como a do espadim
Enfim, o homem atual deve ter noção De simbolizar a masculinidade Não deve viver no mundo da ilusão Nem perdido na sombra da caducidade
E na introspecção de seu interior Antever a resolução de seus problemas Conceituar valores e os sentimentos
Longe desta *idiocracia sem valor Que corrompe o mundo e todos os sistemas Posto que está presente, em todos segmentos!
- Expressão nova não constante de nenhum dicionário, mas cujo significado é entendido como o da democracia da idiotice; popularização da idiotice. Enfim o mundo dos néscios e ignorantes.
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Presságio (soneto duplo)
Presságio
I
Pressinto no mundo o fel da amargura Verdade escondida nos trapos de rua A sombra consome a luz e a figura Na noite calada no brilho da lua
No manto celeste vejo a fé consumida No oráculo de Delfos, sopé de Parnaso Oferendas jogadas, esperanças perdidas Transes e visões, foram obras do acaso
Sacerdotisas de Apolo, aqui novamente De pastoras e religiosas disfarçadas Vão jogando neste mundo novas sementes
E em nome doutro Deus, oblações são dinheiro E vão amealhando tesouros às braçadas Na fúria das ondas, são elas o timoneiro.
II
O Deus que afagam no céu não habita E se existe, tem emoções quase humanas Pois, se de dinheiro também necessita Que Deus é esse que a matéria orbita
Dum sopro Divino o mundo precisa A despertar consciências, puder definir No palco da vida de quem profetiza Que o povo a final, melhor saiba decidir
Pressinto na terra a paz sem sentido O ódio e a cólera começam a crescer Pressinto o naufrágio do mundo fingido
De vícios e tramas urdidas nas trevas A fúria das ondas no dorso a gemer Tracei o esboço, na prancheta as canevas
São Paulo, 01/10/2012 Armando A. C. Garcia
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Majestoso mar
Majestoso mar
Majestoso mar de inúmeros mistérios Na grandiosidade de tua imensidão Quando agitado és um elemento deletério Se pacífico, tua beleza é fascinação
Teu espetáculo há miríades é contemplativo Na história dos povos, foste a grande estrada O caminho a percorrer significativo Que descobriu novos mundos na caminhada
Tens tom azul, por vezes esverdeado Tens a cor do céu, o enigma e o segredo O deslumbramento e encanto sagrado, Quando teu dorso não está agitado.
É nesse azul profundo, cheio de segredos Na imensa extensão do mundo, lá estás Semeando riquezas, alimentando os medos Aos que te procuram, roubando-te a paz
Vede como é bela a primavera florida Árvores frutíferas, campos verdejantes Vede como é belo, o primeiro amor da vida Estampa-se a alegria, nos rostos radiantes
A primavera, vestiu sua túnica florescida Para cobrir de graça a alegria esplendorosa O nascer e o pôr do sol, a manhã garrida Tornando a vida neste mundo cor de rosa
Houve-se o murmúrio das águas no riacho Num arroubo prazeroso tudo em festa Encanto, ostentação, luz e claridade
Na quietude mansa do prado e da floresta As aves buscam acasalar com seus machos Florescem as rosas, tudo é fertilidade !
Somos atores, representando no palco da vida Propomo-nos a exercer um determinado papel Num conflito insolúvel, a vontade é conduzida Pela força do destino seja acre, ou doce como mel.
A medida do limite entre o ator e homem Funde-se no mesmo ser da condição humana De simples mortais iludidos, ou ambiciosos Ao limite próprio que de cada um emana
Sem adentrar a dimensão do ser divino Somos protagonistas, em palco fascinante Com preconceitos a eliminar do mais cretino
Ao mais paradoxal princípio eqüidistante Que eleva o ser humano à noção de Deus menino Que há dois mil anos, como nós, foi caminhante !