e quando as armas se calaram e os corpos se contaram, jazias amigo, curvado entre a vida e o sol posto. Entranhas abertas, gemido forte, olhar vidrado fixado na morte. Máscara de sangue. E foi então, todo em tremor, num ultimo estertor abrindo a mão, (esgar de dor), me pediste; por favor... entrega isto ao meu Amor. (e de mansinho, lá te foste!!!)
e quando as armas se calaram e os corpos se contaram, jazias amigo, curvado entre a vida e o sol posto. Entranhas abertas, gemido forte, olhar vidrado fixado na morte. Máscara de sangue. E foi então, todo em tremor, num ultimo estertor abrindo a mão, (esgar de dor), me pediste; por favor... entrega isto ao meu Amor. (e de mansinho, lá te foste!!!)
911
Ciclo do Guerreiro
e já quando no fim da viagem sua espada baixou, não por medo, sim por convicção, da face do guerreiro duas lagrimas brotaram. uma de saudade, não de vencido, outra de esperança, não de temor. a de saudade... salgada, como um imenso oceano revolto e inteiro. a de esperança... doce, como o sorriso meigo e confiante de uma criança. as duas... uma salgada, a outra doce fundiram-se, e da face do guerreiro uma só lágrima rolou, não de tristeza, nem de dor. uma lágrima... de esperança.
919
Medieval
Dei por mim medieval, escravo, senhor de foral, feirante, bobo da corte montado em cavalo real. Viajei no espaço, cavalguei o tempo, dei a mão à morte, sobrevivi à peste. Partilhei com rameiras a cama da ilusão, dormi o sono dos justos, guardei muito segredo, fui enviado ao degredo da minha solidão. Assisti à execução de tanto charlatão alguns sem culpa formada outros... por pouco mais que nada. Pisei o risco, virei do avesso a capa da virtude. Vendi de tudo, galinhas, porcos, marrecos, cabritos, borregos, vitelas, donzelas, de entre elas algumas mal guardadas por cintos de castidade sem prazo de validade. Merquei ainda esticadores pós colarinhos e camisas bem bordadas por mãos alvas de lindas fadas. Saltei por muitas eras, entrei em muitas guerras perdi muitas batalhas. Fugi à inquisição, vesti muitas mortalhas. Travei muitos duelos por ter amado mulheres de nobres cavaleiros e a honra lhes ter manchado, porque apanhado quando sujeito, em horas de aflição, com as calças numa mão segurando na outra o bordão já dobrado e sem tesão, e então? Foi assim aquela noite de sonho e ilusão, e que quando ao acordar, ainda tentei, mas em vão, continuar a sonhar.