Eu, amei-te absurdamente
Tu, absurdamente ignoraste
Hoje, queres-me incondicionalmente
Eu, passo por ti indiferente
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Eu, que passei minha vida
Sempre esperando por ti
Vejo-te agora arrependida
Tenho pena, do que senti
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Dizem por aí que o poeta
É um demente em confusão
Diz, o que lhe vem na veneta
Não escuta o coração.
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Eu amei a vida inteira
Quem amar nunca me quis
Nasce a uva da videira,
A água do chafariz
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Pulverizei de amor
A alma e coração
Assim, saí vencedor
Auferi tua afeição
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Teve um gênio colossal
Que este mundo elaborou
Criou o mundo animal
No espaço, o sol fixou.
Sua obra e conjuntura
É de arquiteto, sem igual
Sua flora é uma pintura
Tudo é lindo, natural.
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Nos restos, insignificantes
Às vezes está o melhor
Sai do cascalho o brilhante
Que lapidado tem valor
São Paulo, 27-08-2012
Armando A. C. Garcia
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672
Menina
Menina ! Na tua boca querida
Um beijo, deixa-me dar
Que satisfaça o desejo,
Que nutra meu desejar
A tua boca menina
Ando louco por beijar
Como água cristalina
Nunca vai-me saciar
De nada mais eu preciso
A não ser do teu amor
Tua promessa, um sorriso
Faz vibrar meu interior
Se por vontade do destino
Meu sonho se realizar
Será um beijo divino
Dos trocados no altar
A vida tem seus encantos
Corre pranto na saudade
E do amor, entretanto
A ternura e a amizade
Se tua boca eu beijar,
Podes crer minha menina
Eu, que da vida sou nada
Deste nada, serei tudo !
Será por certo um milagre
Ou uma benção de Deus
Num mundo que me foi agre
Teu beijo é benção dos céus.
Estou à porta deste mar que se agiganta À minha frente, mais que o sol no horizonte Onde o vagalhão da onda forte se levanta Onde o forte é fraco, quando ele se enfurece
Lá, no clarão da noite, o brilho das estrelas Nas noites tenebrosas, desesperos mudos, Sibilam os ventos no furor das águas Que não dão trégua à fúria que as domina
Precisa pedir à sorte, um consolo na desdita Os fenômenos da natureza ninguém dita Nem na grandeza dos astros no vasto céu Nem na fantástica desventura, creio eu.
Amor ! neste poema te envio os destroços
Daquilo que eu fui, e do que ora eu sou
Guarda-os com carinho e, não em fossos
Não deixes que eles voem, como o sonho voou
O fruto do amor que conhecer não pude
E que minha alma, fez em vão sofrer
Foi tão puro em toda sua plenitude
Que não acaba, nem mesmo se eu morrer
Loucura motriz deste ardente desejo
Que me invade e impele nesta paixão
E em troca, o que recebi foi o despejo.
Tu, a musa que meus sonhos despertaste
E partiste sem me dar um humilde beijo.
Foste tu, que minha vida destroçastes !
Alguns, põem tanta avidez no que desejam
Que pisoteiam em gente, como num lagar
Se pisoteiam as uvas, para fazer o vinho.
Sua ostentação demonstra que ensejam
Ser a peça principal em qualquer lugar,
Não importa se o ser humano é capachinho
É a total ausência objetiva do direito
É o obter, por finalidade um resultado
Que satisfaça suas aspirações, seus fins
Mesmo que redundem, pra outros em mal feito
Seus interesses inconfessáveis, de outro lado,
São indiferentes, em sua ânsia sem confins.
São Paulo, 24/08/2012
Armando A. C. Garcia
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661
Último Sonho
Último sonho !
A única "coisa" que podia ter de ti,
Era o sonho, vejo agora, que a perdi
Por longos anos o sonho extravasou
Latente as fronteiras de minha fantasia
Almejei prender o tempo para te esperar
Mais uma vez, o coração quis me enganar
Reconheço, são as circunstâncias da vida
Que não se curvam, nem ao frio, nem ao vento
Tortura implacável, tremendo sofrimento
Infinita dor, profunda, insatisfeita
É como se sobre um leito alcatifado
Alguém esperasse alguém, sem ser amado
Devagarzinho, e aos poucos foi morrendo
O sonho que sonhei, e que tu mataste
Ele era a mansidão, a estrela, o caminho
Mas, naufragou meu sonho de esperança
E com ele, na mesma água o meu carinho
Meu sonho, conseguiu esta vingança.
Queixou-se o cidadão
Que depois de quarenta anos
Sua mulher o abandonou.
Respondi-lhe: meu amigo
Se tua sina foi dura,
A minha foi bem pior,
A mulher que sempre amei
Nem comigo se casou.
E ouvindo minha história,
O cidadão chorou.
Quando penso em ti, parece que existe
A esperança tão pensada que consiste
Em ser de ti, e viver sempre a teu lado
Desatando os nós do destino em nosso fado
Mas nenhuma força humana pode conter
O fadário que no mundo, o outro tiver
Quais correntezas em vagas furiosas
No marulhar de ondas perigosas
Quero de volta os pensamentos que sonhei
Viver no outro mundo, não no que acordei
Sê tu, o licor, a iguaria do amante
Das noites de outrora, hoje, tão distante
Solta as vertentes que tens adormecidas
Nos sentidos das sombras contraídas
Vem ser feliz, mesmo que tardia a hora
Vem amor meu, não me olvides, agora !
Da sagrada virtude à prepotência
Da doce liberdade à violência
O homem com sua dualidade insana
Em virtudes e fraquezas se engana
Engana a si e um bando de comparsas
Em amostras desiguais cheias de farsas
Envolvendo a verdade em denso abismo
Não tem moral, não tem honra, nem civismo
São os horrores, desta medonha sociedade
Onde nunca acha um bem que o agrade
As coisas vãs, são as que mais ele adora
As de Deus, cheio de indiferença, ignora
O horror que hoje vejo nesta terra
É d'uma sociedade insana em guerra
Ante inexorável magia da ilusão
O homem perdeu o senso e a razão,
Representando o desejo à imaginação
Envolve-se no vício, na depravação
Destrói a real essência da humanidade
Numa existência frívola, sem dignidade.