O último novilúnio
O último novilúnio
Mal o sol debandava em retirada
A lua despontava em novilúnio
No silêncio só uma aragem soprava.
No seu peito profundo infortúnio
No pobre casebre de pau a pique
Onde há mais de cinqüenta anos vivia
Sua companheira teve um chilique
E entrega a alma, a quem o mundo cria
O intenso golpe da separação
Mutilou-lha a esperança de vida
Só angústia em seu pobre coração
Solidão, a cada dia mais sentida
E no lúgubre casebre miserando
Onde de dia entrava a luz do sol
E à noite o luar, o iluminando
É hoje negrume, sem o arrebol
A doce e amada esposa que partiu
Era a intensa luz do sol, era a lua.
A dor lancinante que ele sentiu
Mesmo que viver possa, continua
Não esquece a afeição tão meiga e doce
Dum amor que foi puro contentamento,
Alegria, e mesmo que assim não fosse
Foi um raio de sol no firmamento!
Porangaba, 15/08/2013
Armando A. C. Garcia
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Um raio de esperança
Um raio de esperança
Tangenciou um raio de esperança
De minha alma ao meu coração
Imerso no perfume da bonança
Sufocado co’a queda e a ascensão
Pensamentos e linguagem ansiosos
Salpicos que a chuva enlameou
Como elfos da lua misteriosos
Que em explosão ao céu se elevou
Titãs divinos, destronando céus
Questionando o espírito humano
Crescem as dúvidas à luz dos olhos meus
Ante o indomável poder dominante
Das ocultas forças deste mundo insano
Como o raio, que cai mais adiante !
São Paulo, 07/08/2013
Armando A. C. Garcia
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E o ancião chora
E... o ancião chora
Caminhava taciturno o bom velhinho
Do aprisco das ovelhas pra seu lar
Quando ouviu um murmúrio bem baixinho
Dum casal, mais além a se arrular
Recordou da juventude o seu viço
De seu tempo varonil que passou
Hoje, só restou a lembrança disso
O tempo já tudo, tudo aniquilou
No silêncio continuou a caminhada
Pensando em velhos tempos de outrora
Em que era outro, homem que é agora
Quedou-se mudo no meio da estrada
Ponderando como a vida é compilada
E olhando as estrelas, o ancião chora !
São Paulo, 02/08/2013
Armando A. C. Garcia
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A Aflição !
A Aflição !
A aflição é uma chaga que conduz
À intemperança, ao desvio da cruz
Domina o sentimento, absorve a luz
É impacto tenebroso a Jesus !
A aflição é a prostração da alma
Que germinando faz perder a calma
O destempero, entre bom senso e razão
Opressão que se infiltra no coração
A ânsia da indefinição do porvir
Na desesperada busca da razão
Fazem na alma, aflorar aflição
Desejos alucinantes no sentir
Que abafam o estreito pensamento
Tortura, pensar no triste momento !
São Paulo, 01/08/2013
Armando A. C. Garcia
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Aos desesperançados
Aos desesperançados
Aos desesperançados e flagelados
Se pudesse, eu diria que na terra
Os bens maiores a serem conquistados
São a luz e a paz que ela encerra
O infortúnio, pudesse desvendar
Para mostrar os enigmas profundos
Que envolve a luz espiritual no lar
No fadário imortal de novos mundos
A vós que padeceis escravizados
Libertai-vos do ódio e do rancor
Pra que um dia sejais abençoados
Por nosso Pai Supremo, o Criador.
Na redenção das almas, o pecado
É a falta espiritual de puro amor
Porangaba, 31/07/2013
Armando A. C. Garcia
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Incertezas II
Incertezas II
Como um barco soçobrando no mar
Na mesma intensidade de incertezas
São dúvidas, cicatrizes de torpezas
Dor horrível, que sempre dói ao amar
Pus em suas mãos, a minha fantasia
Acomodei a vida naquele sonho
Naquela incerteza, o sonho foi medonho
Caí, como um pato, na sua pontaria
Escuros enganos na alcova da vida
Enxurrada que desvanece no rio
Anseio, cobiça, esperança ferida
Se incerto é o fim, me dá arrepio
Qual barco soçobrando na dúvida
A incerteza, me cobre no vazio !
Porangaba, 29/07/2013
Armando A. C. Garcia
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Glorioso Sol
Glorioso Sol
Ó linda estrela que fulguras
No grande infinito sem fim
Cedes luz às noites escuras
De dia, iluminas o jardim
Tu, és uma estrela que brilha
Num intenso clarão fecundo
Com milhões de anos tua trilha,
Fascina natureza e mundo.
Dás vida aos prados e às flores
Despertas a vida na terra.
As aves gorjeiam, e dás cores
Às sebes e às matas da serra
No pomar, a fruta amadura
Quando no horizonte te elevas
A natureza canta a fartura
Mal teus raios rasgam as trevas
A vida, a cada nova aurora,
Renasce cheia de esperança
Tu, és a vida que aflora
Do mundo, alegria e pujança
Ó, glorioso Sol desta vida
Que a deslumbras e aqueces
Que jamais seja enfraquecida
A nobre luz, que nos ofereces
São Paulo, 19/07/2013
Armando A. C. Garcia
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do imenso mar
...do imenso mar
Com certa magia a lua reflete
Nas águas profundas do imenso mar
Quase sem vento a luz se inflecte
Na luz que do céu, provém do luar
Certa fragrância, as ondas carregam
Na praia deserta, suspiros sem fim...
Nas areias da praia, que tudo abnegam
Um cheiro tão doce, parece jasmim
Noite tão calma, silêncio profundo
Caminha sozinho, na praia jardim
Sem violar sossego, nem paz ao mundo
Curtindo a mágoa do fim de um amor
Nas águas do mar, deságua por fim
As dores que mutilam, aquele sonhador !
São Paulo, 18/07/2013
Armando A. C. Garcia
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A Varina
A Varina !
À sombra, duma sombrinha
Para a cútis não queimar
No mercado da sardinha
Que logo iria apregoar
Tendo por lida, a entrega
De sardinha e carapau
A linda e meiga varina
Sobe ladeira e degrau
Da baixada da Ribeira
Vai apregoando seu peixe
Até São Bento e Alegria;
Olhá-la, não há quem deixe
Passa alegre, sorridente
Com tão finura leveza
Até parece pra a gente
Que sua canastra não pesa
Aos olhos leva alegria
A cada hora que passa
Como um toque de magia
Parece um anjo da graça
É livre como a esperança
Num mundo que é todo seu
Misto de mulher e criança
Que o trabalho enalteceu
Fruto de muito labor
A sua lida constante,
Do viço tem o frescor
E o brilho do diamante !
São Paulo, 17/07/2013
Armando A. C. Garcia
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Louvei a Deus
Louvei a Deus
Pedi a Deus que me desse
Um minuto de atenção
Para que assim eu pudesse
Abrir-lhe o meu coração
Deus consentiu no pedido
Louvei-o cheio de amor
E pelo tempo perdido,
Supliquei da imensa dor
As trevas, a escuridão
Rasguei, com seu esplendor
Agora é só mansidão
Paz, harmonia e amor
Outra janela se abriu
Para um mundo melhor
Foi roseira que floriu
No jardim do Criador !
Horizontes sem fronteiras
Neste universo sem fim
Desfraldando as bandeiras
Anjos tocando o clarim.
Louvo-te, com alma em brasa
E com fervor no coração
Senhor! Honra a minha casa
No mundo, toda nação
Que haja equilíbrio e paz
Mais amor, ponderação
Que o povo seja capaz
De viver sem confusão.
São Paulo, 15/07/2013
Armando A. C. Garcia
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