O desgosto, mata, aniquila Sente-se a vida oca, vazia A fronte consternada vacila Na solidão, que ao triste cria
As profundas abstrações do nada Abrigam no peito tanto fel Que o sangue ferve, a alma gelada Só aspira um silêncio cruel
Como se erguendo um cadafalso Inflexível à alegria da vida Para às sombras do pseudo-falso Pouco a pouco, abreviar partida
Desgosto, é amargura sem fim É o horror fechado à ofensa Descorado, pálido, qual cupim Que corrói a alma sem defensa
Mina a alegria, a exultação Só à tristeza ele nos conduz É chaga que mina o coração É uma úlcera cheia de pus
É dor, que em vida amortalha No silêncio profundo e mudo É o entristecer nesta batalha Que a vida nos legou, contudo
É preciso reagir com força Equilibrar nosso pensamento E antes que a porca o rabo torça Virar a página desse mau momento !
São Paulo, 11/02/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu blog:
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Maldito ciúme
Maldito ciúme
O sangue na veia a crepitar raivoso No peito o coração descompassado Arfava em delírios os ares ansioso Com o orgulho ferido e alquebrado
Sua alma cansada de sofrer curvada No mar de angústias, de martírios tantos Pranto que a desventura duplicada Ávida lhe trouxe num infinito manto
O ciúme, monstro negro que traz crueza A desgraça, a desventura o desamor No espaldar das forças da natureza De braços cruzados ostenta o furor
Que vai ruminando a mente, a razão Profunda, gigante a mágoa que cria O inferno em brasa em seu coração É presa do abutre que o demônio envia
Num instante não lembra, no outro desperta Abismos sombrios rondam-lhe a mente A porta principal, deixou entreaberta Passa horas cismando inconveniente
Traçando planos, conjecturando maldade Se os seus sentimentos não puder refrear Certamente cairá na criminalidade O amor que sentiu, hoje é ódio a açoitar
E do profundo *pélago que a ira expele Sangrento cotejo a vingança atiça Empunha o revolver, aponta pra ele Fechou-se a cortina, caiu a premissa. - Abismo São Paulo, 09/02/2013 Armando A. C. Garcia
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Horas agrimas
Horas agrimas
Sua alma está triste, O coração, cheio de dor Se a felicidade existe Não foi em seu amor
Seu coração verte lágrimas Não só p'la desunião Mas pelas horas *agrimas Após a separação
Ferido o íntimo sentimento Com a alma esfacelada A vida é um tormento Felicidade, uma piada
Sua alma, cismou dela Cismou o seu coração Quebrou-se o encanto por ela Desabou sua ilusão
Já debilitado sentiu Os passos ferais da morte Na aflição que surgiu No ludíbrio da sorte
A custo exprime o que sente Inóspita praia adentrou Cruéis vagas ele pressente Sem ela nos braços ... chorou ! * ódio; raiva
II
Sua alma verteu prantos, Lágrimas de muita dor, Derramados eram tantos Quão grande foi o amor
Toda chama foi apagada Na taça da desventura Tem outro amor na parada Hoje. É, de outra criatura
Nos braços de outro, talvez Sossegue o seu coração Que não teve a altivez De cumprir sua missão
Erguendo os olhos aos céus Procura apagar sua imagem Domar os instintos seus Difícil como um selvagem
Procura embalde esquecer O mar em que se perdeu Deste modo, melhor morrer Já que a derrota venceu
Abismo profundo e insano Que abala os céus e a mente Só um esforço inumano A tal ofensa consente !
São Paulo, 08/02/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Tento em vão
Tento em vão ...
Tento em vão recompor o alinhamento Das tortuosidades de meus pensamentos Porém, não há sintonia em meus intentos E eu, perco-me em vis sentimentos
Já nu, despido de todas as mazelas Longe das amarras, perto das estrelas Na longitude dum oceano bravo Tu, fizeste de meu peito teu escravo