Tropel de ternura
Tropel de ternura Tropel de ternura cheio de carência Sigo perdido na madrugada fria Caminhando por entre cardos e silvas Persigo meu fado na sombra sombria E por tudo que hei sofrido, as madressilvas Decidiram ornar minha imprevidência Alcatifaram risonhas, novos rumos Minha asa, minha casa, meu amigo A nuvem negra, a maré brava se afastou Meu sonho arrependido, foi um castigo Que pra bem longe de ti me apartou O tropel de carência... é folha de resumos ! Porangaba, 27/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
Correnteza em desalinho
Correnteza em desalinho Oh! Saudade ! Oh! Ansiedade Na correnteza em desalinho. Na pipa; provando o vinho Oh! Lembrança da mocidade Minha terra de ar puro e sol Lembrei-me de ti, como mãe, A terra onde gera, o é também Terra, onde trina o rouxinol O alecrim e rosmaninho Nascem e crescem sozinhos Oh! que saudades do caminho Que levava às minhas vinhas Quando subia nas muralhas Sentia-me qual dono do mundo E num sentimento profundo Das ameias via a batalha Batalha de sonhos perdidos Neste mundo, pura ilusão Meus sonhos foram preteridos Deles, restou a dor da paixão Quando batem as saudades Não há defensivo possível Há desejos, há densidades A avolumar o inconcebível Lembrei de ti, segunda mãe Terra querida e venerada Onde nasci, cresci também Hoje, pela distância separada Destino, ou vontade de Deus De ti, fui pra sempre afastado Espero que um dia lá dos céus Eu possa estar mais a teu lado! Quando digo que tu me intentas A pensar em ti, tanto e quanto Porque será que não me isentas Desta saudade que eu pranto ? Porangaba, 26/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
Colonização de Marte
Colonização de Marte... Há que considerar os tempos mudando Remígios do condor rasgam os céus O homem. Noutro planeta está criando Um novo mundo, como se fora Deus Mas, inconsideradamente, é um menino Imprudente, precipitado, num lugar perdido Não há percurso sem caminho. Destino Não acende estrelas com a mão, ungido. Só a Ele, cabe o puro gesto, caminho Na força do céu, na montanha e mar Para qualquer lado é taça de vinho Que a mágoa da vida nos faz tomar Grito liberto, cheiro de rosmaninho Distância e saudade do verbo amar ! Porangaba, 25/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
Última Esperança
Última Esperança ! A tarde dava os últimos suspiros Naquele dia só havia amealhado Alguns pobres vinténs, tão minguados... Nem dariam para alimentar vampiros Certamente, naquela noite fria Iria passar fome avassaladora Tão voraz, danosa, desfibradora Da parede estomacal, se vazia Que fazer, se é vontade de Deus Remir suas penas em expiação Mas, volveu uma suplica aos céus Quando ainda, mal tinha terminado Achou no caminho uma criatura Que lhe deu o dinheiro desejado ! Porangaba, 25/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
Expressão de delírios
Expressão de delírios Quando aspiro o perfume inebriante Que teus delicados seios exalam Fico alegre, efusivo, irradiante Pelos delírios que de ti propalam Albergam um deleite incompreensível Quando meu quarto envolto na penumbra Do ato inconseqüente, indescritível Almejas o vigor que te deslumbra Deixo-te sorver na fonte do prazer Nesse mundo que é todo fantasia Até você saciar-se de beber E ao atingir a satisfação plena Do gosto que o líquido inebria Gravarás na mente aquela cena ! Porangaba, 24-05-2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
A Túnica de Nesso
A túnica de Nesso Pedi ao *Nume para vestir A túnica do sacrifício Sem dela puder desistir Quer por renúncia ou vício Ele deu-me a túnica de **Nesso Relutei contra o oráculo Vesti a túnica pelo avesso Livrei-me de ir pro buraco O talismã do oráculo Para minha vestimenta Foi na verdade o pináculo De natureza sangrenta É que o sangue envenenado Que dita túnica continha Teria sim, arruinado Minha pobre figurinha Dejanira o deu de presente Sem intenção de maldade El, do mal está ausente Inocente de verdade ! *divindade ** paixão que punge a alma Porangaba, 22/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
Vestido de amor
Vestido de amor... Vestido de amor, não pude-me calar. Nos retalhos da vida guardei o medo Tu, que eras a rainha de meu segredo Havia chegado a hora de revelar Puídas pelo tempo mossas diferenças Desgastadas pelo tempo de sedução Tu, que sempre me olhavas sem emoção Agora posso dizer,-te, não me esqueças Porque à noite quero balouçar teus sonhos As agras, torná-las hei de felicidade Dar-te-ei ternos desejos, para ti bisonhos Intensos e cobiçosos pra qualquer mulher Sentir-se amada, com jactanciosidade. Eu, serei para ti o amor que vez crescer ! Porangaba, 22/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
A maldade
A Maldade... Não deixe brotar maldade Dentro do seu coração Porque aos poucos ela invade Sua fé e sua razão É tal espinho oculto Cravado no coração É sentimento inculto Medonha escuridão É muito mais do que pensas É o fio da espada É razão das causas tensas É metáfora desenhada Maldade é mal que advém Do cerne de nossa alma Só a bondade a detém Só o amor a acalma É um frasco de veneno Dotado de duas saídas Uma agindo como dreno Outra tapando feridas Por vezes sem permissão Esse frasco desarrolha A saída dá explosão, Sem que os destroços recolha Nossos esforços em vão Detêm a vil fagulha O pobre do coração É envolvido na bulha ! Porangaba, 21/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
Os cabras da peste
Os cabras da peste ! Precisamos mostrar ao mundo O desconsolo profundo Deste povo sofredor Que tem por pai, Nosso Senhor Falta água no nordeste O gado morre de sede Enquanto o cabra da peste Ar condicionado e rede O dinheirão que se gasta Sem utilidade alguma, Pois nada que satisfaça Para o povo ele arruma Mentiram tanto e quanto Do quanto, nada fizeram Os que mentem, mentem tanto Que da mentira, se esqueceram Verdadeiro estelionato Em cada eleição praticado Repetem o mesmo ato De *focinho deslavado Peçamos ao Senhor do Bonfim Que esclareça nossa mente - É força chegar ao fim Rejeitando essa gente ! •No Aurélio: pop. rosto do homem; face; cara São Paulo, 20/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
O que restou
...O que restou! Ser-te-á na alma um novo horizonte Substância do ontem e do amanhã Alheia, enfraquecida, outrora sã Foi o que sobrou da tua linda fronte É o resto da carcaça envelhecida Tão velha, como o nada que sobrou É o tempo a conspirar; eis que ganhou Na batalha que tecemos pela vida ! E no segredo de seu manto nos envolve E com dardo oculto aniquila nossas veias É o *Hades a interpor-se no caminho Esvaziando sem nuances nossos dias Nas formas e no contraste em desalinho E... sem ele o coração nada resolve ! *na mitologia grega, é o deus do mundo inferior e dos mortos São Paulo, 19/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com