babaia

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As palavras chegaram até mim em tempos de dor, mas minha mão não pesou. Ao contrário, ela se mostrou leve, e as palavras fluíram. Escrevo há 16 anos. Nasci em Itapira/SP, virginiana, apaixonada por música, circo, teatro, cinema e literatura. Sou professora de História.

Perfil
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Geografia


atravessei sete mares

e vi a geografia da morte

sete cruzes brancas

enfeitavam os cais

sete flores de plástico pregadas nas cruzes

sete crianças sepultadas

nos loucos olhos das mães pendiam lágrimas

que caiam na terra e brotavam rosas multicores

flores enxertadas de guerra e amor

eu vi a geografia da loucura

mães cavando espaços dentro do peito

para comportar dor

eu vi a geografia desumana

construíndo muros

que segregam e que escutam lamentos maternos

eu vi muros chorando a própria existência

Eu via a geografia, e ela não era humana

eu vi os mares



eles não saem dos meu olhos

e eles não saem dos meus olhos...

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Biografia
As palavras chegaram até mim em tempos de dor, mas minha mão não pesou. Ao contrário, ela se mostrou leve, e as palavras fluíram. Escrevo há 16 anos. Nasci em Itapira/SP, virginiana, apaixonada por música, circo, teatro, cinema e literatura. Sou professora de História, Pós-Graduada pela UNESP de Assis e pela UEM, Maringá. Participei do Mapa Cultural Paulista em2015/2016,fui classificada nas fases municipal, regional e fui para a fase final . Participo da Associação de Escritores e Poetas de Paraguaçu Paulista-APEP . Tenho poemas publicados em três antologias: “Um olhar Sobre” coletânea da APEP em 2014, “Filhos de Maria e Valentim”,2015 e “Um Olhar Sobre”, coletânea da APEP 2017. Também tenho poemas publicados no site Blocos Online , Parol , Movimiento Poetas del Mundo e Antologia do Mapa Cultural Paulista edição 2015/2016 ,versão ebook.

Poemas

3

Vela para iluminar poeta

Dorme o poeta o sono profundo do adeus

Sua urna mortuária forrada de poesias é uma licença poética

Descansa o poeta em sua casa branca e azul

Guardada por anjos na porta

Acendo uma vela para a passagem do poeta ao vale da poesia

Quem mais velou por ele?

Que musa chorou sua partida ?

Quem fechou as pálpebras espirituais?

Quem segurou suas mãos líricas?

Acendo uma vela para iluminar os caminhos do poeta

Pra brindar sua assunção aos céus das metáforas e ladainhas

Para aveludar sua alma

Livrá-lo do frio da mortalha

Calçar suas luvas

Acendo vela para iluminar poeta

Para livrá-lo da escuridão da noite

Para abrir os véus das palavras

Para acompanhar solidão de sua pupila de pedra

Para escoltar corujas e teias de aranhas

Para decifrar seus versos e agradecer sua estadia

Acendo vela para iluminar poeta

Para salvá-lo das cinzas negras do silencio

E devolve-lo a sua terra.
216

Oito Barracas

Maiakovski/presente

Vandré /presente

Helenira?

Nira/Preta/ Fátima?

a rosa virada no avesso

um nunca mais atracado no tempo

o corpo/o corpo...

onde,o corpo?

as pernas estilhaçadas /o coice da metralhadora

o cheiro da pólvora que se espalha no ar até hoje/

buscando /buscando...

a resistência desmedida /a utopia calculada

o rio Araguaia a molhar por dentro

gestando brutas delicadezas/necessárias para o tempo afora

caminhando /cantando com camponeses

o silencio da coragem /a negação da delação /a solidão da prisão

as torturas/os golpes de baionetas

as poças de sangue testemunhando que a luta fora vencida

o corpo tombado em Oito Barracas



ao longe/um curió rugia...

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Geografia


atravessei sete mares

e vi a geografia da morte

sete cruzes brancas

enfeitavam os cais

sete flores de plástico pregadas nas cruzes

sete crianças sepultadas

nos loucos olhos das mães pendiam lágrimas

que caiam na terra e brotavam rosas multicores

flores enxertadas de guerra e amor

eu vi a geografia da loucura

mães cavando espaços dentro do peito

para comportar dor

eu vi a geografia desumana

construíndo muros

que segregam e que escutam lamentos maternos

eu vi muros chorando a própria existência

Eu via a geografia, e ela não era humana

eu vi os mares



eles não saem dos meu olhos

e eles não saem dos meus olhos...

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