SER PAI (replay)
SER PAI (replay)
É uma solene missão
Árdua, tarefa dura
Que Deus dá à criatura
Num rosário de paixão
É uma fonte de esperança
Que consola o coração
Como se fora uma benção
Uma bem-aventurança
É a argila que se molda
Nem sempre a nosso prazer.
Pois querer. Não é puder,
Nem sempre o barro se amolda !
Ser pai é fé que sublima
Altar de luz e tormenta
É paixão que impacienta
É um sonho que arrima.
É esperança que consola
É um sol que irradia
A estrada áspera e fria
E faz do ninho uma escola.
Não vê maldade em quem ama
Tem amor sempre de sobra...
Pelo filho se desdobra
Se preciso, pisa a lama.
É um clarão de alegria...
A nova estrada do mundo
É o amor mais profundo
Estrela... que o filho guia.
São Paulo, 06/08/2004 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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O abstrato...
O abstrato...
Não te mantenhas abstrato
A ouvir o som das marés
Porque elas, poderão de fato
Já estar molhando os teus pés
São Paulo, 12/08/2018 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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A Gazela e o Lobo mau (infanto-juvenil)
A Gazela e o Lobo mau (infanto-juvenil)
Certo dia uma gazela desgarrada
Á beira de um riacho, tranqüila pastava
Quando um lobo, goela aguçada
Olhava, mirava, se dum pulo a'lcançava
O porco-espinho, compadre da gazela
Atento observava a avidez do lobo
Que a cada segundo, pensava comê-la.
Como o porco espinho, nada tinha de bobo...
Arquitetou um plano contra o intento
Do astuto e ardiloso lobo mau,
Que fingia nutrir-se do mesmo sustento
Para acercar-se da gazela, o marau!
E quando o manhoso, o bote tinha certo,
O porco-espinho que a tudo assistia,
Jogou seus espinhos, em firme acerto
Que o lobo cegou; e de dor, ele gania...
A doce gazela, tão pura e tão bela,
Sequer percebeu o perigo iminente.
Continuou comendo, nenhuma cautela...
Só foi perceber, quando à sua frente!
O lobo ganindo, socorro pedia...
A pobre gazela, seus espinhos tirou,
Curou suas chagas, serviu-lhe de guia,
Para ser atacada, tão logo ele sarou. !
O quanto podia, correu pelos prados
Saltava, pulava, só poeira fazia.
Por fazer o bem, pagou seus pecados...
Até que chegou, aonde o lobo não ia.
Aí, foi pensar que nem sempre se pode
Ao seu inimigo, comida lhe dar.
Porque à primeira rusga a poeira sacode...
Agradecendo assim, quem o quis ajudar.
São Paulo, 23/08/2004 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Do primeiro amor... (soneto duplo)
Do primeiro amor... (soneto duplo)
Do primeiro amor, ninguém esquece
É sentimento que na vida inteira cresce,
Na alma que ama, o coração floresce
Sentimento intenso que não perece.
É esse amor eterno, verdadeiro
Que a alma alimenta no braseiro
Mantendo na memória do primeiro
Condição dum digno cavalheiro,
E este sentimento é tão profundo
Que em qualquer lugar deste mundo
O primeiro amor é o mais fecundo
Feliz daquele que recebe a benção
Sacramental da eterna união,
Sentimental desejo do coração !
II
Todavia, por certos contratempos
Outros, tão divergentes da vontade
Não que seja por meros passatempos
Perde-se o amor primeiro, vem saudade
Esta infinda, trazendo a nostalgia,
Preso à memória o desejo aceso,
Querendo o primeiro amor a cada dia
Como se pudesse voltar ao que é defeso.
Tristeza, dor e sofrimentos mil
Ao sentir no peito amor intenso
Sem puder ser ao grande amor servil,
É o amor que a alma não esquece,
Nem o coração o deixa suspenso
Passa a vida inteira, e não perece !
Porangaba, 13/03/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Reto retrato de: TU (soneto)
Reto retrato de: TU (soneto)
Tu és o amor a quem eu quero tanto
Tu, és a esperança que em mim renasceu
A luz que clareia o meu caminho, enquanto
A alegria de meus dias só cresceu
Quando te encontrei, sorrindo no caminho
Tu, rosa sem espinho, perfumada
És a deusa do amor e do carinho
És a luz que ilumina minha estrada !
Tu, que és a expansão e o limite
O Omega e o alfa, a morte e a vida
A flor exótica, a onda em desafio
Tu. Que foste tudo isto em minha vida
Sou hoje, para ti um nada, um estalactite
Pendido do teto da caverna por um fio !
Porangaba, 10/02/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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A Pérola !... (Infantil)
A Pérola !... (Infantil)
Caminhava pela praia
Um plebeu, pescador
Quando surgiu a princesa
Tão linda como uma flor !
O destino quis que ao vê-lo
Gostasse dele a princesa
E levou-o ao castelo
Pra apresentar à realeza
Nada tinha o pescador
Pra princesa presentear
Pescou a pérola mais linda
Que havia no fundo do mar
Seu presente de noivado
Estava ali garantido
Deixou o rei encantado
E aceitou o pedido
Na véspera do casamento
Novamente foi pescar
E pra seu maior contento
Pescou a pérola, que era par
Presenteou a rainha
Que muito agradeceu,
Perguntou donde provinha
Ele disse, que era do céu!
As pérolas eram tão belas
Parecia que tinham luz
Geradas duns cravos velhos
Que pregaram as mãos de Jesus !
São Paulo, 04/11/2012 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Se foi Deus que nos criou
Se foi Deus que nos criou
Se foi Deus que nos criou
Porque nos criou desiguais
E porque alguns nada têm
E outros têm demais
A resposta a esta pergunta
Está na reencarnação
Penhor de vidas passadas
Resgate, compensação
Feliz daquele que nesta vida
Paga centil, por centil
Ter a existência perdida
É retrocesso infantil
Situação digna de nota
Pluralidade d'existências
A unicidade é remota
Não encontra consistência
Se Deus é justo e bom
Como impor tribulações
Misérias e infortúnios
E dar a outros mansões?
Nossa sorte é decidida
Pró ou contra ao nascer
A uns um tipo de vida
A outros o perecer !
Que Deus teríamos afinal
Dando a uns felicidade
Sem repartir por igual
A sua fraternidade !
Porangaba, 10/05/2011
Armando A. C. Garcia
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Brasil ! teus filhos exigem mudanças (soneto)
Brasil ! teus filhos exigem mudanças (soneto
Brasil ! teus filhos exigem mudanças,
A mudança radical, te conclamam
Jazem de joelhos suas esperanças
Por um novo amanhã, não de vinganças
Basta o que sofremos de punição;
Confessem-se vencidos os algozes
Que no albor do amanhã no coração
Volte a esperança, afastando os atrozes
Que do Grande Deus venha a inspiração
A teus filhos valentes, sem destemor
Para fazer de nossa Pátria uma nação
Onde reine a paz, a serenidade e o amor
E onde nossos filhos, sem aflição
Vejam em Ti, em futuro promissor !
São Paulo 11/05/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Vós ... (soneto duplo)
Vós ... (soneto duplo)
Sinto a dor que trespassa o coração
Desde a ímpia e remota mocidade
Cansado de aguardar outra intenção
Que a vida me frustrou em tenra idade
Dos males que contra mim conjuraste
Na perfídia que o tempo não apaga
Vós que meu peito, a vós inflamaste
De paixão imortal, que não se apaga
Tolhendo à vida, sonhos de ventura,
Ponde fim, a um tormento, tão comprido
Já acabei pobre de amor, desiludido
Vergonhoso castigo de desventura,
D'vós a mim infligido sem sentido,
Retraindo-vos, a um pesar escondido !
II
Vós que da ventura me afastaste,
Tão cedo, ao despontar em mim a vida,
Lágrimas. Certamente as choraste
Por de teu ato, estares arrependida
Porém, a vida não nos dá retorno
Nem muda o curso que o rio segue
Passou o tempo. E este, sem contorno
Deixa-vos arrependida, não negue
Se teu amor foi frenesi, o meu não!
Senhora, o triste fim que deu a meu amor
Chorando do viver uma saudade
Condição cruel ao pobre coração
Que viveu uma vida de saudade e dor.
Cuidar de salvar-se, foi tua razão !...
São Paulo, 09/11/2015 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Tu, dona de mim, há tantos anos (soneto)
Tu, dona de mim, há tantos anos (soneto)
Tu, dona de mim, há tantos anos
Tempo em que sofri mil desenganos
Imperatriz dos meus pensamentos
Pitonisa de minhas mágoas e lamentos
Na pertinácia que sobrepõe a dor
Tu, que não te convences do amor
Num belo e certo dia, tu, hás de ver
Esta afeição, que não para de crescer
Da qual não te convences certamente
Qu’o amor, possa durar eternamente
Mesmo sem ventura, sempre efluíste
Neste coração que jamais desiste
De acalentar o sonho adolescente
Pois coração da gente, nunca mente !
São Paulo, 27/11/2015 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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