beaventura

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Sinal

Caminho sem rumo 
Arrastando os meus pés,
Tropeçando na calçada 


As lágrimas turvam-me a visão 
Falta-me o ar 
Grito o teu nome 
Mas não o ouço,
Não me ouves 


De joelhos olho para o céu 
Iluminado pelas estrelas 
E ao perguntar-me onde estarás 
Confronto a minha solidão,
O meu desespero 


Ao levantar-me 
Sinto o sangue escorrer pelas minhas pernas 
E ao secar as lágrimas 
Sinto o teu toque.


Ouviste-me.
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Poemas

8

Sinal

Caminho sem rumo 
Arrastando os meus pés,
Tropeçando na calçada 


As lágrimas turvam-me a visão 
Falta-me o ar 
Grito o teu nome 
Mas não o ouço,
Não me ouves 


De joelhos olho para o céu 
Iluminado pelas estrelas 
E ao perguntar-me onde estarás 
Confronto a minha solidão,
O meu desespero 


Ao levantar-me 
Sinto o sangue escorrer pelas minhas pernas 
E ao secar as lágrimas 
Sinto o teu toque.


Ouviste-me.
178

Depois de ti

Já viste como é triste?
Um mundo sem ti,
No silêncio da noite 
No frio da madrugada 
Faltas tu


Já viste como é triste 
Um mundo sem ti,
Estou tão perdida 
Podia gritar 
Faltas tu 


Já viste como é triste?
Um mundo sem ti,
O Sol foi para trás das nuvens 
Para esconder a cara e chorar,
Faltas tu.
142

Marido

Sou mulher para lavar 
Lavar A tua roupa
Lavar o teu corpo
Mas não sou mulher para falar


Sou mulher para consolar
Consolar-te na tristeza
Consolar-te no desespero
Mas não sou mulher para ajudares


Sou mulher para amar
Amar as tuas virtudes
Amar os teus defeitos
Mas não sou mulher para acarinhares


Sou mulher para acompanhar Acompanhar-te na velhice
Acompanhar-te na doença
Mas não sou mulher para agradeceres


Sou mulher para educar
Educar os nossos filhos Educar os nossos netos
Mas não sou mulher para votar


Diz-me, marido,
Porque casaste comigo
Já que eu não sou mulher,
Sou escrava do teu violento coração.

139

És tu?

És tu, meu amor,
A minha razão de viver
Ou a que me faz querer morrer?


És tu, meu amor,
A origem da minha felicidade 
Ou a causa da minha insanidade?


És tu, meu amor,
A força que me faz respirar 
Ou a que me mata ao sufocar?


És tu, meu amor,
Quem move esta caneta 
Ou quem me a tira das mãos?
205

Fantasma

Sozinha no meu quarto,
Na minha solidão 
Aguardo a tua vinda 


Vens de mansinho 
Entras pela fechadura da porta 
E a janela entreaberta 


Estás aí? 
Pergunto-me se és mesmo tu 
Ou só mais um fruto da minha louca mente 


Tomas o meu corpo, 
Beijas as minhas lágrimas,
A tua mão entrelaça-se com a minha 


Queria que o tempo parasse,
Mas partes subitamente 
E eu volto à minha triste existência
185

Palavras

De lágrimas nos olhos 
Escrevo estas palavras,
Estúpidas palavras 
Cuspidas para este papel molhado 


Eras muito mais do que palavras 
E por isso pergunto-me porque as escrevo 
Mas não sei que faça mais 


Oh, meu amor 
Meu bem 
Como vivo eu sem ti?
200

Saudade

Como sinto falta da tua cabeça 
Cheia de sonhos, deitada no meu colo
Mas que foi perdendo a lucidez 
E se partiu com a queda 


Como sinto falta dos teus cabelos 
De neles passar a minha mão
Mas que foram perdendo a cor 
E se despentearam com a queda 


Como sinto falta dos teus olhos 
Brilhantes e redondos, como os meus 
Mas que se foram enchendo de lágrimas,
Espelhando a tua alma triste 
E se fecharam com a queda 


Como sinto falta dos teus lábios 
Que me beijavam a face 
Mas que se tornaram secos 
E se rasgaram com a queda 


Como sinto falta do teu sorriso 
Doce e contagiante 
Mas que se tornou falso,
Um esconderijo para a tua tristeza 
E se partiu com a queda 


Como sinto falta dos teus braços 
Que me acolhiam e sufocavam de amor 
Dos teus abraços que me encurralavam 
Mas que foram perdendo a força 
E me soltaram com a queda 


Como sinto falta da tua voz 
Que gritava de amor 
Mas que se tornou rouca 
E se calou para sempre com a queda
209

Mors Liberatrix

Estou deitada,
Imóvel sobre a cama,
O meu corpo frágil
Pesa sobre o colchão,
Os lençóis velhos
Irritam a minha pele,
Sinto tudo à minha volta


O frio do inverno
Inunda o quarto,
Sinto-o a arrefecer-me os pés
A percorrer as minhas pernas
A arrepiar-me a espinha
Até chegar à minha cabeça,
Congelando os meus pensamentos


A luz amarela do candeeiro
Cega os meus olhos,
Sinto-os pesados
As minhas pálpebras fecham-se lentamente
Entrelaçando as minhas pestanas
Que trancam o meu olhar para sempre


O meu coração
Bate cada vez mais lento,
Sinto-o no meu peito
Como um sino de igreja
Que desvanece depois de doze badaladas,
Silenciando a noite


Estou presa,
Presa nesta cama
Presa pela velhice
Que me paralisa o corpo
Mas sinto-me livre
Sinto-me a levitar


Deixo para trás o meu corpo
A prisão do meu espírito
E encontro a paz
Desbloqueada pela morte
Com o meu último suspiro
239

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camila_duarte

A tua poesia é tão preciosa como tu