É diferente nosso gênio e opinião Como ridicula é tua presunção Qu’estabelece como verdade a mentira E esta, é tua verdade, que ninguém tira
É diferente a nossa reputação Diferente o amor de nosso coração Nossa diferença é tamanha e tanta Quão grande o muro que se levanta
Como diferente nosso rumo de amar Nossa maneira de sorrir, de beijar Diferente ainda, o mundo que nos cerca És diferente, desigual, do que se merca
Diferente na aparência de teu visual Em tudo e na intensidade emocional Tamanhas são as diferenças entre nós Que acabamos ficando longe e a sós
Por sermos tão diferentes, o desconhecido Será o fim de nosso louco amor perdido Sem um sorriso fugaz ou um lamento Ponho ponto final no relacionamento.
II
É tão diferente aquilo que a gente sente Quando gosta de alguém sinceramente, É contundente, é real, é decisivo É o amor castiço, vero, primitivo
Diferente é do sensual, voluptuoso. Aquele amor franco, cordial, afetuoso O coração que ama é qual sacrário Não pode ser apenas um relicário
Onde se guardam somente as lembranças Deve guardar, antes de tudo esperanças De um futuro promissor, até morrer. Quando já velhos e cansados de viver,
Quando as noites ficam escuras, tenebrosas Com o breu da solidão, tão pavorosa Que nos cerceia ao avançarmos na idade O oposto do que foi nossa mocidade
É diferente o conceito do pensamento Que à alma e matéria, dá discernimento Diferente é ser diverso, é ser desigual E o é, a onda de emoção cerebral
É diferente o critério da razão O sentimento de amor no coração Ao do ódio, que só causa animosidade Como o é, a verdade da falsidade
Diferente o moderado do radical Como é, o concreto do imaterial Também, diferente o amor à ilusão A hostilidade à racial integração
É diferente o legal ao ilegal Como é dessemelhante o bem do mal É diferente que eu não possa te dizer Da gratidão por você me estar a ler.
De tanto que eu quis amar-te, me separei E a vida inteira, por teu amor... lutei Transcorreu a existência e não te achei No lugar, que para ti eu reservei
Na pauta dos desenganos, quantos tive Quantas amarguras tenho sofrido Falta uma estrela nos céus que cative O olhar que de alto lugar tenho contido
Tem no ar o pensamento a vagar Como vaga o meu sonho por encanto Sem asas que sustenham este tormento
O tempo muda a vontade de esperar Não esperança que ainda acalanto Mesmo vivendo atrelado ao desalento
Sua identidade perdida, Suas terras circunscritas Sem encanto, sua vida Ao tempo dos Jesuítas.
Sendo o índio guerreiro Domesticado qual gato Como um galo no poleiro É sombra do seu retrato
Numa extensão de elite Montavam as suas ocas Quando a caça no limite Mudavam todas as tocas
Felizes, aqueles nativos, Cuja terra era só sua Homens brancos, atrevidos Na verdade, nua e crua
Tomaram conta das terras Afastando-os para longe. Dizimados nessas guerras Os índios aceitam o monge
Aos poucos catequizados Da cultura, separados E, assim, foram dizimados Cada vez mais empurrados
De seus cantos e encantos Perdendo a caça e a pesca A floresta tem seus mantos Com fontes de água fresca
Dia após dia empurrados Cada vez para mais longe Mesmo já catequizados Passam a duvidar do monge
Esse choque cultural Prejudicou todas as tribos Desde a vinda do Cabral Fizeram do índio um chibo
Os poucos que ainda restam Perderam a organização Da raça não manifestam O senso duma nação
Do jeito que Deus criou Na santa mãe natureza Dela o homem te desviou Devolva-te à singeleza
Nesta homenagem singela Meu preito e admiração À nação mais pura e bela Vítima da espoliação !
São Paulo, 19/04/2012 Armando A. C. Garcia
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606
Nem comiseração, nem pena
Nem comiseração, nem pena !
Olha o mundo, como está mudado Antigamente, havia sentimento Respeito das pessoas de qualquer lado Deferência, consideração no tempo
Hoje, motivo torpe, vira arena Abate-se o semelhante em plena rua Não há mais comiseração, nem pena A justiça, está no mundo da lua
O roubo, o latrocínio, fica impune O povo não sabe a quem reclamar Ao ladrão a pena fica sempre imune A vítima, a pobre vítima... a penar !
Ninguém a ampara, não tem direitos Afinal morto não fala, não dá votos A turma, lá dos humanos direitos Não fala com mortos; eles são ignotos.
E assim, vai campeando a impunidade Por direitos escabrosos amparada Esta, é nosso invulgar realidade A vítima, fica sempre prejudicada.
Lei, que lei é essa que eu não entendo Mesmo sendo advogado militante Há cerca de quarenta anos, me rendo À lei de execuções, tão extravagante.
Precisamos de mudar urgentemente Anomalias grotescas em prol do crime Colocar um ponto final nessa gente Que dia a dia, menos se redime !
II
Antigamente, o ladrão era finório Tirava a corrente d’ouro da algibeira Ou alternativamente a carteira Inteligentemente, sem falatório
Na rua, ou mesmo dentro de um cartório Não percebias o furto; pura arte Hoje, assaltam na rua, em qualquer parte De arma em punho, diferente do finório.
O ladrão de hoje, é violento feroz Não sabe furtar com diplomacia Usa o roubo, violência e covardia Bem longe do ladrão, de seus avós
Antigamente o ladrão só furtava. O cidadão perdia a carteira O relógio, carregado na algibeira, Ladrão de antigamente. Não matava.
Hoje ele rouba pertences e a vida Sem dó, sem piedade, sem clemência No louco intento de sua insolência Numa longa inclemência incontida.
Como espectro perseguidor do bem Neste mundo adverso o crime avassala Sem medir consequências na lei resvala Tropeça e esbarra nas grades, também.
Na cocaína, no álcool, ou na maconha Quase sempre, no vício engajado Envereda em destino incerto, arriscado Cujo desfecho, não é, o que se sonha.
Porangaba, 10/04/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
711
Revanche
Revanche
A vingança assinala o atraso moral
No qual a humanidade, ainda se debate
É taça cheia de veneno a transbordar
Por caminhos escusos a dissimular
No homem que a nutre, o embate
Na covardia, pior que animal
É um indicador de retrocesso espiritual
Onde as ciladas odiosas são perpetradas
Em emboscadas, quase nunca às claras
Num golpe *pletórico, sua arma dispara
Atingindo-o mortalmente, a alma brada
Mancha de sangue a harmonia universal.
* que ferve;estuoso
Porangaba, 10/04/2013
Armando A. C. Garcia
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595
Tão longe de você
Tão longe de você.
Eu, tão longe de você. E tu, tão perto de mim Difícil na minha fé Reconhecer-te, assim !
Foi pela Tua vontade Vontade, deliberação Que encontrei a verdade Expressa em meu coração
Na pretensa veleidade Sempre fugindo de Ti, No frescor da mocidade, Caminhos outros, percorri...
Hoje, sei que creio em Ti, Ergui a fronte pro alto Por graça, não me perdi Como bomba de cobalto
Senhor! Dá-me o bom senso Para que eu possa ser digno De Te falar o que penso Em meu estrito desígnio
Abrindo meu coração Que fundas mágoas marcaram Onde engano e decepção Minha alma atormentaram
O mundo dá muitas voltas As ondas do mar, também, ...E foi nessas viravoltas Que encontrei Jesus. Amém !
Não foi pregado na cruz Nem foi ao pé do altar Seu espírito me conduz À pátria mais salutar.
Porangaba, 08/04/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
604
Esboço duma reflexão
Esboço duma reflexão
I
Há quem não ache bem que o satisfaça E percorra infeliz o mundo afora Encontra o ludíbrio e a desgraça E por cada lugar que passa, chora.
Foi vendo um agricultor venturoso; Que perguntou a razão dessa alegria Voltando-se, respondeu todo orgulhoso Planto, semeio e crio, todo o dia
Ao contrário de você, que nada faz Nem vê florescer a natureza Por isso, ignora dela a sua paz
Se exaspera nos meandros da tristeza Ao invés de como eu, contemplar os céus Olhar a imensidão deste mundo de Deus !
II
Foi refletindo nas rudes palavras Do venturoso matuto camponês, Que, o finório filosofar deu abas A elucidar a cega ambição de vez
E de um sujeito rude, ignorante Recebeu ensinamentos de valor Despertando sua alma dissonante Volveu o olhar ao grande Criador
A ingrata e dura vida que levava Passou a ser gratidão e brandura Vendo a felicidade e a formosura
Nos lugares que anteriormente O enfadavam de tédio e fastio Passando a viver feliz e contente !
Porangaba, 07/04/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
613
O teólogo
O teólogo
O teólogo, nas relações com o mundo
Esqueceu dos ensinamentos de Jesus
Enveredou por caminho jucundo
Posto que, não era dele aquela cruz
Dos textos sagrados, não fez bom uso
Seus atributos ultrajaram os céus
Achou demasiado prolixo e difuso
O contexto da palavra de Deus
Assim, em louco intento, como ímpio
Começou a descrer da divindade
E a explorar o nome da cristandade
Em almas ingênuas em busca do olimpo.
Mapeou os céus, o vendeu em lotes
E assim, foi enchendo os negros potes !